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MAIS UM FIM?

Como é de praxe, 6 Megas ocupados... Isso significa que o Blog acabou? Não, apenas esse endereço, a parte 5. Seguindo para http://xtudotudo6.zip.net (é só mudar um número na barra de endereço do seu navegador, não seja preguiçoso!) você continuará usufruindo de nossas postagens, até breve e desculpe o incômodo!

Escrito por wormsaiboty às 12:44
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GAMES

Super Nintendo

Clayfighter 2 – Judgement Clay



FICHA TÉCNICA
Developer: Interplay
Publisher: Interplay
Estilo: Luta
Data de Lançamento: 1994

NOTA
5

"Muito cinematográfico, pouco jogável"

Pastelão. A começar pelo título, uma paródia de "Judgement Day", o sufixo do filme Exterminador do Futuro II. A seqüência para o famigerado jogo de luta dos bonecos de massa exóticos não apresenta uma lista de melhorias, como seria de se esperar de uma obra bastante criticada em certos aspectos. Ao invés disso os produtores preferiram pegar carona no sucesso de vendagem do antecessor, que se deu mais pela maluquice (em outras palavras, um alto carisma com o público infantil) e inovação do cartucho que por suas contribuições ao gênero porrada. Uma pena.

ESTÓRIA & ELENCO

Absolutamente os mesmos bonecos – e sem enredo algum por trás – acrescidos de três ou quatro figurinhas cômicas.

GRÁFICOS

Se houve uma razão extra-pecuniária para a realização do capítulo dois desse projeto com certeza foi o "boost" na imagem, um upgrade visual quase inacreditável para o espaço de um ano. Alguém na Interplay aprendeu muito em termos de animação ou um super-designer foi contratado. Não há como pensar em outra coisa. C2:JC é 2D no entanto seus personagens peculiares parecem modelos tridimensionais, tamanho o detalhamento (os drapeados e a profundidade) dos sprites "de massinha". Na realidade o game tira proveito de uma tecnologia recente (para a época, contudo ainda não 100% dominada até hoje) chamada Claymation. Tal técnica consiste da mesma utilizada para conceber Toy Story e Fuga das Galinhas, só para citar um par, nos quais os cenários e pessoas/bichos/etc eram de verdade, fotografados em diversas posições (para cada quadro). A diferença é na fluidez da movimentação no vídeo, uma animação única.



Os entornos já eram maravilhosos em Clayfighter 1, mas o que os projetistas construíram para Judgement é espetacular. Os gráficos parecem um sorvete de chocolate para nossos olhos [não entendi essa comparação do reviewer. Acho que sua intenção era demonstrar sua fofura ou quem sabe a ânsia salivante de vê-los]. Os fundos receberam uma injeção de ânimo, com muito mais corpos e cores onde antes só havia morbidez. O quesito não chega à perfeição por apresentar slowdowns ocasionais (mormente nos combos). Outro detalhe a considerar é que o visual dos veteranos do elenco também foi modificado, para que não enjoassem o gamer.

SOM

Gritos daqueles que você só houve num manicômio; barulhos que provêm de tudo menos do atrito de argila com argila; músicas desinteressantes (porque felizes demais, além da falta de harmonia): esses são a música e os efeitos sonoros propiciados por Clayfighter 2.

SISTEMA DE JOGO

C2 padece de um infeliz "ciclo desvirtuoso", o das "porradas infinitas até morrer". Repare que após levar qualquer golpe o boneco ficará sem ação por pelo menos um segundo (e esse é um glitch inconsertável). O atacante pode repetir o estratagema e, desde que o outro esteja suficientemente perto, aplicar o mesmo dano. Repetidas e repetidas vezes, até a barra de life se esvaziar. Que beleza, não? Quem padece diante de uma tática dessas pode até usá-la contra os outros mais tarde, porém C2 deixa uma péssima impressão na medida em que seus golpes especiais são tão destrutivos para o inimigo quanto simples de serem realizados pelo autor, o que proporciona lutas efêmeras e sem sal. Na verdade a regulagem do poder das pancadas (de 1 a 8 estrelas e individual, ou seja, havendo a possibilidade de dois jogadores desnivelados se enfrentarem em pé de igualdade) é o mínimo que deveria ter sido feito para reparar (e mambembemente) a injustiça plantada pelo sistema de jogo (só assim um patinho que sempre caia no truque do ciclo desvirtuoso tem chance de vencer). Reiterando: inexiste qualquer variabilidade no repertório de golpes de cada personagem e sequer um incentivo para que todos eles sejam utilizados, pois assim que o gamer descobrir o quanto "x" pode ser superior a "y" porque tem um golpe mais apelão e bem mais fácil de fazer ele descartará qualquer um dos fracotes, que é como se fossem a partir deste momento um mero estorvo para o título, algo que ocupa memória da fita e não serve para nada.

Agradecimentos a Glutted do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 12:20
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GAMES

Super Nintendo

Clayfighter



FICHA TÉCNICA
Developer: Visual Concepts
Publisher: Interplay
Estilo: Luta
Data de Lançamento: 1993

NOTA
6.36

"Criaturas anabolizadas com 'massa massalar' até o talo!"

Esse me traz, particularmente (a mim mesmo, o Worm) boas memórias. Pensei até que fosse de 95 ou coisa parecida, já que foi um presente que eu e minha mãe achamos na feira, na altura da minha primeira série, para o aniversário de um primo meu. Um jogo de luta de bonecos de massa (clayfighters) onde o sangue dava lugar a muito humor. Mesmo que a jogabilidade não funcionasse tão bem foi um sopro de inovação no gênero, uma bela iniciativa. Posso estar alterando o review com minhas próprias impressões, mas é isso que eu sinto. Agora sim, à dita tradução:

...

ENREDO

O normal é que cada personagem venha com uma biografia "fodônica", no entanto Clayfighter as dispensa. Pense no título como um Clube da Luta, então! Apanhar e bater, é só isso o que eles desejam...

SOM

Um toque interessante são os disparates dos bonecos, sempre se gabando ou ameaçando o outro com frases-feitas no meio do combate. O locutor parece uma sátira do voz-grossa de Mortal Kombat, uma vez que anuncia os duelistas de modo estranhamente similar! As faixas caem bem no título (aquela aclimatação infantil), então desde que não enjoem para o tipo de gamer que estiver jogando o volume poderá ser mantido alto.



GRÁFICOS

A massinha que constitui os personagens é deslumbrante. É a última tecnologia no que se refere a sprites. São empregadas tantas texturas, e com tanto cuidado, que parecem pixels, mas não são: modelos 2D "cheinhos" que iludem os supernintendistas. Os ataques desferidos também são um show de efeitos especiais.

DESAFIO

Apresenta aqueles três níveis clássicos, easy, normal e hard. Eles puxam a inteligência da CPU aos extremos: easy é para os bem pequerruchos que mal conseguem manipular um joystick. O normal está na medida para que os iniciantes mais velhos (entendeu? Se você está jogando pela primeira vez só que é de uma idade na qual já discerne melhor as coisas – vulgo "homenzinho"), enquanto que o hard é a última etapa da "doutrina clayfightiana" antes da faixa preta. Uma vez que são necessárias duas vitórias em rounds para prosseguir por cada etapa, será impraticável contar com a sorte para zerar no hard mode: precisa-se, acima de tudo, de regularidade.



JOGABILIDADE

Os lutadores não são especialistas em golpes rápidos, então o gamer não encontrará problemas para pegar a mecânica de jogo, pois terá tempo de sobra para ir testando os comandos sem correr risco de perder uma luta. O engraçado é que as teclas da direita (X e A) funcionam menos que as da esquerda (B e Y) – sabe quando você aperta e o boneco não executa a ação? É exatamente o caso. Chato, não é?

Os combos não costumam dar em mais do que 3, 4 ou 5 hits, algo bem distante, por exemplo, de um Killer Instinct. Não esqueçamos do princípio básico dos produtos do estilo: para cima no direcional serve para pular, o que evita desperdiçar uma das teclas convencionais, que servem para maltratar os pobres adversários!

MULTIPLAYER

Feijão-com-arroz. Escolha os lutadores, o cenário e a força (de 1 a 8, fato que possibilita aos gamers menos talentosos "chegarem lá"), depois lute sem tréguas. Sobre o sistema de handicap (essa variação do poder de damage de um ou de outro), vale avisar que quando um combatente de 8 estrelas enfrenta um rival de apenas 1 a vitória para este segundo é inviável, ou seja, o propósito da luta é redundante, porque o vencedor já é antecipadamente conhecido.



INOVAÇÃO

Os personagens são o grande chamariz do título e o responsável por sugar os gamers, mantê-los viciados na empreitada. Blob é algo como um "ponto final" (dica: ele pode se transformar numa serra!), Mr. Frosty está na capa e é um boneco-de-neve malvadão, etc, etc (é infantil mesmo, mas e daí?). Todos, claro, de argila, aquela com que você brincava na escola. Ops, pré-escola!

Outro aspecto inédito, ao menos para este gamer que vos fala, é a oportunidade de dois jogadores atuarem no Single Player Mode. Ã? Basta que o P1 morra: esta é a deixa para o P2 desafiá-lo num combate extra, sem correlação com a estrada até o zeramento que vinha sendo percorrida. O vencedor desta partida especial poderá seguir em frente, desafiando o computador (ou seja: se o player-1 vinha controlando, ele cede para o 2) – isso até encontrar a primeira derrota, quando o antigo perdedor tentará voltar à ativa. Gostou do conceito?

CONCLUSÃO

Não é um fighting imperdível ou extraordinário, se quer saber. A modalidade de um jogador só ganha graça de verdade na última dificuldade. Tendo esta sido transposta, só um amigo para salvar a diversão. Clayfighter é de aquisição, portanto, questionável.

Agradecimentos a Frost King do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 12:17
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ELEIÇÕES 06

Artigo Especial II

"POR QUE UTILIZAR A VEJA COMO SUBSÍDIO PARA VÁRIOS POSTS DO BLOG?"

Eu te respondo. Ora, porque esse é um Blog da e para a classe média! Para aquele setor da classe média menos desiludido. É um público que não reivindica medidas a curto prazo do governo. É um naipe de leitor que entende o funcionamento da máquina estatal. É uma revista para aquelas pessoas que já enxergaram (por incrível que pareça esse número é reduzido) que o Muro de Berlim caiu. E olha que vai fazer duas décadas. Correntes comunistas redundam em nada, afinal num país com tantas necessidades sociais tudo quanto for partido terá de ser "de esquerda", o que não significa tentar nenhuma revolução, mas tão-somente seguir uma responsabilidade fiscal e econômica pré-estabelecidas, afora a condução das reformas tão necessárias (ah, isso sim é uma revolução!).

Mesmo na Europa, sociedade mais avançada, essa história de "lado" perdeu o teor: todas as legendas são consideradas de centro (ou de centro-alguma-coisa, o que dá no mesmo, porque "centro-esquerda" ou "centro-direita" são eufemismos para os liberais e conservadores que ainda não se adaptaram plenamente à nova ordem mundial). O Socialismo já faliu, deve-se aceitar este prognóstico. Quanto ao visitante que permanece incrédulo e impermeável as minhas palavras, desejo sinceramente que caia logo a sua ficha. Sequer deveríamos debater essa questão de fim do Socialismo e entrada em vigor do Capitalismo: o melhor seria fazer de conta que sempre foi Capitalismo e que sempre será (é o que parece, inclusive, sem querer ser pessimista para aqueles mais oníricos que ainda guardam pontas de esperança). Apenas crie sinônimos para Capitalismo, tais quais: vida, realidade. Se você quiser escapar da vida ou da realidade, enfim, do Espírito do Tempo, escreva um livro, veja um filme, durma ou morra. Simples assim.

Caso deixe de acompanhar meu Blog porque se sentiu ofendido, vá em frente. No entanto, deixando de companhá-lo por causa das matérias da VEJA... Nem sei o que dizer. Minha vontade era trucidá-lo, linchá-lo. Antes a revista mais vendida em solo nacional do que minha arrogância, certo? Enquanto houver pessoas como eu nunca será viável uma sociedade igualitária, pois sempre vou querer ferrar essas "almas penadas e anacrônicas" que pensam que sabem demais. A grande vantagem desse semanário é defender, invariavelmente, os interesses da classe média, no momento em estado de inanição. Vá em frente se quer empobrecer. Primeiro, vai ser só uma questão subjetiva: arruinar o intelecto. Posteriormente, sentirá as agruras na carne, porque o dinheiro vai encurtando... Ignore um dos poucos veículos que se importa com aqueles que estão entre os "proprietários dos meios" e os famintos.

Sendo ainda mais taxativo, saiba que ela não defende o tucanato. Nem eu faço o mesmo. É de longa data, não só agora na reta final, que eles estão sendo acusados de compactuar com a roubalheira petista e contribuir de modo extenso com a reeleição de Lula. Todos são iguais. Um finge que bate e o outro que apanha. A VEJA não toma partido integral de ninguém, até porque não há defensor perfeito da classe média, principalmente no que se refere à Câmara e ao Senado.

Isso é (quase) tudo, já pode carregar outra página. Sei que está farto. Que não agüenta mais essa urna ridícula no topo de cada mensagem.

...

Aqui, uma transcrição de uma correspondência direcionada à revista:

"Sou leitor da revista VEJA desde a década de 80, quando cursava administração de empresas, morava em uma pensão e dividia o mais recente exemplar da revista com outros onze colegas. Desde aquela época, lê-la aos domingos é um hábito, que hoje compartilho com minha esposa e procuro incutir em minha filha de 14 anos, pois VEJA é a revista mais completa do país. Suas informações são confiáveis e imparciais. Por isso, não me espanta VEJA ser citada nas páginas da imprensa mundial, pois já a reconheço como a melhor revista do Brasil e ela certamente está entre as melhores do mundo. Em uma época em que nossos políticos corrompem e são corrompidos (e nosso presidente finge nada saber), VEJA resgata nosso orgulho ("VEJA nas páginas do mundo", Carta ao leitor, 21 de junho)."

Clóvis Roberto Benedetti Lourenço
Bauru, SP

Eu não sou um baba-ovo da Abril, do Civita, do Mainardi ou sei lá de quem. Nem concordo com a afirmação de que seja um veículo completamente imparcial e confiável, no entanto é sim aquela em que mais me locupleto porque o nível das outras publicações tupiniquins não ultrapassa meus calcanhares. Publicações que defendam a classe média, de modo geral, são bem-vindas.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 16:55
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ELEIÇÕES 06

DOS MALES O MENOR

Oposição fracassada. País em ruínas. Povo burro que dói. Tudo é culpa da falta de educação, da falta de escolas. E de uma burrice incomensurável e particular brasileira que não pode ser explicada somente pela ausência de escolas. Louvamos a ignorância. O povo não pede escolas. Primeiro, nem o número de vagas do ensino público cobre a demanda. E depois, ainda que cobrisse, o verdadeiro problema é a qualidade inclassificável das "aulas". Mais do que evocar aquela música do Ultraje a Rigor, "A Gente Somos Inútil", a massa acéfala precisa... Votar no Cristovam?!? Eu particularmente não. Faça o que quiser, contanto que não dê crédito à bandeira vermelha da estrelinha branca (o próprio "candidato da educação" é dissidente do partido). Alguém sem diploma no cargo de presidente não é para ser aplaudido. O que ficou evidente é que numa democracia (quase) todos podem, até torneiro mecânico, e não devemos fazer pré-conceitos com relação a isso. Porém acreditar que um sujeito assim é MELHOR do que um doutor é uma vergonha. Sorria, Brasil, e mostre essas janelas de banguela. Com orgulho? Parece que sim...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 16:08
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ELEIÇÕES 06

INOCÊNCIA?

Lula é tão inocente quanto Suzane von Richthofen. Ademais, ainda que eu tivesse grande estima pelo nosso querido presidente, deveria no mínimo reconhecer que ele, do contrário, não tem muita estima pelo país. Está no lugar errado. Lugar de gângster é na cadeia, ou refugiado, exilado. O que mais me entristece, sem dúvida, é que gente com acesso à informação (não todos, óbvio, mas a porcentagem é espantosa) mantém suas convicções, creio, em estado latente, porque não modificam o voto e insistem na "ética diferenciada" do PT. Ah, claro: o Partido do Trambique, o campeão da roubalheira, aqueles que como governo são excelente oposição. Só pode ser uma sigla com um código de ética diferente de tudo o que já vimos!

A massa está hipnotizada, disso não resta dúvidas. O que eles não sabem é que Bolsa-Isso, Bolsa-Aquilo todos os partidos adoram. Na Terra do Fisiologismo não há esquerda ou direita. Nem mocinhos. Apenas bandidos. Mas o PT, sem dúvida, é uma hipérbole da ladroagem: Lula Lá & Os 40 Ladrões do Congresso. Certa vez ele comentou que deputados e senadores eram todos picaretas. Como operário que é, Lula sabe que precisa de picaretas para trabalhar!

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 14:55
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ELEIÇÕES 06

Um apelo

Cristovam Buarque, Heloísa Helana, Eymael (tá brincando?!), Geraldo Alckmin, Lula...

"Assumam o amor brasileiro pelo futebol! Só política, isso, aquilo, tá um saco! Infestado de porcaria de toda espécie... Vamos exaltar os valores dessa nação... Futebol, música, cinema... Só grana? Ninguém agüenta mais! Educação? Saúde? Nem precisa mais falar! Todo mundo sabe que tá uma grande porcaria, há muito tempo! Dirigente que sabe manejar o futebol e voltar com o avião cheio de muamba do exterior... Isso é moleza! Os políticos deviam trocar esses que estão aí... Quero ver um candidato com dignidade e caráter para tirar esses caras."

Pronunciamento in loco de um dos apresentadores do programa Bate-Bola 1ª Edição.

Agradecimentos à ESPN Brasil

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política/Futebol

Escrito por wormsaiboty às 13:04
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INTERROMPENDO A EXCELENTÍSSIMA PROGRAMAÇÃO DA "EMISSORA"...

Galvão Bueno & Seus Juízos de Valor

Acabou de terminar Brasil x Noruega e se tivesse a paciência de levantar da cama e achar uma rádio na web que estivesse narrando o jogo, tenha certeza, teria deixado o televisor no MUTE. Galvão Bueno, ALÉM DE TODOS OS JÁ (RE)CONHECIDOS DEFEITOS, ignora o jogo. Tudo que vossa geriatria faz é dar vazão aos próprios devaneios. Veja dois exemplos ilustrativos:

. 33 do 2º tempo: Já vai acabar... tá quase acabando... Que pena! Podia durar mais...

. 47 do 2º tempo (cobrança de escanteio, último lance de gol): Beeeeeeeem que o Brasil podia marcar... pra acabar logo com essa história de que não ganha da Noruega.

Beeeeeeeem, amigos do Blog X-Tudo-Tudo, que ele podia ir jogar dominó na pracinha...

Não agüentamos mais.

Escrito por wormsaiboty às 17:05
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ELEIÇÕES 06

Calma. O diálogo com o andarilho ainda não terminou. Leia o post anterior (o da próxima figurinha de urna eletrônica - viu para quê que ela serve?) se ainda não o tiver feito ou for de conveniência:

TW: Concordo com tudo isso. Menos na parte em que você diz que as pessoas "nascem" assim. Elas viram isso. Todo mundo nasce igual. Depende da vontade de cada um.

EU: Elas nascem fodidas. Por que você acha que eu tô me dando bem? Eu não nasci na roça. Se eu não tivesse acesso à Internet mais do que provável que fosse um ignorante.

TW: Sim, mas se você não quisesse estudar estaria no mesmo nível.

EU: Talvez ainda demorasse mais 10 anos para aprender que isso de Comunismo ensinado no terceiro ano na matéria de Sociologia não funciona. Vide MST e derivados - se é lógica ou não a idéia de uma sociedade perfeita, o nirvana, fato é que reside na cabeça deles, feito um edema, inexpugnável. Como não é o caso, descobri-o mais precisamente em agosto de 2005. Ademais, lembro-me do panorama da minha classe no último ano do Ensino Médio. Uns estúpidos de melhor renda aqui, um carinha pobre e estudioso lá. Claro que, se existe, a solução para o pobre é ser como é. No entanto, cadê a sua apregoada igualdade "desde que nascem"? Os playboys estúpidos têm muito mais chance de proliferar que o segundo tipo, eu garanto. Mesmo não querendo nada com os estudos. Ainda que não valorizem o que têm. Isso porque não nasceram na roça. Se nasceram, vieram para a civilização a tempo. O tal "carinha pobre" é meu amigo. Infelizmente ele não me lerá neste espaço, porque ele não tem um microcomputador. Aliás, recordo-me de vê-lo se lamentando pelo fato de não ter podido fazer o vestibular da UnB àquela altura. Por que motivo? A taxa de inscrição era 80 reais e sua mãe passava, àquela altura, por apertos terríveis. Então, eu refaço a pergunta: QUEM VAI SE DAR MELHOR? O playboy, seja em que estrupício de lugar, vai se formar. Meu amigo Diego de Santa Maria [e agora, no momento deste post, residindo em Goiânia, surpreendentemente numa faculdade particular, como bolsita. Que bom!], será que vai? Uma nuvem cinzenta não pára de rondar minha cabeça. Não existe uma regra geral, nem 100% de garantia, mas QUEM NASCE BEM TENDE A MORRER BEM.

TW: Há outros fatores. Mas a vontade é mais forte, cara. Se o cara quiser estudar, ele vai estudar, pô. Igual a esse aí que você mencionou.

EU: Estudar com o quê? Com os dedos e a mente? Estudo = livros ou tecnologia de ponta. Material caro. É preciso infra-estrutura. Dinheiro. Vontade nada. Ele vai conseguir passar para cursos de nota baixa na federal - se conseguir pagar a taxa de inscrição, que sobe ano após ano -, e só. Um outro sujeito, Pedro [são múltiplos Pedros. Aposto que se você está lendo este artigo e se chama Pedro não é você. Esse Pedro que eu conhecia de dois anos atrás nem é chegado em leituras!], está no Jornalismo, numa das melhores universidades do Centro-Oeste, com uma senhora biblioteca à disposição... Pagando 900 reais mensais. Ah sim, a taxa de inscrição foi mais barata: 50. Talvez o Diego pudesse ao menos CONHECER a facilidade de um vestibular "faça e passe".

TW: Se você for analisar apenas esse arguento, os ladrões não têm culpa de serem ladrões; as prostitutas não têm culpa de serem prostitutas; os mendigos não têm culpa de serem mendigos.

EU: E eu disse que tinham culpa? Em que cartório? Quem diz isso são as autoridades. Autoridades leram para estar lá. Não vieram da roça. E elas são especialistas em ludibriar a massa. Os únicos caras que recusam trampo nesse mundo são os idiotas do MST [e derivados, sempre derivados...]. As crianças que hoje nascem em assentamentos até têm um estudo, porém um estudo que igualo a "lavagem cerebral". Vá perguntá-los quem são os educadores e que matérias eles têm naquelas escolinhas de formar invasores de Congresso! Esses são desvirtuados mesmo. Já um bandido não vai recusar emprego. Se puder viver bem sem se arriscar toda vez, tanto melhor. Uma vidinha mais estável! Se a pessoa é cleptomaníaca, isso é com a saúde pública... E os militantes da reforma agrária (não vai acontecer, não se iludam) se recusam a pegar na enxada, simplesmente. Complementando, nenhuma mulher - salvo as ninfomaníacas (sempre os maníacos...) - gosta de dar o cu para estranhos. Deve doer muito, você não acha?

TW: Não desviemos o rumo da prosa... E como você sabe que dói muito?

EU: Suposição. E quem acabou de desviar a rota foi você, espertalhão. Nem a Bruna Surfistinha entrou nessa por acaso, sabia? Ela é uma prostituta originária da classe média, porém agora é classe alta. Se não rolasse grana, ela não toparia. E, pensando bem, não é a televisão que enfia na cabeça dela que empinar a bunda é bom. Ou não só isso. Que culpa ela pode ter? Não são os funks? Não são os pais? Educação ferrenha de quem cria jamais levaria alguém diretamente para o prostíbulo.

TW: Então, já que, como você colocou, os bandidos são vítimas da sociedade... Para que ter leis rígidas e punições severas? Devemos punir a sociedade? A sociedade, que não dá dinheiro para o homem que pede no sinal. Que não dá comida pro mendigo que pede na rua...

EU: Eu não tenho nada a ver com o mendigo. Sai pra lá. Quem tem que ver isso é o Estado. O Estado que come quase seis meses do nosso salário na fonte. Isso já devia servir para todos os mendigos do universo (e devo dizer: 90% deles estão no Terceiro Mundo deste planeta). Não tenho que tentar "distribuir equiparavelmente" para ninguém. E mais: fazendo uma colocação relativa a quem reclama que ao dar alguns reais o sujeito vai lá e compra uma birita, no momento em que você doou aquela parcela de sua renda, a cédula/moeda é do receptor e ele pode fazer o que bem entender com sua nova "fortuna amealhada". Se não quer vê-lo embriagado, não doe.

TW: E isso não é culpa dele? Olha o pensamento do cara... Beber cachaça ao invés de tentar evoluir.

EU: Será que ele prefere comer um pão e continuar faminto e na (sic)? Estou falando de necessidades urgentes aqui. Subsistir. Não cogito que ele possa juntar para dar uma entrada na compra de um laptop. Ele prefere, pois, beber do seu álcool e ficar "alto" uns tempos, felizão. Feliz num grau difícil até mesmo para os mais abonados. Além disso, caso jamais tenha experimentado, engana a fome que é uma beleza... Quem sabe seja um desejo íntimo de um cidadão (ops, marginal, ou seja, na periferia da sociedade, sem direitos nem deveres) neste estado de coisas a simples morte indolor.

TW: Gradativamente, ralar para dar uma condição melhor para o filho. E não ter 10, 15 filhos parindo feito coelho.

EU: Essa é sua concepção de evolução? Em primeiro lugar, uma existência digna (que deveria ser, aparelhada pelo Estado) exige moradia e educação. Com o dinheiro do semáforo onde faz peripécias com os malabares será que ele consegue pagar uma quitinete e aquele boleto de uma instituição de ensino? Aliás, se ele conseguir entrar no banco e não for expulso, vestindo trapos, dou-lhe um sorvete de três bolas. Ou uma 51.

TW: Claro que não. Quem pede esmola não quer trabalhar.

EU: Ah, claro. Pois é. Devia estar num escritório de multinacional. Que desperdício, né...

TW: Quer viver às custas dos outros...

EU: Claro, claro! O mercado de trabalho é tão benevolente. Tem vagas para todos, é só você querer. Ensine-me o segredo. Quero um emprego. Mas não um emprego comum. Você que é o Mister J (Mister Job), diga-me onde encontro um estágio que me pague 5 mil reais e me faça trabalhar só 2 horas por dia? Do jeito que o mundo é legal, como você apregoa, não duvido que exista...

TW: Não acho que pobreza seja desculpa para a ociosidade ou a violência.

EU: Sim! Só que eu nunca vi um país mais rico que outro com maiores índices de violência. A despeito de nações sustentadas pelos petrodólares, ricos mesmo são os Estados com bons projetos sociais.

Escrito por wormsaiboty às 17:16
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TW: Você acha que o Estado é o quê, cara? Não disponibiliza nada para a população? A distribuição é muito inferior, qualitativa e quantitativamente [em relação às nações européias, ele quis inferir, creio eu], mas não é desculpa. Se o cara tivesse consciência de verdade, iria evoluir.

EU: E onde se adquire consciência, não é na escola? O que acontece é que nossos irmãozinhos ai foram menos privilegiados e eu não tenho a obrigação de fundar uma ONG para assisti-los. Aliás, o mundo é tão burocrático que eu não saberia nem que quisesse.

TW: A solução é não colocar mais várias bocas no mundo para não precisar alimentar.

EU: Já disse: isso você sabe só porque freqüentou a escola, sabichão. O Estado é um labirinto sem saída. O Estado brasileiro. Um bufão. Um gastador desmedido. A primeira-dama compra cortinas caras para decorar seus aposentos, sem ao menos uma licitação, e depois vêm dizer que não há dinheiro para investir em escolas.

TW: Se alguma pessoa passar um ano sem conseguir um emprego, eu corto minha mão. Procurando emprego, claro.

EU: (seriamente preocupado) Como está seu pulso? Sangrando muito? Dia desses eu vi no jornal. Pesquisa com graduados desempregados que não conseguiam emprego há mais de 12 meses em sua incessante busca: 15%. Haja mãos para decepar. Nem Sheeva, Goro e sua prole... Não sei quem fez você acreditar que é so procurar emprego que se acha. Só digo que foi enganado, clamorosamente. Mas para apimentar ainda mais a discussão, saiba que estou falando de seres com TERCEIRO GRAU COMPLETO. Não compararei com mendigos, covardia demais... Vem cá... Pensa no seguinte. Um cara é competentíssimo mas fica nervoso na hora das entrevistas. Se a corporação o contratasse engrandeceria muito seu potencial, no entanto é impossível saber, porque incondicionalmente ele fica sempre meio estabanado na hora de dar as respostas, por mais que se prepare. O que você acha disso?

TW: Acho que é a "natureza" dele. Não pode mudar. NÃO EVOLUI.

EU: Deixe-me entender o que acabei de ler. Então você é mais evoluído que eu (afinal eu sou tímido)? Para isso existe um nome. Para esta noção no mínimo superficial, normalmente criminosa. É o Darwinismo Social. Já ouviu falar? Não tem nada a ver com Darwin. Pelo menos não foi seu intuito. Depois que o biólogo (naturalista, exatamente o que você acha da vergonha na hora da entrevista, algo "natural") morreu, utilizaram seus conhecimentos distorcidamente para determinar uma classe superior. Partidários dessa idéia (dessa anomalia) crêem que tudo é codificável. Se ele não espanta o nervosismo é devido à burrice biológica. Alguma coisa ele não aprendeu direito e nada se pode fazer. É um demente. Descartável. O que você e outros quereriam dizer é que se ele tivesse vontade deixaria a timidez de lado...

TW: CLARO QUE DEIXARIA! Ou então ficaria aí, excluído, por causa de sua natureza. Como se não pudesse mudar, rá! Se ele tem algum distúrbio, algum tipo de deficiência, se é normal... Eu cravaria a última, porque ele é igual a eu e você, nesse âmbito, claro. Não muda porque não quer.

EU: É, cara. É assim que Hitler começou.

TW: (risos - de nervosismo, diria eu) O que você quer dizer com isso?

EU: DS é o atalho para o Totalitarismo. Mas até que seria bom para o coitado, né? Já que no Nazifascismo não havia desemprego. Quero dizer, Thor, que essa ideologia - PENSEI! - já fora vencida e devidamente enterrada nos escombros da Segunda Grande Guerra. Por isso, meu caro, não preciso debater mais esta questão com você. A própria História dá o veredicto: VOCÉ É CULPADO! Eu só me pergunto que mecanismos nessa sociedade maléfica ressuscitam esse tipo de pensamento. Que coisas fizeram o célebre amigo Thow Wood chegar a conclusões tão perversas?

TW: Ok, ok, então tomemos como exemplo um cara. Ele nasceu pobre, na favela, não tem a mínima expectativa de vencer na vida, como você diz. Quais são suas possibilidades...

EU: (interrompo) Uma só: o tráfico.

TW: ...a) Cometer suicídio; b) Esperar e rezar; c) Adentrar o mundo das drogas.

EU: Ele não é japonês, e rezar não enche a barriga de ninguém.

TW: Então ele integra o tráfico, mata sua mãe e você diz "Não o prenda, ele é vítima do Estado!". Não tem culpa do que fez, ele é pobre, não tinha chance alguma de sobreviver. Não o prenda. Algo assim?

EU: Não. Isso é anarquia. Ele tem de ser preso.

TW: E o que você sentiria por ele? Indiferença?

EU: Ninguém é assassino porque nasceu assassino, neodarwinista.

TW: Claro que não. Mas ele não tem a escolha apenas de ser um assassino.

EU: A ausência de culpa não significa impunidade. Se tivesse alguém para ser preso era toda a corja de políticos no poder, mas vamos lá... Bill Gates é "o" cara, certo? Ele não nasceu pré-destinado. Sua genialidade se deu por crescer num meio propício a isso. Repetindo aquele bordão: ele não nasceu na roça. Os méritos por ele ter chegado aonde chegou são das pessoas que o cercavam, das insituições, de sua família, etc. Mas quem leva a bolada, aquela grana toda? Ele, sozinho. Por isso, não tenho razões para crer que do lado inverso da pirâmide seria diferente com o bandido. A favela o tornou daquela forma, mas ele vai ser punido por isso, tendo "culpa" ou não. A Lei é um pouco mais automática do que você pensa. Matou, cela. Exceto para os ricos, é óbvio. Para ter uma idéia, cargo público deixa a pessoa imune a processos inclusive de assassinato.

TW: Então vire filantrópico.

[???]

E aí, leitor... Quem ganhou o ferrenho debate? Thor Wood, determinista e por conseguinte defensor das atuais práticas administrativas tupiniquins na esfera federal? Ou quem sabe o ilustre Blogmaster, tão indignado com esta sujeira quanto vocês? Vamos, não se exima, comente logo abaixo.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 17:16
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ELEIÇÕES 06

Diálogo com um andarilho, Thor Wood:

TW: Temos ao menos de ter algo em que ter fé.

EU: Ter fé é que fode. Tem é que fazer.

TW: Capitulo... concordo com você.

EU: "Ui, ui, nós teremos escolas melhores, meu povo". NÃO. Tem que dizer assim: "se você não tirar esse traseiro gordo do seu sofá, desligar esse Domingão do Faustão e mandar seu filho fazer o mesmo, tudo vai continuar do jeito que está. Você, cidadão, irá morrer de fome. Seu filho será um analfabeto funcional, limpará o chão para os poderosos. Não por coincidência muitos dos tais poderosos "sofreram" na infância de tanto ler livros. Ah, se você soubesse o prazer que dá degustar as palavras impressas... Que sofrimento que nada! Tendo eles gostado ou não de tanto ler, enfim, fato é que no futuro cuspirão na cara do seu filho, sem que ele possa fazer nada. Isso de "brasileiro é tudo igual" é mentira das boas. Todo país tem sua elite. Raramente elite intelectual não se mistura com elite financeira (Cuba não entra no nosso assunto). E num país de iletrados como o nosso, saber um pouquinho já é larga vantagem, você não acha? Em terra de asno, esforçado é gênio. Há aqueles que nascem para ser tapetes. No regime que vivenciamos há fluxo. Fluxo de capitais? Claro, mas veja só: a condição social do indivíduo dependerá invariavelmente de seus anos de estudo e da qualidade desses estudos (se provindo do governo, de corporações lucrativas...). É claro que quem nasce pobre terá de estudar o dobro porque o nível educacional de seus pais e da vizinhança são inferiores e a escola municipal/estadual/federal é uma palhaçada, mas ficar de braços cruzados é pedir para agravar essa situação. O filhinho de papai precisa estudar muito menos que o pobretão para chegar no mesmo lugar, não nego. Quem disse que o mundo era justo? Não é papel do Estado (talvez fosse, mas, sabe como é, o nosso - em específico - é deveras preguiçoso, um mantenedor dos hiatos sociais) nivelar a instrução de todos. É a função de cada um. Pensem nos próprios narizes. Quando muito nos narizes de sua família. Pare de futucar este Blog e vá ler um livro.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 15:21
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ELEIÇÕES 06

Entrevista com Marco Aurélio Mello

Acabou a farra

Ele jogou uma bomba no mundo político (e voltou atrás) e agora promete: nesta eleição, não haverá impunidade

Por Policarpo Junior

EPÍGRAFE
"Os candidatos não têm freios inibitórios mais rígidos e usam descaradamente a máquina pública em benefício próprio"

Na semana passada, o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), viveu dias de tumulto. Numa decisão que provocou uma hecatombe no mundo político, o TSE resolveu, capitaneado pelo voto do ministro, que partidos sem candidato a presidente só poderiam fazer alianças estaduais com legendas que estivessem em idêntica situação. Dois dias depois, ao analisar um pedido de reconsideração, o TSE, outra vez seguindo voto de Marco Aurélio Mello, anulou a decisão anterior. "Constatei que eu dera uma interpretação errada", reconhece ele. "Permanecer no erro é que seria terrível." Quem elogiou a coragem do ministro por sua primeira decisão criticou-o duramente na hora da segunda – e vice-versa. Aos 59 anos, às vésperas de completar dezesseis anos no Supremo Tribunal Federal, Mello se prepara para ser o xerife nacional das eleições de outubro e, bem ao seu estilo objetivo, manda dizer que a Justiça Eleitoral estará de olho nos candidatos. Nesta entrevista a VEJA, ele assegura: "O sentimento de impunidade está excomungado. Isso eu garanto".

Veja – Por que o Tribunal Superior Eleitoral radicalizou sua interpretação sobre a verticalização e, 48 horas depois, fez exatamente o contrário?
Mello – O problema é que nós partimos de uma premissa errada segundo a qual o Supremo Tribunal Federal, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade que tratava de mudanças das regras eleitorais, havia se pronunciado expressamente quanto à verticalização em todos os níveis. Isso não aconteceu. Fui às notas taquigráficas e constatei que eu dera uma interpretação errada à decisão. Houve falha. Eu, que fui o voto condutor do primeiro julgamento, dei a mão à palmatória.

Veja – Esse tipo de vai-e-vem, que provoca insegurança jurídica, não acaba desmoralizando a Justiça?
Mello – Não somos infalíveis. Enquanto a Justiça for obra do homem, ela será passível de falha. É preciso que o leigo entenda isso. Não somos máquinas, não somos computadores, não lidamos com ciência exata. Interpretei de maneira equivocada uma decisão que ainda não foi publicada no Supremo. Permanecer no erro é que seria terrível. Não voltar atrás em uma decisão seria descumprir um dever inerente à magistratura. Isso é honestidade de propósito.

[Eu hein, cara... Largue seus jargões ao menos para falar com o povo!]

Veja – O TSE chegou a ser acusado de pavimentar o caminho para a reeleição do presidente Lula...
Mello – Fui procurado por políticos que argumentaram que a decisão do TSE resultaria numa vitória eleitoral fácil para o atual presidente da República. Compararam a um rolo compressor, mas não se trata de um argumento jurídico. No meu caso, portanto, isso não pesa na hora de decidir.

Veja – O que mais preocupa nas eleições deste ano?
Mello – A preservação de um campo que viabilize uma disputa em igualdade de condições entre todos os candidatos, embora seja difícil imaginar esse cenário com um candidato à reeleição permanecendo na cadeira da Presidência. Isso é uma vantagem incrível. Se é difícil você desafiar alguém que já mostrou seu trabalho, imagine alguém que continua na cadeira. Vai gerar uma disputa bastante acirrada, com a tendência de que os candidatos acabem exorbitando e praticando atos não contemplados na lei. A fronteira entre o que é institucional e o que é eleitoral, por exemplo, é muito tênue. Há uma mescla entre a atuação do governante e sua candidatura.

Veja – É a segunda vez que o país está enfrentando uma reeleição presidencial. A situação agora está mais complicada do que foi em 1998?
Mello – Provavelmente sim. Já registramos extravasamento no campo da propaganda eleitoral, o que não aconteceu no passado. O presidente da República foi até multado em processo do qual fui relator. O presidente da República conta com uma maior valia na disputa, e isso deve se restringir ao cumprimento do mandato. O afã de conseguir êxito em outubro próximo pode levar alguns a tentar colocar em segundo plano as regras do pleito.

Veja – A reeleição é ruim para o Brasil?
Mello – A questão não está no objeto, está no meio que se aciona para chegar a essa reeleição. Eu diria que a reeleição não faz parte da nossa tradição. Os candidatos não têm freios inibitórios mais rígidos e, muitas vezes, usam descaradamente a máquina pública em benefício próprio.

Veja – O presidente Lula está usando a máquina?
Melo – A situação é ambígua, pois não se sabe claramente o que pode e o que não pode ser feito. É por isso, aliás, que temos o Judiciário. Se fosse algo matemático, o computador resolveria o problema. Por outro lado, eu mesmo sou relator de inúmeros processos em que o Executivo está tendo a cautela de consultar o tribunal antes de fazer publicidade institucional. Isso evidencia que já está havendo uma preocupação, o que é bom. Temos de começar realmente a mostrar que é preciso haver uma fidelidade maior ao que está na legislação. A ilegalidade não pode prevalecer. A Justiça Eleitoral estará atenta. É importantíssimo que candidatos à reeleição também estejam atentos para depois não se mostrarem surpresos.

Veja – Ao tomar posse na presidência do TSE, o senhor fez um discurso deplorando o cinismo das autoridades, as mentiras deslavadas, as explicações grosseiras e concluindo que somos o país do faz-de-conta.
Mello – Os últimos acontecimentos políticos revelam essa desfaçatez. Os escândalos estão nas manchetes e algumas autoridades preferem fazer de conta que eles não existiram. Outras fazem de conta que não sabiam de nada, esperando que o eleitor também faça de conta que não entendeu o que está acontecendo. Aliás, o cidadão comum tem uma responsabilidade muito grande nesse mundo de enganação. Só ele pode dar um basta a isso. Os eleitores são convocados e não devem permitir que a apatia prevaleça. É hora de acordar. É hora de perceber que temos uma responsabilidade maior com o Brasil de amanhã.

Veja – O presidente Lula e outros petistas fizeram de conta que nem houve mensalão. O senhor está dizendo então que reeleger Lula seria um equívoco?
Mello – Respeito a opinião do eleitor. O que eu quis dizer é que, de uma forma geral, na hora de escolher, o eleitor deve indagar quanto ao perfil do candidato, seja a deputado, senador, governador ou presidente. O meu discurso é impessoal. Agora, se a carapuça serve na cabeça de alguém, não tenho culpa.

[HAHAHAHA]

CONTINUA LOGO ABAIXO...

Escrito por wormsaiboty às 01:19
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Veja – O mensalão existiu?
Mello – Não quero falar disso, pois, como ministro do Supremo Tribunal Federal, terei de julgar esse assunto. Mas posso dizer simplesmente que, com 59 anos de idade, não acredito mais em Papai Noel...

[MAIS RISOS]

Veja – O Supremo Tribunal Federal, ao impedir depoimentos nas CPIs, autorizar testemunhas a ficar caladas ou proteger o sigilo bancário de suspeitos, não deu uma contribuição decisiva para a criação desse ambiente de faz-de-conta?
Mello – O problema é que a corte caiu quase numa automaticidade, como se jurisdição fosse bateção de carimbo. Não é. Não podemos generalizar as definições. No caso do mandado de segurança do ex-ministro José Dirceu, por exemplo, o tribunal deu uma decisão preventiva, que obviamente interferia no processo do Legislativo. Fui contra, mas fiquei sozinho. Os argumentos do ex-ministro eram que o relatório da CPI não podia conter nem isso nem aquilo. Ora, o correto seria esperar o relatório e, depois, o prejudicado procuraria o Judiciário, se houvesse a lesão. Não podemos presumir a lesão tendo em conta a atividade de outro poder.

Veja – O Judiciário então errou?
Mello – O fato é que o Judiciário está ficando mais sensível depois de todos esses escândalos. Recentemente, indeferi o habeas corpus impetrado por Silvio Pereira e por Delúbio Soares. Houve também o indeferimento de um mandado de segurança em favor do deputado José Janene. Fica evidente que há uma mudança de enfoque. A interpretação da lei é um ato de vontade e pode atender aos interesses coletivos primários, das pessoas em geral, ou não atender.

Veja – A mudança do STF tem relação com a saída de Nelson Jobim, que trocou a magistratura pela política?
Mello – A ministra Ellen Gracie sabidamente busca uma austeridade maior e o implemento da liturgia que é inerente ao Judiciário.

Veja – O ex-ministro Nelson Jobim não tinha a mesma preocupação?
Mello – O ministro Nelson Jobim era um homem mais solto. A saída dele para a advocacia ou para a política, quem sabe, mostra que seu objetivo maior não era atuar como juiz. Eu, por exemplo, não consigo me ver saindo do tribunal para exercer outra atividade. A missão de julgar deve ser de pessoas vocacionadas para ela.

[Ele usa muitos eufemismos, mas até que fere fundo!]

Veja – O TSE está preocupado com um crescimento vertiginoso do voto nulo?
Mello – Temos percebido o aparecimento de defensores do voto nulo nas camadas mais esclarecidas da população. Isso é preocupante. É um movimento que vem tomando corpo. Quando formadores de opinião desistem, a coisa fica muito ruim. Vamos atuar numa conscientização do eleitor para o significado da ida às urnas, o exercício da cidadania na plenitude maior daqueles que merecerão o voto. Ele é partícipe da grande obra que precisa ser implementada.

Veja – Mas o voto nulo não é um direito do eleitor?
Mello – Quando a Constituição estabelece o voto obrigatório, ela determina a necessidade de o eleitor se manifestar, e se manifestar de forma concreta. Ao votar nulo, ele não se manifesta, simplesmente lava as mãos, como se dissesse "Eu não tenho nada a ver com isso que aí está". Tem, sim, porque ele sofre as conseqüências de uma escolha errada. Devemos proceder à melhor escolha possível. Até mesmo colocando em plano secundário o fator ideológico. A impunidade, ao meu ver, não pode vingar. Se houver a fuga generalizada, nós correremos o risco de aqueles que têm votos de cabresto serem os vitoriosos.

Veja – Um dos ingredientes do escândalo que engolfou o governo e o PT é o chamado caixa dois eleitoral. É grande o risco de que o mesmo crime volte a acontecer nestas eleições?
Mello – A nova legislação, que proíbe brindes, camisetas e showmícios, vai baratear as campanhas. Não temos obviamente como fiscalizar o financiamento em sua integralidade. Afinal, onde o homem põe a mão, o desvirtuamento é possível. Mas a lei agora é rigorosa e, flagrada a ilicitude, o candidato não será diplomado. Os gastos de campanha serão fiscalizados com o acompanhamento da conta que será aberta para esse fim.

Veja – Leis que proíbem o caixa dois sempre existiram e nunca resolveram o problema.
Mello – Nas eleições passadas, a lei estabelecia um prazo de apenas dez dias a partir da diplomação para a impugnação do mandato. O candidato ia responder ao processo em pleno exercício da função. Havia uma cicatrização do mal pela passagem do tempo. O partido ou a coligação apenas indicava o que imaginava gastar e aí, quando havia o extravasamento, isso gerava somente multa sobre o excesso. Hoje, a lei ficou mais rigorosa. Só se pode gastar numerário que tenha sido depositado previamente naquela conta que é aberta antes da campanha. Isso vai tornar as finanças muito mais transparentes para o eleitor e para a Justiça Eleitoral.

Veja – Apesar desse aprimoramento da legislação, o que impede a repetição de irregularidades como a do publicitário Duda Mendonça, que recebeu dinheiro de caixa dois em contas secretas no exterior?
Mello – Em primeiro lugar, as pessoas estão hoje muito mais bem avisadas do que estiveram ontem. Ou seja: os partidos opositores ou os da situação que estejam caminhando no sentido do êxito na reeleição estarão atentos. Hoje, ao meu ver, não se consegue mais esconder as coisas. A lei agora prevê a não-diplomação ou a cassação do diploma para quem cometer ilícitos na arrecadação de fundos e nos gastos. Será que os políticos se sentirão seguros para continuar usando caixa dois? A pena é muito rigorosa, e não pensem que a Justiça vai tergiversar. Não vai. A Justiça está atenta ao momento nacional, que é o de purificação das condutas dos homens públicos.

Veja – O senhor acredita então que no campo ético estas eleições serão realmente diferentes?
Mello – As eleições serão muito acirradas, e muito problemáticas por causa do instrumento da reeleição. Mas uma coisa eu garanto: não ocorrerá perplexidade quanto à atuação do Judiciário. O risco de quem comete ilicitudes ser flagrado é muito grande. Acredito que já não se podem mais esconder, escamotear desvios de conduta. Eles afloram: os cidadãos, a imprensa, o Ministério Público estão muito atentos. É preciso que os candidatos estejam mais espertos do que estiveram nas últimas eleições. O sentimento de impunidade está excomungado. Isso eu garanto. No que depender da Justiça Eleitoral, nós teremos uma eleição com tratamento igualitário aos candidatos e, quem sabe, dependendo muito dos eleitores, teremos também um outro Brasil que não este que estamos vivenciando.

[Em outras palavras: "Eu não voto em Lula"]

Veja – O senhor se mostra muito preocupado com a reeleição, mas o presidente Lula nem sabe ainda se será candidato, não é mesmo?
Mello – É verdade. Uma vez ele admitiu que estaria 365 dias em campanha, mas depois andou corrigindo, e hoje ainda não sabe se concorrerá ou não à reeleição. Quem sabe ele desista.

[À data da entrevista, soava como um desejo honesto, do fundo da alma]

Fonte: Revista VEJA

Escrito por wormsaiboty às 01:18
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ELEIÇÕES 06

FRASES & FRASES

"A direita brasileira não conseguiu em décadas o que um pequeno núcleo de dirigentes petistas conseguiu em poucos anos: desmoralizar a esquerda"
Frei Betto, ex-assessor e amigo do presidente Lula

"Argumentos para você votar no PT nas próximas eleições? Neste momento eu não saberia lhe dar argumentos"
Tarso Genro, presidente do PT, respondendo à pergunta de um jovem de 17 anos em sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo

Fonte: VEJA Essa - e não é de agora...

Escrito por wormsaiboty às 01:15
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ELEIÇÕES 06

Simplesmente cômico! Adorável. Não consigo imaginar Lula lendo esta tréplica sem um enorme desconforto.

(Vide post abaixo - próxima "urninha" - para entender)

...

Fonte: Revista VEJA

Brasil

A Guerra nos Porões - Parte II

Ao atacar VEJA, Lula usou adjetivos que seriam mais indicados para qualificar o seu governo

Na semana passada, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, desferiu contra VEJA o pior ataque já feito por uma autoridade pública a um órgão de imprensa desde a redemocratização do país. Ao comentar a reportagem da revista sobre o arsenal de informações contra o governo estocado pelo banqueiro Daniel Dantas, Lula atacou o mensageiro e não a mensagem. O presidente disse que: 1) VEJA atingira "o limite da podridão"; 2) o autor do texto era "bandido, mau-caráter, malfeitor, mentiroso"; e 3) na redação da revista não havia ninguém com "10% da dignidade" dele próprio – como se dignidade pudesse ser medida em porcentagem, assim como as propinas dos petistas. Em seguida, Lula afirmou que não havia lido a reportagem contra a qual vociferara. Típico. [risos múltiplos - O que este homem lê, afinal?! "Mino Carta", diria Mainardi]

Desde 2005, quando VEJA revelou o escândalo da corrupção nos Correios, Lula, seus ministros e aliados se esforçam para negar todas as revelações feitas pela revista. Foi assim com o valerioduto, a empresa de Lulinha, os sacadores do mensalão, os dólares de Cuba, a quebra do sigilo do caseiro, e por aí vai. Nestas páginas, VEJA apresenta uma lista dos principais escândalos da era Lula – escândalos que só vieram à tona graças ao trabalho da imprensa. Chama atenção o fato de que, quando eles eclodiram, o presidente jamais utilizou contra seus protagonistas – estes, sim, malfeitores – os termos empregados em relação à reportagem exemplar de VEJA. Mas os fatos estão aí, ainda que Lula tente ignorá-los. Se ele quiser estender-se sobre "banditismo" e "podridão", é preciso que olhe para seu próprio governo [pensei que iam dizer "traseiro"!].

CORRUPÇÃO NOS CORREIOS

O banditismo: em maio de 2005, VEJA publicou reportagem sobre Maurício Marinho, um funcionário dos Correios flagrado em vídeo embolsando propina de 3 000 reais. A revista informou que Marinho fazia parte de uma rede de corrupção que arrecadava recursos para o PTB, de Roberto Jefferson, com o aval do PT. Outros órgãos federais, como o IRB, também estavam no esquema.

A podridão: o ex-ministro José Dirceu classificou a reportagem como "golpismo das elites", afirmou que o governo Lula "não rouba nem deixa roubar" e garantiu que a corrupção nos Correios era "um caso isolado". O PT tentou impedir o Congresso de investigar o caso.

O desfecho: funcionários das empresas confirmaram as denúncias. Todos os diretores dos Correios e do IRB foram afastados.

VALERIODUTO

O banditismo: em junho de 2005, VEJA informou que Marcos Valério havia montado um grande esquema de lavagem de dinheiro a pedido do PT. Segundo a reportagem, Valério distribuía dinheiro a políticos de vários partidos para garantir apoio a Lula no Congresso. No mês seguinte, a revista mostrou que Valério e os petistas José Genoino e Delúbio Soares haviam firmado contratos milionários de empréstimos nos bancos Rural e BMG.

A podridão: antes de VEJA publicar cópias de contratos assinados por Valério, Genoino e Delúbio, os três refutaram as afirmações da revista. Valério afirmou que todas as acusações eram mentirosas. Delúbio garantiu que nunca havia transgredido os "limites da ética política". Genoino disse "nunca ter assinado" nenhum empréstimo.

O desfecho: a análise da contabilidade de Valério comprovou todas as denúncias e revelou a existência do mensalão, esquema descrito por Roberto Jefferson em entrevista à Folha de S.Paulo.

SEGUE ABAIXO...

Escrito por wormsaiboty às 01:12
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LULINHA E A GAMECORP

O banditismo: Fábio Luís da Silva, filho do presidente Lula, montou uma empresa no segundo ano do governo do pai, a Gamecorp. Logo em seguida, ficou sócio da gigante Telemar e levou 5 milhões de reais no negócio. A operação não foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários, como determina a lei. A história foi revelada na edição de VEJA de 13 de julho de 2005.

A podridão: o presidente Lula se recusou a investigar o caso. Em um discurso indignado, disse ser alvo de um "golpe baixo" da imprensa destinado a "invadir sua vida privada".

O desfecho: a reportagem de VEJA foi inteiramente confirmada, mas o governo não tomou nenhuma providência sobre o caso.

DINHEIRO NA CUECA

O banditismo: em julho de 2005, José Adalberto Vieira da Silva foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com 100 000 dólares e 200 000 reais escondidos na cueca. Ele era assessor do deputado cearense José Nobre Guimarães, irmão de José Genoino, ex-presidente do PT.

A podridão: Adalberto tentou dizer que o dinheiro havia sido obtido com a venda de "legumes e verduras". Genoino não se manifestou sobre o caso. Guimarães foi poupado de dar explicações. Sua única punição foi ser expulso da executiva do partido no Ceará.

O desfecho: apesar de ter sido apanhado em flagrante, José Adalberto teve a prisão relaxada logo em seguida. Ninguém foi preso nem punido pelo episódio.

CASO BOB MARQUES

O banditismo: em 3 de agosto de 2005, VEJA trazia uma informação que afetava diretamente o ex-ministro José Dirceu. A CPI dos Correios havia encontrado uma autorização de saque no valerioduto no valor de 50 000 reais em nome de Roberto Marques, conhecido como Bob, secretário particular de Dirceu.

A podridão: José Dirceu disse que quem aparecia na lista era um homônimo do seu secretário. O ex-ministro se esforçou para esconder o nome de Bob Marques porque sabia que a autorização de saque em nome de seu assessor era a prova cabal de sua ligação com o dinheiro sujo do valerioduto.

O desfecho: apesar de tentar ocultar suas relações com Marcos Valério, Dirceu foi cassado pela Câmara em novembro do ano passado e não poderá se candidatar a nenhum cargo público até 2015.

PALOCCI E OS LOBISTAS

O banditismo: no fim de agosto, a revista informou que Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, mantinha perigosas relações com um grupo de lobistas. Na semana seguinte, revelou que eles se encontravam em uma luxuosa mansão no Lago Sul de Brasília.

A podridão: Antonio Palocci convocou uma entrevista coletiva naquele fim de semana para refutar todas as afirmações da revista. Também disse que não se encontrava com os lobistas e que, se tivesse ido à tal casa, deixaria seu cargo no governo.

O desfecho: Palocci foi desmentido por Rogério Buratti, seu ex-assessor, e por Francenildo Costa, o caseiro da mansão. [e deixou o cargo]

OS DÓLARES CUBANOS

O banditismo: Vladimir Poleto, ex-assessor de Palocci, transportou dólares vindos de Cuba em um jatinho particular no ano de 2002. Poleto levou o dinheiro de Brasília para um escritório do PT em São Paulo. VEJA revelou os bastidores do transporte de dinheiro em novembro de 2005.

A podridão: o PT pressionou Poleto a desmentir o conteúdo da reportagem durante seu depoimento à CPI dos Bingos. Ele negou ter dado as informações a VEJA e alegou até que, se havia dito alguma coisa, era porque estava alcoolizado.

O desfecho: Poleto saiu da CPI desmoralizado, pois sua entrevista havia sido gravada. E ele estava sóbrio.

MARKETING BANDIDO

O banditismo: em janeiro deste ano, VEJA revelou que Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, que já havia admitido ter recebido dinheiro do caixa dois petista nas Bahamas, também tinha outra conta secreta em Miami e estava envolvido com remessas ilegais de dinheiro para o exterior, desvio de verbas de órgãos públicos, sonegação de impostos e crimes eleitorais.

A podridão: Duda atacou duramente a revista em notas publicadas nos maiores jornais do país. Lula, apesar das revelações, permitiu que Duda continuasse sendo o titular da milionária conta publicitária da Petrobras.

O desfecho: as outras contas de Duda no exterior vieram à tona e ele foi citado pela Procuradoria-Geral da República como um dos quarenta membros da "organização criminosa" petista.

O SIGILO DO CASEIRO

O banditismo: em abril, VEJA publicou reportagem em que revelava que o ministro Antonio Palocci havia sido o mandante da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

A podridão: o governo tentou montar uma farsa para preservar a imagem de Palocci diante da opinião pública. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ajudou na tentativa de criar uma versão que eximisse Palocci de responsabilidade.

O desfecho: o ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso confessou ter recebido ordem de Palocci para quebrar o sigilo do caseiro. O ministro foi demitido.

Escrito por wormsaiboty às 01:12
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ELEIÇÕES 06

O artigo abaixo é uma denúncia explosiva de Dantas contra o governo do PT. No post acima, a tréplica da Revista VEJA, na edição da semana seguinte, após crítica infundada de Lula ao semanário e à imprensa em geral (sempre, para ele, "um bando de golpistas".

...

Fonte: Revista VEJA

Brasil

A guerra nos porões

O banqueiro Daniel Dantas tem uma lista com contas em paraísos fiscais que seriam do presidente Lula e do resto da cúpula do PT

Por Marcio Aith [excelente jornalista] e Fábio Portela

O banqueiro Daniel Dantas está prestes a abrir um capítulo explosivo na investigação sobre os métodos da "organização criminosa" que se instalou no governo e o estrago causado por ela ao país. Seu nome voltou ao foco na quarta-feira passada, durante o depoimento de Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, à CPI dos Bingos. Na sessão, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) revelou o teor de um documento no qual o banco Opportunity, controlado por Dantas, diz ter sofrido perseguição do governo Lula por rejeitar pedidos de propina de "dezenas de milhões de dólares" feitos por petistas em 2002 e 2003. A carta, escrita por advogados de Dantas e entregue à Justiça de Nova York, onde o banqueiro é processado pelo Citigroup por fraude e negligência, é só o começo de uma novela que, a julgar pela biografia de Dantas, não se resume a uma simples tentativa frustrada de achaque.

Para defender-se das pressões que garante ter sofrido do PT nos últimos três anos e meio, Dantas acumulou toda sorte de informações que pôde coletar sobre seus algozes. A mais explosiva é uma relação de cardeais petistas que manteriam dinheiro escondido em paraísos fiscais. Entre eles estão o presidente Lula, os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Secom), o atual titular da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e o senador Romeu Tuma (PFL-SP). A lista é fruto de um trabalho de investigação feito pelo americano Frank Holder, ex-diretor da agência internacional de espionagem Kroll. Ela apresenta uma série de números de contas, seus titulares, os nomes dos bancos e os saldos referentes ao primeiro trimestre de 2004. Holder disse ter comprovado a existência das contas por meio de depósitos. Além disso, Dantas compilou metodicamente não só os pedidos de propina como também as contratações e os pagamentos efetivamente feitos para tentar aplacar as investidas do atual governo sobre seus interesses. Se pelo menos uma parte desse material for verdadeira, o governo Lula estará a caminho da desintegração. Isso, é claro, se o Brasil ainda mantiver as aspirações a se tornar um país sério. Se o material for fruto de falsificação, Dantas vai afundar-se ainda mais na confusão policial na qual se meteu desde que contratou a Kroll para montar dossiês de seus adversários dentro do governo. Em entrevista ao colunista Diogo Mainardi, o banqueiro dá uma idéia do que tem em mãos. Seu arsenal é maior.

VEJA teve acesso à lista das supostas contas dos petistas em setembro de 2005, com o conhecimento de Dantas. De posse dela, a revista deu início a um exaustivo trabalho de apuração. A reportagem encontrou-se com Frank Holder uma vez em Zurique, na Suíça, e outras duas vezes em Buenos Aires. Holder tem uma longa história no mundo da investigação. Oficial de inteligência da Força Aérea dos Estados Unidos, ele transferiu-se para a seção de assuntos latino-americanos da CIA no começo dos anos 90. Nessa condição serviu na Embaixada dos EUA em Buenos Aires até desligar-se, em meados dos anos 90, para fundar a empresa Holder Associates, adquirida em 1998 pela Kroll, da qual se tornou diretor. Em 2003 e 2004, como dirigente da Kroll, supervisionou o trabalho feito para a Brasil Telecom. Foi nesse período que conheceu Dantas e saiu-se com a lista das supostas contas dos petistas em paraísos fiscais.

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Escrito por wormsaiboty às 01:06
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A LISTA COM AS SUPOSTAS CONTAS SECRETAS
Na lista produzida por Holder e Manzano, para uso de Daniel Dantas, o presidente e outras autoridades aparecem como detentores de dinheiro em paraísos fiscais. VEJA usou de todos os seus meios para comprovar a veracidade dos dados. Não foi possível chegar a nenhuma conclusão – positiva ou negativa

Inicialmente, Holder explicou a VEJA que a lista fora obtida pela Kroll no curso da investigação de outro escândalo: o da quebra, no Brasil e na Itália, da companhia de laticínios Parmalat. Segundo ele, foram recuperados, nessa investigação, documentos que comprovariam detalhes do pagamento de propina da Parmalat a autoridades dos dois países. Desdobrados, esses dados teriam, por tabela, batido na rede de corrupção pessoal do governo do PT. Em dois encontros com a reportagem de VEJA, autoridades judiciais em Milão, encarregadas do caso Parmalat, afirmaram desconhecer essa conexão. Confrontado com a negativa italiana, Holder então mudou sua versão. Passou a dizer que as contas foram rastreadas por hackers pagos pelo ex-ministro argentino José Luis Manzano, símbolo da corrupção do governo Carlos Menem. Hoje dono do terceiro maior grupo de comunicações da Argentina, Manzano é freqüentemente acusado, em seu país, de manter uma equipe de investigadores privados para chantagear inimigos. Em conversa com VEJA, em Buenos Aires, Manzano confirmou ter entregue "algumas contas de brasileiros" a Holder, como um favor pessoal, e autorizou seus funcionários a fornecer novos papéis que comprovariam como as contas dos petistas foram hackeadas. Nesses papéis, os saldos eram bem maiores do que os que constavam na lista original e um novo nome surgiu: o de Duda Mendonça

Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano. Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados verídicos. Diante de tal indefinição, e tendo em vista que o nome de Dantas voltou a aparecer na CPI, VEJA decidiu quebrar o acordo feito com o banqueiro do Opportunity e Manzano. O compromisso inicial era preservar o nome de ambos, caso se pudesse comprovar a veracidade das contas. Nada mais justo: a revelação seria um serviço prestado ao Brasil, uma vez que levaria grandes nomes da República a ter de explicar a origem do dinheiro depositado no exterior. Revelar agora que Dantas – e, por tabela, Manzano – está por trás de uma lista em que o presidente Lula aparece como dono de uma conta num paraíso fiscal viabilizará, acredita VEJA, que investigações oficiais sejam abertas. Ao mesmo tempo, isso impedirá que o banqueiro do Opportunity venha a utilizar os dados como instrumento de chantagem em que o maior prejudicado, ao final, seriam o país e suas instituições. No quadro da página ao lado, o elenco das contas foi reproduzido, com os números e nomes dos bancos propositalmente apagados. A revista só os cederá mediante requisição legal.

Dantas alega estar apenas defendendo-se de pressões e achaques dos petistas que queriam tirá-lo do comando da Brasil Telecom. Ainda que existam fortes evidências nesse sentido, o banqueiro não cabe na fantasia de vítima. Principalmente quando se sabe que usou dinheiro para acercar-se de pessoas próximas do presidente Lula e de José Dirceu. Dantas tentou seduzir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seus sócios da Gamecorp. Antes de o grupo ser vendido à Telemar, o banqueiro pagava a Lulinha e sua trupe 100 000 reais mensais, para que fornecessem conteúdo para o portal de internet da Brasil Telecom. Por último, ofereceu uma bolada para tornar-se sócio da Gamecorp. No fim, game over para Dantas: Lulinha preferiu os agrados da rival Telemar. Dantas deu também 1 milhão de reais ao advogado Roberto Teixeira, padrinho de um dos filhos de Lula. Até hoje, ninguém explicou o que o compadre fez para merecer tanto dinheiro. Teixeira se limita a dizer que foi em troca de um serviço "sigiloso". O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, também mereceu atenção especial. Amicíssimo do deputado cassado por corrupção José Dirceu, ele foi contratado por Dantas a peso de ouro. Levou 8 milhões de reais para "assessorar" o banqueiro. Com isso, Dirceu, que foi ministro-chefe da Casa Civil de Lula, tornou-se mais sensível aos pleitos do Opportunity. Tem mais. Dantas deu a Marcos Valério as contas publicitárias da Telemig Celular e da Amazônia Celular, num total de 130 milhões de reais. Além de fazer anúncios para Dantas, o carequinha levava ao banqueiro as propostas não republicanas de Delúbio Soares. Em 2004, o banqueiro colocou na sua folha de pagamentos a agência Matisse, de propriedade de Paulo de Tarso Santos, petista histórico e marqueteiro das campanhas de Lula em 1989 e 1994. A Matisse foi contratada para "reposicionar" a marca da Brasil Telecom. Mas o que fez mesmo foi ajudar a "reposicionar" Dantas frente ao governo petista.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 01:04
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Dantas é assim: rápido e precavido. Tão precavido que começou a reunir seu arsenal anti-PT ainda em novembro de 2002, logo após a vitória de Lula no segundo turno das eleições. Dantas foi, então, procurado pelo megainvestidor Naji Nahas. Dele recebeu um alerta: uma vez no poder, o PT romperia o acordo de acionistas que permitia a Dantas gerir a empresa de telefonia Brasil Telecom com dinheiro de fundos de pensão de estatais. Nahas também contou que o próprio Lula decidira tirar o Opportunity do comando da Brasil Telecom e entregá-lo à Telemar, de Carlos Jereissati. O investidor relatou pormenores de uma reunião do conselho da Telemar na qual se discutiram detalhes de um acordo firmado entre Jereissati e a cúpula do Partido dos Trabalhadores. Na ocasião também teria sido negociado um esquema de nomeações e ajuda financeira a campanhas eleitorais. Munido dessas informações, Dantas as resumiu num texto, que mandou criptografar. A versão codificada foi publicada na edição de 22 de outubro de 2002 do jornal Estado de Minas. Há dúvidas sobre a relevância do papel, mas Dantas anda com uma cópia dele no bolso. Cabe agora ao próprio banqueiro quebrar o seu "Código Da Vinci" pessoal.

UMA MALA SEM FUNDO
Segundo ofício que os advogados de Dantas mandaram à Justiça de Nova York, o PT pressionou o Citigroup a romper acordo com o banqueiro e tentou extorquir o Opportunity em "dezenas de milhões de dólares"

"(...) O ministro Dirceu e outros indivíduos em altos cargos no governo (...) são as mesmas autoridades que se reuniram com o Citibank e pressionaram o banco (...) para atacar o Opportunity e o senhor Dantas. De fato, como fica claro e evidente pelas próprias palavras do Citibank constantes na prova E da declaração de Verônica Dantas, 'o governo do Brasil – Lula, Palocci e Dirceu – odiava Dantas'. Esse ódio se relacionava à recusa do Opportunity, a partir de 2002 e 2003, de aceitar a sugestão do PT para pagar dezenas de milhões de dólares ao partido para evitar novos assédios ao Opportunity e ao Fundo CVC"

No ano passado, Dantas foi defenestrado do comando da Brasil Telecom pelo Citigroup, que agora o acusa na Justiça americana por fraude e negligência. Ele diz ser vítima de uma conspiração entre o governo petista, que o achacou, e o banco americano, que o perseguiria a pedido do próprio presidente Lula. Foi essa briga judicial que produziu o documento lido pelo senador Arthur Virgílio na CPI dos Bingos. Outros milhares de e-mails e documentos serão divulgados em breve. Vários deles relatam encontros entre o presidente Lula e a direção do Citigroup. Outros detalham pedidos de propina feitos pelo PT a Dantas. Se quiser realmente esclarecer os fatos, o dono do Opportunity poderia contar publicamente o que pagou e o que deixou de pagar aos petistas.

Uma dica: ele poderia revelar, por exemplo, quantos encontros teve com o ex-presidente do Banco Popular, Ivan Guimarães, e o que foi discutido em cada um deles. Já se sabia que Guimarães operou como uma espécie de genérico de Delúbio durante a campanha presidencial de 2002. O que não se sabia, e Dantas certamente pode comprovar, é que Ivan continuou operando na clandestinidade em 2003 e em 2004, já no governo, achacando empresas e empresários. Ivan procurou Dantas em setembro de 2004. Queria falar sobre a investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o Opportunity. Dias depois, a comissão julgaria um processo contra o banco, acusado de burlar regras do Banco Central ao admitir brasileiros num fundo de investimento das Ilhas Cayman. O Opportunity poderia ser inabilitado pela CVM, mas acabou recebendo uma pena leve. Esse Ivan é mesmo terrível.

Outra dica: Dantas poderia contar às CPIs como Yon Moreira da Silva, ex-diretor de Negócios Corporativos da Brasil Telecom, lhe apresentou a idéia de comprar parte da Gamecorp, a empresa de Lulinha. Aliás, o próprio Yon pode colaborar com as investigações. Depois que as circunstâncias vergonhosas do caso Gamecorp foram denunciadas por VEJA, o ex-diretor da Brasil Telecom declarou que a Telemar fizera um bom negócio e pagara um preço justo para tornar-se sócia do filho do presidente. O que Yon não conta é que essa declaração lhe foi implorada pelo próprio Palácio do Planalto – mais especificamente pelo então ministro Jaques Wagner, que, falando em nome do presidente Lula, pediu a Dantas que o ajudasse a preservar o filho do presidente. Como se vê, o obscuro Dantas daria uma ótima contribuição ao país se saísse de uma vez das sombras. Coragem, Dantas!

Escrito por wormsaiboty às 01:02
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ELEIÇÕES 06

Há outros pontos de vista sobre o assunto. Não é uma opinião final, no entanto demonstra como às vezes a falta de informação num governo pode fazer com que atitudes estúpidas sejam tomadas em detrimento de outras mais sábias (até porque não estão em xeque os eventuais benefícios do software livre, mas os prejuízos causados pelo corte na verba das áreas responsáveis pelas mais recentes inovações no setor cibernético...

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Fonte: Revista VEJA de 17 de maio de 2006

Tecnologia

O grátis saiu mais caro

Ao insistir no software livre, o governo deixa de melhorar os serviços eletrônicos aos cidadãos e desperdiça dinheiro

Por Duda Teixeira

Um critério para avaliar a eficiência da administração pública é o uso da informática para reduzir a burocracia estatal e facilitar a vida do cidadão. Quatro anos atrás, o Brasil pertencia à elite mundial nesse quesito, à frente do Japão. Brasileiros eram convidados para descrever em congressos internacionais a experiência nacional com as compras públicas pela Internet, com a declaração on-line do imposto de renda e com o voto eletrônico. O governo Lula mudou radicalmente as prioridades nessa área. Em lugar de ampliar as experiências bem-sucedidas, passou a priorizar a implantação do software livre na administração federal. O resultado: o Brasil caiu dezenove posições no ranking das Nações Unidas que avalia o uso da informática pelos governos, ficando atrás do Chile e do México [os "mais estadunidenses" da América Latina. Curioso, não?].

A oposição aos programas comerciais – leia-se aí a Microsoft, fabricante do sistema operacional Windows e a maior empresa mundial de software – é uma bandeira do PT. A posição está baseada, em parte, na desconfiança ideológica que o partido nutre em relação às grandes corporações capitalistas. "Não podemos depender dos programas vendidos por uma ou outra empresa privada", explica Rogério Santanna, secretário do Comitê Executivo de Governo Eletrônico, subordinado ao Ministério do Planejamento. O software livre é um programa ou sistema operacional que pode ser modificado por qualquer um e, em princípio, pode ser obtido gratuitamente na grande rede. Em teoria, é uma boa idéia usar e não pagar. Na prática, talvez seja um problemão, sobretudo se o uso se transformar em obrigação. "Ao optar por um programa, é preciso pesar cuidadosamente os prós e os contras", diz Fernando Parra, presidente da DTS, empresa de São Paulo que desenvolve softwares e presta serviços de tecnologia. "Não se podem tomar, com base em motivos ideológicos, decisões que deveriam ser técnicas."

A migração para o software livre custou caro para os cofres públicos. O governo federal precisou contratar 2 mil técnicos em informática. Só os salários e os encargos trabalhistas desses programadores ultrapassam 56 milhões de reais por ano – o dobro do que o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, vinculado à Casa Civil, estima que o governo federal economizou com os programas que deixou de comprar em 2004. Nem sempre o software livre é pior que o comercial, mas sua adoção pelo governo brasileiro revelou-se ineficiente. Os técnicos do Serpro, empresa de processamento de dados subordinada ao Ministério da Fazenda, tentaram em vão substituir por software livre os programas que funcionavam com perfeição mas estavam sendo rejeitados apenas porque operavam em Windows, o sistema da Microsoft. Foram feitas versões em código aberto do programa de imposto de renda on-line e do portal de compras públicas ComprasNet. O resultado foi tão ruim que os dois programas continuam funcionando no sistema Windows. "A cruzada ideológica pelo software livre é apenas a ponta do iceberg", diz Florencia Ferrer, diretora-presidente da FF Pesquisa & Consultoria, de São Paulo, especializada em governo eletrônico. "O governo também foi incapaz de inovar na administração pública usando a tecnologia".

O governo do Paraná envia mensagens para o celular de desempregados informando sobre vagas disponíveis. Em São Paulo, já é possível preencher o boletim de ocorrência policial pela Internet e pedir segunda via do documento de identidade. O governo federal nem sequer conseguiu fazer o mesmo com a emissão de passaportes. Um dos principais atrasos refere-se à licitação on-line. O governo federal faz apenas 46% de suas compras públicas – de material de escritório a papel higiênico – pela internet, contra 80% do governo de São Paulo. Em uma licitação on-line, a União informa que bens deseja comprar, e fornecedores de todo o país e do exterior se engalfinham para ganhar a concorrência com o menor preço. O comprador sempre sai ganhando, porque o número de ofertas é muito maior, e a transparência no processo diminui os riscos de corrupção. Se o governo federal tivesse o mesmo padrão de compras on-line que o estado de São Paulo, teria economizado 3 bilhões de reais nos últimos três anos, segundo estudo da FF Pesquisa & Consultoria.

Algumas promessas de governo eletrônico foram cumpridas apenas parcialmente, como a de fazer com que as bases de dados dos diversos órgãos públicos conversem entre si. O governo tenta sem sucesso fazer o cruzamento de dados entre as secretarias de Segurança, da Receita Federal e dos tribunais eleitorais. Em lugar de investir para oferecer serviços aos cidadãos e melhorar a eficiência da máquina burocrática, o governo Lula usou as conquistas eletrônicas da administração anterior em sua desastrada campanha para se tornar líder sul-americano. A conseqüência dessa política foi um banho de água fria nas aspirações comerciais de muitas empresas sediadas no Brasil que desenvolvem software e urnas eletrônicas. A Unisys e a Diebold Procomp, fabricantes de urnas eletrônicas de São Paulo, tinham planos de exportar a tecnologia para os países vizinhos. Em vez de emprestar algumas poucas urnas para fazer propaganda, o governo Lula decidiu bancar as eleições alheias. Só para o Paraguai foram emprestadas 15.000 urnas para as eleições de 2005 e 2006. A empresa Vesta, de São Paulo, deixou de vender softwares de compras públicas on-line para a Bolívia porque Lula, em seu primeiro ano no poder, resolveu oferecer ao país, de graça, um programa com a mesma função. "O governo federal não só reinventou a roda com o software livre à custa do contribuinte, como prejudicou a competição no mercado de tecnologia", diz Paula Santos, sócia da Vesta. É a política do software livre contra o livre mercado.




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Já são famigeradas estas trapalhadas tragicômicas do PT. Para variar, vem aquela frasezinha que o homem de bem que paga impostos CANSA de ler: "E quem paga a conta somos nós..."

Escrito por wormsaiboty às 17:56
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ELEIÇÕES 06

Artigo Especial I

Os pólos e o meio

Lula é um equalizador. Passa a mão na classe média. Deixa todo mundo pobre. Só a elite se beneficia, daí a razão de os meios de comunicação de massa não o estarem bombardeando como deveriam. A classe média não é proprietária, apenas trabalha com um nível salarial mais elevado que o comum ou possui pequenos negócios. E o Brasil tem muitos "muito pobres", que sempre votarão para continuar usufruindo do assistencialismo babaca, a mesadinha do Estado, que vem do bolso de nós da classe média. Nós com computadores. Nós com Blogs ou que lemos os Blogs dos nossos amigos (ou colegas, ou nem isso, enfim!). Nós seremos mais pobres que os papais. E nossos filhos... Melhor pensarem nisso: será que devem nascer? - você que ainda está na idade de responder a essa pergunta, responda-a de um jeito inteligente, por favor. A saída é: eleger um partido de direita e neoliberal? Hoho. Se quiserem rotular o PSDB como tal, façam-no. Além do mais, defina-me "Neoliberal", quero ouvir sua resposta. A motivação para escolher o PSDB - a despeito de todas as suas falhas - não é essa. É porque é uma escola de políticos que ao menos têm noção do que é a máquina estatal (tantos anos no poder...). Têm um mínimo preparo. Não estão de piada. Lula parece a Seleção Brasileira de 2006: manga da cara de todos. Gera vãs expectativas. Gerava. Quem dele ainda espera algo de bom está perigando ver teias-de-aranha em si: há que mudar, meu amigo, pois você está ficando retrógrado!

Para os que pensam "Ah, Luiz Inépcio foi o único com carisma. Depois o PT acaba mesmo, então deixa passar esses 4 anos", quatro anos de governo podem significar 40 anos de atraso. 40 anos de vacas magras. Assim como existe "50 anos em 5" (e não, não sai de graça!), tem o inverso também. Tem o 4 anos em 40. E tem o pior: a involução de alguns anos em décadas que se passam. Estamos cada vez mais sendo o país do futuro. Daqui a pouco criarão uma nova palavra para "futuro bem distante". Utopia?! O país Thomas More! Antes podíamos divisar essa luz, só que o trem-bala segue avante e nós vamos, a pé, nessa caminhada fatigada, pensando que o alcançamos, enquanto o tal trem só aumenta a diferença...

[Essa analogia não é mero simbolismo: a taxa de crescimento brasileira é inferior à média mundial. Retroagimos, na medida em que nossa evolução é menor que a evolução do resto do globo...]

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen - Política

Escrito por wormsaiboty às 15:34
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ELEIÇÕES 06

Aquele que deixar de ler as matérias do Blog por considerar a fonte de algumas delas como sendo a Revista VEJA deve estar com medo de ser influenciado, manipulado eleitoreiramente. Ou é simplesmente dono de um preconceito besta. Mais tarde eu gastarei um post inteiro para trabalhar exclusivamente esta questão (Eleições, ideologia do semanário de maior circulação na América Latina, Editora Abril, classe média, anunciantes, anti-esquerdismo, etc.). Vejam, enquanto isso, mais um artigo DESTA REVISTA.

Comentário: Lula é uma vergonha. Não bastasse a corrupção (e ele é o Chefão, digo), somente o conteúdo da matéria abaixo é capaz de refutá-lo como ocupante de qualquer cargo público de mínima importância numa nação africana falida. Quem dira como homem público número 1 da República Federativa do Brasil! É brincadeira (não o que eu disse, mas um sujeito desses existir e ter intenções de voto de ALGUÉM!)...

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Um vexame histórico

Por Roberto Setton

O BRASIL FOI HUMILHADO
O jurista Olavo Baptista: Morales fez o jogo de Davi contra Golias

O jurista paulista Luiz Olavo Baptista tem uma função estratégica nas disputas econômicas internacionais. Há quatro anos, ele ocupa uma das sete cadeiras do órgão de apelação da Organização Mundial do Comércio, uma espécie de suprema corte global dos negócios. Baptista ficou indignado com a reação do governo Lula à invasão das refinarias da Petrobras promovida pelo governo boliviano. Nesta entrevista ao repórter Fábio Portela, ele diz que Lula submeteu o Brasil a um vexame histórico.

A BOLÍVIA DESRESPEITOU REGRAS DO DIREITO INTERNACIONAL AO TOMAR AS REFINARIAS DA PETROBRAS?
A principal regra do direito internacional é que os Estados devem se tratar com respeito. A Bolívia, ao contrário, humilhou o Brasil. O que o presidente Evo Morales fez é inaceitável sob qualquer ponto de vista. Estou inconformado com o episódio e tenho a impressão de que o Brasil inteiro também está. O pior é receber o desaforo, a humilhação, e ver que quem deveria falar por você não só deixa de reagir como diz que o outro está certo. É um vexame histórico.

COMO O GOVERNO DEVERIA TER DEFENDIDO OS INTERESSES BRASILEIROS?
Em primeiro lugar, era preciso deixar claro que o Brasil não aceita a forma como foi feita a tomada das refinarias, com tropas, invasões e aquela encenação toda. Morales poderia ter alcançado o mesmo resultado sem humilhar o Brasil. Por que agiu assim? Por uma razão política. Ele usou o Brasil para dizer ao povo boliviano: olha, eu sou o Davi e derrubo o Golias com uma pedrada só. Fez uma humilhação calculada. Portanto, a primeira coisa que deveria ter sido feita era exigir um pedido formal de desculpas, o que, aliás, também faz parte das negociações internacionais.

O QUE O BRASIL GANHARIA COM UM PEDIDO DESSES?
A posição brasileira nas negociações sairia fortalecida. Do jeito que a coisa vai, os bolivianos continuam falando grosso e fazendo ameaças mesmo depois de terem tomado os ativos da Petrobras. O Brasil ficou do jeito que está – de joelhos – porque não reclamou. Quem vai respeitar o Brasil depois disso?

E O QUE PODERIA SER FEITO PARA COMPENSAR O PREJUÍZO DAS EMPRESAS QUE PERDERAM SEUS ATIVOS?
Esse seria o segundo passo. Depois do pedido de desculpas, o governo deveria exigir que a Bolívia ressarcisse imediatamente os brasileiros. Também seria preciso montar equipes de advogados e levar o caso para a Corte Internacional de Haia. Isso não ocorreu. Outra opção seria oferecer proteção diplomática às empresas, dando uma garantia oficial aos investimentos brasileiros.

COMO FUNCIONA A PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA?
O mecanismo é assim: o governo entra com ações junto às cortes internacionais para obrigar a Bolívia a indenizar o Brasil pelos bens expropriados. No caso específico, os ativos da Petrobras. A Bolívia, então, teria de explicar por que se acha no direito de tomar os bens alheios. Só se poderia discutir o assunto da forma camarada como o Itamaraty está fazendo depois que essas providências fossem tomadas.

ENTÃO NÃO FOI UMA BOA ESTRATÉGIA ABRIR NEGOCIAÇÕES IMEDIATAMENTE?
Foi péssimo. E pior: as conversas nunca deveriam ter sido abertas pelos presidentes. Nenhuma negociação internacional deve começar pelos chefes de Estado, porque, em última instância, são eles que vão decidir. Quando os presidentes entram em campo, acaba a margem de manobra que os diplomatas têm para negociar. Por isso, qualquer amador sabe que assuntos dessa natureza e complexidade devem primeiro ser tratados em nível ministerial. Lula aceitou aquela reunião na Argentina, e o que aconteceu? Morales apareceu lá com Hugo Chávez a tiracolo, posando de organizador da reunião. Nessa hora, Chávez enterrou Lula definitivamente e acabou com qualquer pretensão do Brasil de ser uma liderança latino-americana.

O CHANCELER CELSO AMORIM GARANTE QUE A LIDERANÇA DE LULA NA AMÉRICA LATINA SEGUE FIRME.
O ministro Amorim sabe o tamanho do estrago e tenta remediá-lo. Ele declarou que Lula deu um pito em Chávez e em Morales nos bastidores. Se isso tivesse de fato ocorrido, não deveria se tornar público. Um diplomata experiente como Amorim não divulgaria essa informação. O que ele quer é preservar a imagem do presidente. Com essa intenção, acaba atuando como uma espécie de marqueteiro internacional de Lula. Dessa forma, ele está destruindo sua reputação e sua carreira.

ALÉM DA HUMILHAÇÃO, QUE OUTROS REFLEXOS A CRISE COM A BOLÍVIA PODE TRAZER?
Para os empresários nacionais, é uma tragédia. O governo sinalizou o seguinte: não invistam no exterior, porque eu não vou protegê-los. Para o resto do mundo, o recado é ainda pior: se o investimento é de brasileiro, pode passar a mão grande, porque o país não reage. Se o governo não faz nada pela Petrobras, da qual ele é dono [e é a maior empresa nacional], imagine por outras empresas brasileiras.

A FRANÇA E A ESPANHA TAMBÉM FORAM ATINGIDAS PELAS MEDIDAS DE MORALES. REAGIRAM COMO O BRASIL?
Não. Tomaram as providências cabíveis. Notificaram à Bolívia que querem ser indenizadas imediatamente, e seus advogados já trabalham para contestar judicialmente as expropriações.

O BRASIL PODERIA, ENTÃO, TER-SE RECUSADO A NEGOCIAR O REAJUSTE DO PREÇO DO GÁS BOLIVIANO?
Claro. O Brasil deveria exigir o cumprimento dos contratos já firmados. Eles prevêem o reajuste de preço a cada três meses, seguindo oscilações do petróleo. Também prevêem a possibilidade de alteração de suas cláusulas a cada cinco anos. Por causa disso, não se pode dizer que os contratos não sejam equilibrados. Não há por que rasgá-los de uma hora para a outra. Querem discutir o preço do gás? Tudo bem, mas é preciso levar em conta outros elementos. Inclusive o fato de que o Brasil pagou, durante anos, por um gás que não consumiu. A Petrobras poderia ser compensada por isso. Seria legal, legítimo e civilizado. Mais: se Morales quer mudar as regras, por que não vai a Brasília negociar? O governo Lula, ao contrário, despacha autoridades para discutir as regras em campo adversário.

O BRASIL E A BOLÍVIA INTEGRAM A COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE NAÇÕES. OS ATOS DE MORALES NÃO PODERIAM SER QUESTIONADOS NO ÂMBITO DESSA ASSOCIAÇÃO?
Nunca vi, na história recente, uma época em que o Brasil estivesse tão isolado na América Latina como agora. Veja: o país tentou emplacar o presidente da OMC e ficou sozinho. Tentou o presidente do Banco Mundial e também ficou sozinho. No Conselho de Segurança da ONU, além de estar sozinho, ainda enfrenta a oposição de países como a Argentina [e China]. Nessa crise com a Bolívia, nenhum outro país fez um gesto sequer de solidariedade.

A POLÍTICA EXTERNA DE LULA NAUFRAGOU?
Desde o barão do Rio Branco, a política externa brasileira sempre teve a mesma linha mestra. Neste governo, houve uma guinada política muito grande. Trocamos o pragmatismo pela ideologia, e a coisa saiu dos trilhos. Desde que o presidente Lula assumiu, o país perdeu respeito na América Latina.

Escrito por wormsaiboty às 15:18
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ELEIÇÕES 06

[Vide a partir do terceiro parágrafo como esse artigo pode ser usado na COBERTURA DAS ELEIÇÕES 2006: a eleição dos parlamentares, caro votante, é tão importante quanto a do Chefe de Estado ou governador. Olho vivo, informe-se o máximo possível. Caso não haja a possibilidade, não hesite em anular o voto para essas categorias mais numerosas, cheias de candidatos superficiais. Pessoas, sabemos, jamais são superficiais. O que varia é a exposição destas na mídia. Mas candidatos, ah, estes sim. Há superficiais de sobra. Nada acrescentarão à falida estrutura político-democrática brasileira. Olho vivo, reitero: você tem peso 1 nessa história. E daí? E daí que já é um peso...]

Fonte: Revista VEJA, uma das edições de maio

Ensaio - Roberto Pompeu de Toledo

A guerra perdida

"O caso das ambulâncias mostra que, ao fim de várias lutas, no Congresso, a corrupção garantiu sua vitória"

O escândalo das ambulâncias prova, para quem ainda tinha dúvidas, que sob as cúpulas generosas do Congresso Nacional se abriga uma das maiores concentrações de gente disposta a delinqüir no país. Cento e setenta parlamentares estariam envolvidos, segundo a ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, que, incriminada e presa, concordou em delatar os demais implicados para abrandar a própria pena [Lula, ao afirmar "300 picaretas", erra dentro da margem de erro]. Isso significa 33% da Câmara, ou 28% do Congresso como um todo. Raras corporações abrigariam em seus quadros semelhante fatia de foras-da-lei [Ali Babá?].

Ao escândalo das ambulâncias se soma o do mensalão, no qual, entre os quarenta denunciados pelo procurador-geral da República, treze são (ou eram) deputados. Acrescente-se no caso do mensalão que, por força do coleguismo entre os parlamentares, não foram identificados senão os distribuidores das propinas. Ficou de fora o bando, certamente bem mais numeroso, dos que estavam na ponta de chegada do produto distribuído. Descontem-se os casos de sobreposição entre um escândalo e outro – gente que estava tanto no mensalão quanto nas ambulâncias – e ainda assim a soma dos dois escândalos resultará num acréscimo do número de pessoas voltadas para a delinqüência. Não é absurdo supor, ainda mais que aos escândalos maiores se devem juntar os do varejo, como o "mensalinho" do deputado Severino Cavalcanti, que elas representem 40% da Câmara. Em outros países tal parcela faria desabar o Estado, mas ainda não chegamos ao pior. Teremos eleição neste ano. O leitor imagina que será eleito um corpo de deputados melhor do que o atual? Será, na melhor hipótese, igual. Eis o pior.

O sistema eleitoral brasileiro é feito sob medida para ladrões, candidatos a ladrão e mal-intencionados em geral. As eleições parlamentares são simultâneas às de presidente e governador. Começa aí uma laboriosa construção cujo objetivo não pode ser outro senão fazer com que o eleitor vote às cegas. Claro que a atenção esmagadora dos meios de divulgação, inclusive o horário obrigatório dos partidos, se deterá na disputa dos peixes gordos ­ Lula contra Alckmin ou outro qualquer, no plano nacional, e candidatos a governador em cada um dos estados. Isso não só ofusca como diminui a eleição parlamentar. O eleitor é induzido a crer que se trata de uma escolha menor.

A essa circunstância vem se somar o diabólico sistema proporcional brasileiro. Cada partido pode apresentar um número de candidatos a deputado até uma vez e meia maior do que o número de vagas em disputa. Isso significa que em São Paulo, que tem setenta cadeiras de deputado na Câmara Federal, cada partido pode apresentar 105 candidatos. Multiplicando-se esse número pelos cerca de trinta partidos que devem registrar candidatos, tem-se uma idéia de aonde se pode chegar. Nem todos os partidos possuem quadros suficientes para preencher sua lista de candidatos até o limite permitido ou têm interesse em fazê-lo. Mesmo assim, alcançam-se cifras espantosas. Apresentaram-se em São Paulo, em 2002, 724 candidatos a deputado federal e praticamente o dobro – 1444 – a deputado estadual. É de tontear o pobre do eleitor. Não há possibilidade de apresentação decente dos candidatos, muito menos condições para debates entre eles e para exposição de propostas. Já não bastasse a atenção do público estar voltada para a eleição de presidente e de governador, a arena lotada aponta para a certeza de que a votação será a mais desinformada e leviana possível.

Não é de estranhar que pesquisas em Pernambuco apontem Severino Cavalcanti como o preferido entre os candidatos a deputado federal. Se Paulo Maluf se candidatar em São Paulo, é aposta fácil que estará entre os mais votados. Maluf, hoje enredado em denúncias, ganhará então a proteção de um instituto que também tem papel crucial em fazer do Congresso o que é – a imunidade parlamentar. A imunidade foi criada, no mundo, para garantir aos parlamentares a liberdade de opinião. No Brasil protege até de processo por crime de morte. A turma das ambulâncias não será processada tão cedo. Tem a imunidade a garanti-la.

A experiência aconselha concluir não que se venceu mais uma batalha contra a corrupção, depois que vem à tona uma roubalheira como a das ambulâncias, logo em seguida à roubalheira do mensalão – mas, muito ao contrário, que se perdeu a guerra. Nestes últimos anos, a contar do impeachment de Collor, sucessivas vezes o país teve a sensação de que aplicava um golpe mortal na corrupção. A cada vez, reanimada por punições insignificantes quando havia punição, ela ressurgia mais vigorosa e audaz. O prognóstico mais realista é que, assim como o episódio de Collor, o dos anões do Orçamento e o do mensalão, também o das ambulâncias resultará em pouca coisa. Travou-se uma guerra em vários capítulos nos últimos anos no Brasil e, ao final, animada por satisfatórios cálculos de custo-benefício e garantida pelo sistema, a corrupção ganhou.

Escrito por wormsaiboty às 13:35
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ELEIÇÕES 06

Pessoal, agora é dedicação (quase) total (com interrupção para os reviews esporádicos de games e algum outro artigo interessante que não puder esperar): assim como cobrimos a Copa do Mundo por incessantes 79 dias, com todos os bastidores, todos os detalhes do espetáculo e tudo que envolvia a ressaca, claro que não podemos ignorar um acontecimento muito mais importante na medida em que até coisas maravilhosas como o Futebol estão completamente subjugadas, engolfadas, no poder da palavra Política. Com a intenção tão-somente de orientar os mais "baratas tontas" (uma raça prolífica por estes dias), conscientizo os eleitores sobre o engodo de "esquerda e direita brasileiras", o PTismo, os recentes escândalos, o perfil dos candidatos à (principalmente) Presidência (GDF também, para os habitantes do DF), a história que cerca o voto nulo e tantos outros aspectos. Na maioria das vezes estarei utilizando fontes externas mas sempre inserindo comentários precisos. Quem entendeu como "lavagem cerebral", paciência... Este é um Blog com liberdade de expressão, hoje não é 30 de de Setembro (por isso esse post não é caracterizado como boca-de-urna) e você tem o livre-arbítrio de entrar ou não aqui, ler ou não tudo (ou nada) que lhe convir. Mas esteja avisado: eu NÃO serei neutro, porque eu penso, tenho idéias, noção de mundo e sei minimamente as mudanças macroscópicas que precisam ser efetuadas neste país - e se você se orgulha de ser brasileiro prepare-se para ter seu grande orgulho vorazmente minado esta cobertura das Eleições '06 no X-TudoTudo adentro...

Escrito por wormsaiboty às 12:43
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GAMES

Super Nintendo

Breath of Fire II



FICHA TÉCNICA
Developer: Capcom
Publisher: Capcom
Estilo: Role Playing Game
Data de Lançamento: 12/95



NOTA
8.45

"No patamar de um clássico"

A seqüência para o surpreendente primeiro Breath of Fire é memorável.

ENREDO

Mais complexo que antes, cheio de reviravoltas e eventos paralelos. O final é muito bonito e emocionante, no entanto o leitor ficará sem saber nenhum detalhe para que essa sensação não seja friamente destruída. Fato a observar é que quem jogou BoF3 já sabe da zeração! Então, amigo, se ainda não o fez, experimente este em primeiro lugar...



GRÁFICOS

Os personagens e elementos na tela estão menores mas paradoxalmente mais detalhados. Foi uma boa escolha da Capcom, que rendeu inesperada evolução no quesito. Inesperada porque foram apenas 15 meses trabalhando no projeto. Nas batalhas isso é especialmente válido. As animações dos adversários continuam sublimes, assim como são estonteantes os efeitos usados nas convocações e magic spells, ainda mais apelões! Os chefões, então... estes não têm nada de "menor" comparados à versão anterior!



SOM

Diversas faixas para a exploração nas cidades, o modo de batalha e os labirintos. Desta vez com um pouco mais de variedade, especialmente nas lutas, agora com dois temas fantásticos. Abaixo da qualidade "squaresoftiana", é verdade, todavia num nível palatável.

SISTEMA DE JOGO

Os mecanismos de BoF, que já não decepcionavam, sofreram melhoras. Os controles e os menus, por exemplo, prosseguem inalterados. As mudanças começam no mapa, com novas funções, e no battle system, com o atributo "skills" no lugar das magias, além do tradicional leque de ações que inclui cura (necessita o item), desenredar-se do inimigo (fugir!), machucá-lo fisicamente (claro, com seu largo inventário de weapons), etc.

O mais excitante sobre BoF2 é a possibilidade de modificar a constituição dos personagens do elenco, fazendo-os adquirir novos poderes a cada vez que for jogar, ou ainda modificando por completo seu semblante. Há uma feiticeira que precisa de sua ajuda para cooperar com você depois. Ache suas filhas, que aliás são xamãs cada uma com uma vertente de poder, e, pela união dos poderes de todas, assista sua equipe saltar assustadoramente nas skills. Ryu é o único que, por mais que ganhe novas habilidades, jamais muda de aparência. Juntando todos os lutadores que o gamer tem à disposição, um por um dos poderes aprendidos e as maneiras de combiná-los nas batalhas tem-se à disposição nada menos que cerca de 150 formações.



Instigante também é a ferramenta para criação da própria cidade no que antes era o nada. Até o estilo arquitetônico é passível de escolha: que tal um centro urbano arábico ou outro que copie as casas do jogo? O que parece apenas uma convenção estética influi em fatores sócio-políticos, uma vez que o próprio método de governo da cidade e sua estruturação vão depender da temática selecionada. E, claro, os moderadores devem estar em conformidade com o contexto. Imagine viver numa cidade para a qual se tem vergonha de olhar!

A morte, sempre um problema nos RPGs, regressa o jogador ao último save point por ele encontrado e seu dinheiro é cortado pela metade, um pouco de exagero. Apenas um defeito que irrita aqueles que morrem muito, nada para se levar em consideração na hora de avaliar o sistema de jogo inteiro. Breath of Fire 2 é, afinal, mestre no estilo.



SUSTENTO

Os poucos segredos em BoF2 valem muito mais que RolePlays cheios de secrets baratos. A Capcom não conhece o termo pechincha. A empresa pensa grande: tudo deve ser conquistado com muito suor e um esforço homérico. Outrossim, a recompensa está à altura. As recompensas, perdão. Dentre elas, um personagem escondido que integrará o staff e um segundo final. Sem falar nos velhos minigames fishing/hunting, construídos de modo mais completo desta vez.



OS PERSONAGENS

É um dos elencos mais agradáveis de toda a série, a despeito do status de "clássico intocável" do terceiro capítulo. A Capcom consegue, mesmo sem ter se aprofundado o suficiente nas estórias particulares, conquistar a platéia com modelos que exalam carisma. Esses backgrounds o próprio gamer terá a chance de conferir. Com respeito ao artwork, é um dos melhores de todos os tempos. Para quem curte anime, prato cheio.


Semelhanças com Chrono Trigger não são mera coincidência...

CONCLUSÃO

Versão turbinada de um jogo que já era bom. A Capcom faz mágica, o que é bem-vindo quando estamos falando de RPG, Idade Média e Super Nintendo! Em todos os quesitos é uma aventura superior e está no hall dos "preferenciais" se você procura novos cartuchos para o periférico. Infelizmente as partes III e IV da série aterrissaram num momento posterior aos tempos de fartura dos 16 bits, então aproveite, já que este é o fragmento de BoF definitivo por estas bandas.

Agradecimentos a Braben do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 02:01
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GAMES

Super Nintendo

Breath of Fire



FICHA TÉCNICA
Developer: Capcom
Publisher: SquareSoft
Estilo: Role Playing Game
Data de Lançamento: 08/94

NOTA
7.2

"BoF é menos apreciado do que o merecido – principalmente este primeiro capítulo"

Breath of Fire está no panteão das séries clássicas de RPG, ao lado de nomes de (maior) peso como Final Fantasy, Grandia e The Legend of Zelda, e não faz feio. O primeiro degrau dessa história foi calcado de modo tímido comparado aos demais, o que não impede, óbvio, que seja experimentado e o que não impediu que as seqüências tivessem maior brilho, alçassem maiores vôos. BoF1&2 foram lançados para o 16-bit da Nintendo. A Capcom (de Street Fighter e Mega Man) os produziu e a Square se responsabilizou pela conversão ocidental.

ENREDO

Ryu é descendente direto do Clã do Dragão. Não se trata de um sujeito super-poderoso. É só um menino e, como tal, deve começar a conhecer o mundo e a si mesmo: despertar as próprias habilidades ocultas em meio a batalhas inimagináveis em sua terra. Em suas andanças Ryu encontrará Nina, princesa do reino de Windia, importante componente da trama. Na verdade essa mesma estrutura é mantida para cada episódio de Breath, mas fato é que não fica repetitivo, pois se trata apenas da casca. O conteúdo interno é preenchido com detalhes exclusivos em cada obra. Deixaremos este review sem spoilers: o próprio gamer descobrirá por conta própria o desenrolar da estória.

Fato interessante a observar é que o Link de A Lenda de Zelda e o Ryu de Breath of Fire são gêmeos num aspecto: não falam. Boa parte dos diálogos (digo, consultas aos NPCs) conta com a participação dos heróis (em ambos os casos), porém suas falas nunca são transcritas na tela. O que um deles disse está mais ou menos patente pela resposta dada pelos personagens com quem se está tratando. Há, aliás, ocasiões em que o gamer deve escolher uma entre duas, três ou quatro respostas. É quase como se Link ou Ryu falassem, mas fica no "quase". Alguns gostam dessa característica (aproxima o jogador da narrativa, na medida em que se finge que é ele o protagonista, de fato, e por isso não pôde dizer nada), outros são intolerantes.


The village, the village, the village is on fire!

GRÁFICOS

Um sólido visual, digno de qualquer empreitada da Capcom. As faces dos personagens não estão perfeitas como as da continuação imediata, mas é algo irrelevante perto do todo. É possível divisar com facilidade, por exemplo, o objeto que os antagonistas levam à mão, num nível de detalhamento raras vezes visto no Super NES. Ainda que sem a utilização de efeitos esbanjadores do poder da máquina (apenas o Mode 7, daqueles chips conhecidos, marca presença) BoF se apresenta com um look, no mínimo, polido. Os inimigos movem pequenas partes do corpo nas batalhas e esse fato aparentemente inócuo é responsável por trazer uma graciosidade sem precedentes aos bonecos. É sinônimo de vida. Embeleza e em muito o produto final. Isso sem falar nos magic spells, maravilhas da animação.

SOM

A queixa de sempre: as músicas tocadas nos vilarejos e nos labirintos agradam de início, no entanto se repetem com tanta freqüência que não tardam a aborrecer. Talvez transcenda a mundana vontade dos desenvolvedores: a resposta da questão está na capacidade de armazenamento dos cartuchos.



SISTEMA DE JOGO

Claro que o fato da Square ter publicado o game na América nada tem a ver, mas a engine utilizada é próxima à dos Final Fantasies. Isso inclui a quantidade média de membros permitidos na equipe e a ordenação dos turnos. Uma diferença em relação às batalhas: a ação de cada integrante é decidida no começo da rodada, antes de qualquer ataque. Tal escolha não pode ser cancelada.

Para encerrar com o marasmo cíclico "cidades – dungeon - fato novo – mais cidades (ou as mesmas, levemente alteradas) – outra dungeon" há eventos de caráter extraordinário que se defrontam com o jogador, caso ele seja esperto, hora ou outra. Nenhuma side quest ultra-revolucionária, mas cumprem seu papel.

O que satisfaz muitos dos RPGistas é o purismo da série: os mapas típicos, o sistema de magia com convocações e contagem de pontos, o sistema de batalhas, os inimigos "invisíveis" e aleatórios. Impossível se queixar de uma fórmula tão simples e de tanto sucesso.



SOBREVIDA

Missões complementares para os sedentos: encontrar novos equipamentos para Ryu. Banal? Quando se trata de todo espécime de item de inventário – como escudo, armadura, arma principal e elmo –, assegura-se que não. E o melhor: a exploração se dá num canto antes inexplorado do mapa do mundo. Em seguida, há um lugar secreto – e justamente por sê-lo não daremos pistas! – onde Ryu pode se tornar ainda mais forte ganhando uma nova habilidade que, igualmente, preferimos manter em sigilo.

Dois minigames podem trazer diversão perene, se assim o RPGista desejar: o hunting e o fishing (caçando e pescando). Comecemos pelo segundo: exige uma isca e o material clássico (vara com boa linha e o anzol). "Uma" ou a melhor que se puder pegar, já que o resultado da pesca depende incondicionalmente da qualidade do objeto ou animal utilizado como chamariz. A vantagem é ser este um minigame não-oneroso e onipresente. No mar, a cada região de lago ou mesmo em poças pequenas pode-se arriscar lançando tudo água abaixo. Os prêmios costumam ser peixes, conforme o previsível, só que recompensas mais vultosas não estão descartadas.

Para a caça o requisito é Bo, um dos parceiros de Ryu, único capaz de manejar o arco-e-flecha. Rotineiramente será possível conferir porquinhos atravessando as áreas gramadas do mapa. O gamer precisa se aproximar com cautela, mirar bem e disparar no tempo certo (três operações mais complexas do que impressões iniciais permitem julgar). Como resultado, desde comida (heal) até tesouros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

BoF foi feito para o NES e, em tempo, sofreu este upgrade para o Super Famicom (além da versão portátil). Seu legado estava longe de ser percebido, deste ponto, contudo é desde sempre uma ótima pedida para os hardcore RPG fans do console – e olha que o Super Nintendo não da moleza no estilo! O gamer que quer conhecer um pouco da história do Role Playinga Game nos videogames ou pretende ir além das jogatinas triviais da máquina deve obter Breath of Fire, o primeiro e único.

Agradecimentos a Braben do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 01:57
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GAMES

Super Nintendo

Bastard!



FICHA TÉCNICA
Developer: Cobra Team
Publisher: Cobra Team
Estilo: Luta
Data de Lançamento: 28/01/94 (JP)

NOTA
5

"Mataram Dark Schneider"

Bastard! Ankoku no Hakaishin (Bastardo! O Deus da Destruição) é um anime medíocre. Bastard! é um game de luta medíocre. Sobretudo, Bastard! não se leva a sério. Entender estes postulados são o requisito número 1 para aproveitar as desventuras deste cartucho de SNES. Antes da avaliação, uma dica para quem ensaiava conhecer a série animada: prefira Berserk.

O protagonista é Dark Schneider. Há muitas referências ao estilo Metal tanto no jogo eletrônico quanto no programa [e o reviewer americano não gostou muito do fato – mandou que quem quisesse saber mais sobre isso que procurasse um FAQ por conta própria. Quanto mau humor! Pelo menos era isso o que eu pensava até chegarmos à parte da Música (vide além)!]. Trata-se de um perigoso mago negro que foi aprisionado num corpo de criança. Virou um menino chato de voz chata. Seguindo o clichê das transformações estapafúrdias como o SSJ de Dragon Ball Z, a mulher, o panda e o porquinho de Ranma 1/2 e os espirros de Launch (de novo) em DBZ, Dark transforma-se de volta em seu antigo aspecto, bem mais alto e de cabelos grisalhos, quando beijado por Yoki, coadjuvante tradicional e enjoada dos desenhos japoneses [o cara pega muito no pé dos animes. Não deveria ter feito esse review. Cadê a parcialidade?].



GRÁFICOS

A expressão facial dos personagens ficou um lixo na adaptação [diz ele: "cadê os rostos?"]. Os sprites são jocosos e o único ponto positivo é o emprego do Mode 7. Pelas fotos, eu gostei dos backgrounds.

MÚSICA

Uma incansável repetição de um certo "Chaa! Chaa! Chaa!" virtualmente impossível de agüentar. Eis o único ponto em que simpatizei com o revisor: deu a nota 10 para o quesito, pois tudo que fazia era colocar a televisão no mudo e ligar um Led Zeppellin ou Megadeth nas alturas. Bom gosto!

ORIGINALIDADE

Um alto grau de inovação, um baixo grau de diversão. Trata-se de uma daquelas bizarrices que, de tão diferentes da concorrência, trata-se na verdade de uma piada, algo ridículo demais para estar no mercado. Como raios num jogo de luta você nunca toca o inimigo? Pior é quando há intensa movimentação da parte dos combatentes. Mais parece que é o cenário de fundo que é mexido para iludir o expectador (como no velho Super-Homem). Sem esquecer daquele "Chaa! Chaa! Chaa!" que alguém na face da Terra (alguém dentro do Cobra Team, também) deve achar alucinante. A explicação para que dois personagens nunca se toquem é simples: infligir dano só por meio de magias ou arremessos de objetos estranhos. Absolutamente incomum para um fighting game. Ademais, o sistema de mira é péssimo. Isso significa que cada versus pode durar uma eternidade.



DESAFIO

Acima do permitido para um gamer saudável, dadas as circunstâncias adversas da jogabilidade.

CONCLUSÃO

É um jogo de luta razoável para os hardcore fans. O resto esqueça.

Agradecimentos a DiminStar do gamefaqs.com (com muita relutância decidi pôr os créditos – o único sujeito que revisou Bastard! na Língua Inglesa tinha que ser logo um chato de carteirinha?)

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 01:49
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GAMES

Super Nintendo

Ballz



FICHA TÉCNICA
Developer: PF.Magic
Publisher: Accolade
Estilo: Luta / Plataforma 3D
Data de Lançamento: 27/04/95

NOTA
4.9

"Eles fingem que trabalham, nós injetamos nosso dinheirinho (de verdade) e dissimulamos um retorno satisfatório, para não passar vergonha. Crítica ao Capitalismo? Não é a intenção: coisa de bugiganga mal-feita mesmo..."

Já ouviu falar da PF.Magic? Vez ou outra aparece um game tão ruim, mas tão ruim, que cruza a fronteira do que seria considerado somente um título de baixa qualidade. "Não compre!" passa a ser pouco para evitar maiores catástrofes. São necessárias advertências mais graves. Jogos execráveis nos fazem pensar se todos os seres humanos pensam. Neste caso, acabamos por excluir a raça "produtores e designers de níveis" da lista de Homo sapiens sapiens. Talvez o problema seja apenas a falta de personalidade na chefia: "Ei gente, não estou gostando. Vamos esquecer tudo que fizemos até aqui, colocar a mão na massa, recomeçar do zero e desenvolver um projeto aceitável". Faltou isso.

GRÁFICOS

A taxa de frames por segundo é ridícula. Gráficos tridimensionais para o Super Nintendo só podiam dar nisso. Backgrounds no máximo medíocres. Personagens que – respeitando o nome da peça – não passam de amontoados de bolas, unidas sabe-se lá como (antes de Super Mario 64 é difícil levar alguma produção poligonal a sério). São estes os tais lutadores à disposição: boludos e bolados, bolões e bolinhas. Qual a graça? Qual o sentido? Se ao menos fosse engraçado... Não têm sequer expressão facial. Digo, não têm nem uma cara! O protagonista não é dono de nenhum detalhe que o valorize mais que os demais, tampouco. O ultra-revolucionário Mode 7 tenta construir arenas em três dimensões. Fica na tentativa, porque tecnicamente são cenários em três dimensões sim, porém na prática é a síntese do feio. Os próprios personagens, em contraposição, se resumem a meros modelos 2D.

SOM

Abismal. Melodias desinteressantes que se repetem incessantemente. É como se os profissionais desse departamento tivessem produzido toda a trilha sonora em cinco minutos, durante o intervalo do almoço. Não há temas associados aos personagens. As "músicas" tocam randomicamente, pouco importando os lutadores ou o cenário. A abertura, aliás, um suposto hit australiano chamado "Oyyy!" associado a gemidos femininos, é de causar ojeriza. Efeitos sonoros incluem os socos em cheio, os gritos (dois, no máximo, para cada um) dos bonecos e os "plins" dos saltos, a la Mario Bros.

JOGABILIDADE & SISTEMA DE JOGO

Quebra-se um paradigma no setor, principalmente no que tange a jogos de luta: todos se movem com muita lentidão. A sensação é a de trocar um conversível por um ônibus escolar. Além disso, outro preceito do gênero simplesmente ignorado é o uso (desperdício) de uma das teclas para o pulo, que costuma ser efetuado com o "cima" do direcional. Uma das teclas não: duas! Dois botões para realizar saltos, e inexiste diferença entre um e outro. Jogam-se fora dois comandos de ataque. É até possível infligir dano ao adversário pulando em sua cabeça, no entanto o lag natural da jogatina e a confusa percepção de profundidade frustram as heróicas tentativas.

Os ataques regulares não são os mais criativos ou funcionais já idealizados (agora entendo a inclusão de duas teclas só para saltar): braços (ó, essas bolas ambulantes têm braço!) que se esticam até encontrar o inimigo e... apenas isso. Não há qualquer estratégia, qualquer variação disponível. Ballz não passa de uma troca de sopapos a curta distância em que se sagra o vencedor aquele que apertar com maior rapidez ou, quem sabe, tiver mais sorte, ou, ainda, o oportunista que optou – sem saber, afinal nem há critérios que meçam – pelo personagem mais forte. Não há bloqueio ou uma esquiva que aproveite o layout em três dimensões da fase. Algumas investidas resultam em nocautes. Os bonecos vão parar num dos extremos da arena. Prosseguem no combate, todavia o mais sacrificante é esperar até que os dois estejam no raio de ação um do outro novamente, pois a locomoção de ambos os modelos até um ponto convergente demora séculos.

Contra o computador há a tática de pulá-lo e golpeá-lo enquanto está de costas, até zerar sua barra de life. Aparentemente estúpida, acredite, tal iniciativa rende muitas vitórias.

CONTEXTO?

Jamais existiu. Pedir mais do que saber que você precisa derrubar um sujeito tão mal-feito quanto você (bolas conectadas por um fio invisível, ressalte-se) em dois rounds é evacuar das limitações do presente cartucho. Ah sim: no modo principal não se trata apenas de uma luta. O gamer perpassa por infindáveis duelos, que nada acrescentam. São repetições omissas da experiência inicial.

OUTRAS BIZARRICES

A barra de life, passando por cima da convenção do retângulo amarelo que vai ficando vermelho, é formada por várias bolas. A única coisa que não é redonda é o próprio jogo em si, já notou? Se o cara que inventou a Skol tivesse inventado Ballz... O fato é que umas esticadas de braço aqui outras ali vão reduzindo as bolas de metade em metade (hmm...). Como são muitas você deve pausar constantemente para fazer as contas de quem está ganhando ("eu tenho duas bolas e você três e meia" – parece conversa de marciano). Se quiser. Se não quiser, não precisa. Assim como jogar Ballz é uma experiência dispensável. Consultar o medidor de vida é o mesmo que pedir para alguém que sempre usou relógios digitais ler as horas nos ponteiros.

Não bastasse a enorme contribuição da inteligência artificial dos rivais (de vez em quando eles inventam algumas peripécias, mas é raro), o gamer possui continues ilimitados para escalar rumo à vitória final. Nem agilidade é preciso: o game continuará independentemente da sua vontade de apertar Start (no fliperama uma eventual demora do jogador é castigada com o Game Over). Inclusive, após vencer os oito estágios do modo principal e conferir a zeração, retoma-se o campo de batalha para... a primeira luta. Dèja-vù? Nada disso. Só uma tática barata para prender os gamers num título ruim à beça. A solução é desligar o console ou a TV. Tal aspecto assemelha-se não só a uma grande trapaça como a amadorismo ou a uma versão beta que erroneamente saiu para o mercado.

Para finalizar, um erro grosseiro que diante da barbárie já enunciada é só um "pequeno equívoco": após cada embate entra em voga o Replay Mode, reprisando os "piores momentos do duelo" (o que demonstra minha simpatia pelo Ballz!). Tudo beleza, só que não há nenhuma inscrição na tela. Nada de aviso, orientações de comando ou marcas na tela (aquele famoso R no canto). O game continua como estava antes e é bem capaz que os gamers se enganem na maioria das vezes, pensando que estão controlando os duelistas num inédito combate mortal. Aborrecedor.

CONCLUSÃO

Mencionar Street Fighter e afins nesta matéria seria uma senhora covardia. (Pseudo)3D, luta e Super NES (na verdade minha convicção é de que sequer os dois primeiros, isolados, possam dar boa coisa) são o trio da perdição. Devem ser os vértices do Triângulo das Bermudas: o prejudicado é o consumidor, que vê a diversão sumir diante de seus olhos, como num encanto. Nunca acredite nessa mistura.

Agradecimentos a Speedy Boris do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 01:44
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GAMES

Super Nintendo

Arkanoid – Doh It Again



FICHA TÉCNICA
Developer: Taito Corporation
Publisher: Nintendo
Estilo: Ação / Puzzle
Data de Lançamento: 11/97



NOTA
7.8

"O squash digital do nosso querido cosmos feudal"

Arkanoid é o "breakout" definitivo dos anos 90, é o que diz o review estrangeiro. Breakout é nada mais nada menos do que o popular squash, único jogo de tênis que pode ser disputado por uma só pessoa. O breakout tecnológico, ressalte-se (em seguida verão por que afirmar isso é uma contradição). Muitos bares da década de 80 tinham gruas (fliperamas) com um jogo que se poderia chamar de breakout para que os clientes torrassem suas economias em fichas. Arkanoid:DIA ressuscita esse conceito (melhor dizendo: ressuscita pela segunda vez, já que é a continuação do homônimo do Nintendo System). Caracteriza-se por ser difícil de enjoar, pois cada nível tem um layout completamente diferente. O objetivo consiste sempre na destruição de todos os tijolos/blocos da tela. Alguns deles, quando estilhaçados, revelam power-ups especiais: um dos tipos muda o tamanho da sua "raquete", outros produzem campos-de-força para evitar que a bola fuja do campo de ação e o gamer perca, há ainda os que transformam sua raquete temporariamente numa nave para que dispare mísseis nos tijolos da fase, os que multiplicam o número de bolinhas para que elas façam mais pontos, entre outros. OVNIS zarpam aleatoriamente. Coisas malucas acontecem. Tudo para adicionar a famigerada imprevisibilidade. Existe também um modo para dois jogadores simultâneos, divertido à beça.



GRÁFICOS

Nada impressionante, ainda que seja um dos títulos finais do Super NES. Isso não é dizer que não houve uma clara evolução em relação a Arkanoid 1 (NES). Acostume-se à mesma estrutura do início ao fim, com meras mudanças no fundo. É sempre aquela sua raquete (mais para um traço, algo amórfico) na parte de baixo e todos aqueles tijolinhos coloridos e dispostos em "n" combinações acima. Entre estes, muitos obstáculos indestrutíveis que servem para atazanar o jogador. Alguns efeitos de chips do cartucho ajudam a tirar o visual do marasmo de vez em quando, como as explosões ao efetuar combos ou as fortes luzes dos power-ups. O game é tão estranho que possui até chefes. Como de praxe no gênero (hein? Algo parecido com Arkanoid na face da galáxia?) eles são grandões. No fim das contas entendi a intenção dos produtores: nada muito elaborado para que não distraísse os expectadores, uma vez que eles têm uma missão a cumprir...

SISTEMA DE JOGO

O conceito já foi dado na introdução. Vale dizer que cada bola que o jogador deixa escapar significa uma vida a menos. A bolinha estará sempre quicando retilineamente de lá para cá, daqui para lá, e é função de quem controla jamais deixá-la cair (sumir da screen). O recomendável é não só manter os olhos fixos no artefato azul mas em todos os elementos do cenário, afinal os blocos estão lá para serem destruídos e os OVNIs para atrapalhar. Os temíveis chefes surgem a cada 10 fases, em média. A inusitada batalha se dá nas seguintes condições: enquanto desvia dos poderosos ataques da criatura, tenta-se atingir seu ponto vital como se fosse um dos tijolos dos níveis normais. Nem sempre é tarefa fácil descobrir o ponto fraco do boss.



Uma maior variabilidade no look dos caras podia ter deixado melhor impressão: quase sempre os chefes se repetem. Diferenças se resumem a ataques de cor ou formato diferentes e à velocidade com que eles são desferidos. São dez ao todo, já que Arkanoid – Doh It Again possui 100 níveis. Mais um ponto em que, na comparação com o Arkanoid precursor do 8-bit da Nintendo, este se dá melhor. A questão é que muitos deles são absurdamente fáceis, outros consideravelmente chatos.

Embora não haja bateria interna para que o progresso seja salvo, passwords permitem que o jogo seja terminado sem maiores problemas (agendar jornadas em frente à televisão não é tarefa fácil em algumas casas e/ou estilos de vida). Não há um regulador específico da dificuldade, porém modificando a largura do "paddle" (seu cursor ou raquete) e aumentando a incidência de bloquinhos por tela o efeito alcançado é o mesmo (tornar as coisas mais complicadas de propósito, no intuito de sugar mais diversão do modo principal, eventualmente finalizado). Para quem, depois que remexeu nas opções e continuou sendo bem-sucedido, acha que já tirou do game tudo o que ele tinha a oferecer pode se arriscar no editor de cursos. Que tal elaborar a própria fase e desafiar seus amigos?

SOM

Faixas de curta duração introduzem cada etapa, mas depois o "eco do espaço sideral" é o que reina. Silêncio absoluto, não fossem as explosões (quantas vezes tenho de dizer que o som não se propaga no espaço!) e zunidos (bleeps e blops) a cada power-up adquirido, blocos ou demais obstáculos atingidos e morte sofrida.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme a menção, níveis há de sobra, pena que nem todos exatamente do jeito que um gamer desejaria que fosse. Além disso, o direcional digital não fornece a melhor de todas as jogabilidades. Sorte que o mouse (o mesmo de Mario Paint) pode ser usado e, por sinal, rende bem mais. Aditivo, mas há limites.

Aditivo, aliás, não é bem é palavra. Inexplicavelmente divertido. Todos acabam achando. Talvez menos que seu antecessor, por duas razões: apenas repete o conceito, não inova; e pelo fato de, de lá para cá, os títulos terem ficado cada vez mais complexos. Eis a explicação da epígrafe em negrito que introduz o review: ao mesmo tempo em que se trata de um jogo eletrônico resgata primevas emoções do ser humano, algo – na falta de palavra mais fortuita – cavernoso. E a complexidade das vindouras gerações de jogos nada é que impeça que, ocasionalmente, esqueçamos a tecnologia (mesmo a vigente no ano de 97, quem dirá a atual) e mergulhemos nesse poço lúdico um punhado de horas. É como voltar no tempo.

Agradecimentos ao videogamecritic.com, CB007 e gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 01:42
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GAMES

Super Nintendo

Art of Fighting 2


Surpresa!!!

FICHA TÉCNICA
Developer: Saurus
Publisher: Saurus
Estilo: Luta
Data de Lançamento: 21/12/94

NOTA
5

"A pior das conversões da Takara – mas um SNK!"

Menos da metade dos elementos de AoF2 para Neo Geo puderam ser transpostos (problema de memória do cartucho), segundo o reviewer gringo, no entanto de resto ainda é o mesmo game.

Algumas das principais críticas: a inteligência artificial da CPU ficou ridícula, com a máquina usando das formas mais simplistas e repetitivas para atacar, mesmo no nível de dificuldade mais elevado; os controles "sensitivos" (se você apertar a tecla fraco o soco sairá leve, se segurar por mais um tempo e pressionar com mais força, sairá forte, o que a priori parece uma boa idéia mas foi ousado demais para um console de 92 em que a sensibilidade dos botões ainda não era bem-feita); gráficos piores que o usual em conversões, com defasagens nos cenários e a ausência de frames de animação em grande parte dos golpes dos bonecos.

Há uma exímia inovação a considerar, a inclusão do Team Battle Mode, onde você monta equipes de 2 a 8 lutadores para se enfrentarem. Pode ser entre dois jogadores (torneios a la Mortal Kombat) ou contra a (burra) CPU. Ademais, Geese Howard, opção secreta no Neo, integra o elenco desde o começo, embora não possa ser selecionado no Arcade Mode. O áudio é o único quesito unânime em agradar: Dolby Surround no seu Super NES!

Por último vou adicionar detalhes do enredo que ficaram faltando: depois de resgatar a irmã seqüestrada Yuri (com a ajuda de Robert), Ryo vai mais uma vez a SouthTown atrás de vingança contra Mr. Big, além de arrancar o mal pela raiz de vez (trata-se da "cidade da máfia"). É uma estória bastante parecida com a de outra série originalmente da SNK, Fatal Fury.

Pedirei que o resto você confira na URL http://gamesource.groups.yahoo.com/group/newgen4/files/%5B2%263%264%5D%20Neo%20Geo%20%26%20Neo%20Geo%20CD/Reviews/, onde se encontra a análise da versão Neo Geo, semelhante tirando todos os aspectos já tratados aqui (além das fotos).

Agradecimentos a Asekira do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 01:35
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GAMES

Super Nintendo

Civilization



FICHA TÉCNICA
Developer: MicroProse
Publisher: KOEI Corp.
Estilo: Estratégia
Data de Lançamento: 07/10/94 (JP)



NOTA
7

"Para PC as possibilidades são outras mas – convenhamos – o 16 bits da Nintendo não deixa na mão"

Games de Estratégia nascem e morrem aos montes na indústria. Especialmente nesse gênero, amigo. Costuma ser um terreno traiçoeiro, cheio de peso morto, pleno de peças descartáveis. O melhor a se fazer é escolher com critério. Optar pelos títulos diferenciados que não morrem – nem envelhecem – no tempo e no espaço (no espaço do seu coração!). Civilization 1 é um desses eternos clássicos, como Age of Empires ou SimCity.

O objetivo geral é criar e manter uma grande civilização, desde suas origens nos tempos da pedra lascada até a Idade Contemporânea, contando com todos os percalços por que um povo atravessa e ajudando-a a nas mais esfuziantes conquistas. Talvez tenha sido forçação de barra comentar "desde (...)os tempos da pedra lascada", mas enfim: de um pequeno feudo que vira uma cidadezinha (com as primeiras transações comerciais) até um grande império – assim evoluirão suas terras e pessoas. No entanto, não pára por aí: o império chega a um momento de crise e precisa ser substituído pela democracia. Que lindo (só no papel e nos games, de fato...)! E há a segunda via: atingir o Comunismo (ai, ai, ai... quanta utopia massacrada dentro de um cartucho). No princípio tudo isso parecerá nada mais que um sonho infantil. As ferramentas possuídas pelo gamer serão escassas e o mapa do mundo estará obscurecido. Começa-se dependendo excessivamente da sorte por possuir-se somente uma cidadela. Um desastre climático a poderia destruir! Uma hecatombe econômica, quanto mais. Uma nação invasora, de certo. Com o tempo, núcleos de feirantes vão surgindo aqui e ali e o que antes se assemelhava a acampamentos vai se transformando num conglomerado, numa unidade, todos dependentes (voluntários) entre si porém independentes como um todo, num mega-bloco, uma ultra-estrutura. Não falo da União Européia, seu boboca, porém Civilization é perfeito para mostrar aos maus alunos de História como se dá o processo de formação de um país.


Foto da versão para microcomputadores

Sobre as colisões com os inimigos, não pense que é mais uma parte banal do roteiro (e chata do jogo) que nem precisa ser mastigada direito nesta análise. É um capítulo tratável à parte. Sempre que grandes impérios começam a se ensaiar, ou melhor, Estados querem se formar, sem exceção, haverá o conflite de interesses entre ele e o mundo exterior. Ele e outro Estado-nação ou, ao menos, um grupo que já reúna algumas das condições e aspire ao posto de Estado-nação, tão bem-estruturados quanto você. Claro que não é feito as chaves de Winbledon ou as baterias do surfe, ou ainda aqueles embates 1 x 1 de Luta Livre. Não, não, não... São muitas as nações presentes no globo. O Super NES não pode imitar toda a geografia terrestre, mas, a partir do que se incluiu no seu mapa em Civilization, faz seu papel muito bem. Ir à guerra sempre esperando vencer é tolice. E as conseqüências de uma (mais que provável, após algumas declarações bélicas) derrota são nefastas para a constituição da Economia local, requisito básico para o crescimento de uma nação, quer queira ou quer não. Logo, formar alianças é o jeito "menos estúpido" de agir. O estadista que tentar formar COALIZÕES antes das COLISÕES terá muito mais chances de proliferar. Genericamente, contudo, a definição do vencedor não é tão complexa quanto anda parecendo pelo review. O time mais encorpado (o maior exército) vai levar a parada, exceto por circunstâncias realmente estranhas. Na Pré-Era Industrial "erros" assim são improbabilíssimos (atire contra si próprio caso ocorra!). Depois, faltam garantias: unidades fracas como pequenos tanques podem destruir um porta-aviões (suponha, apenas suponha!) e inverter a lógica da destruição massiva em que os grandes engolfam os pequerruchos. Imprevisibilidade, em games do naipe, faz bem, e como.

Maior parte do tempo é gasto na construção das instituições urbanas, não no arranca-rabo com os inimigos. Quando tiver sob seu controle, vamos dizer, 20 cidades, você deverá estabelecer ordens prévias acerca do que cada prefeito deverá orquestrar para seu reduto a curto-médio prazo, de modo que a Economia do Estado inteiro não fique desequilibrada (exemplo 1: jamais mande todas as cidadelas produzirem algodão juntas, pois o território pode entrar em colapso por causa de uma simples praga nas plantações. Exemplo 2: mesmo produzindo mercadorias diferentes entre si, nem tudo vai perfeito para todas as cidades do mapa. Verifique se as minas daquela ocupada majoritariamente com a mineração têm mesmo boa quantia de ouro, já que pode ser que uma vizinha sua seja mais abundante na matéria-prima "metais preciosos". De acordo com os dois exemplos, conclui-se que é garimpando – no sentido aliteral – que se acha: não se contente eternamente com as ordens que deu no passado; busque de modo corriqueiro uma renovação de diretrizes). A interface das opções na hora de pôr as "futuras metrópoles" de pé é bastante simples e ao mesmo tempo capaz de grandes maravilhas. O explorador jamais se sentirá sobrecarregado.

Um dos momentos mais legais proporcionados pelo título é ingressar na feitura de uma Grande Maravilha do mundo. Não necessariamente alguma que repita as existentes, como uma Pirâmide ou um Jardim. Pode ser o que o gamer desejar que seja. Elegantes, todos sabem que não é para deixar a cidade bonitinha que verdadeiros milagres da Engenharia são postos em prática: o comércio flui melhor numa área com uma beleza dessas marcando o cenário, no que eu chamo de "Efeito Copa" (pergunte para a Alemanha o que lhe aconteceu no mês de junho de 2006). Até mesmo civilizações briguentas terão de rever seus conceitos diplomáticos, pois atacar e destruir uma Maravilha é visto como algo pior do que um genocídio (o que atrairia muitos membros para uma possível aliança com seu país, visando erradicar o "exterminador de arquiteturas"). Acontece que os rivais não estarão de braços cruzados: todos são excelentes artistas plásticos/visionários/monetaristas. Olho vivo!

E quando é que termina? Ué! Termina quando acaba...

Agradecimentos a Falsiloquos do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:35
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GAMES

Super Nintendo

Chuck Rock



FICHA TÉCNICA
Developer: Core Desing Ltd.
Publisher: Sony Imagesoft
Estilo: Plataforma 2D
Data de Lançamento: 11/92

NOTA
4.44

"Reclamações não faltaram..."

Ri tanto procurando um review adequado para iniciar a tradução que resolvi excepcionalmente reunir vários comentários a respeito da obra (isso porque não futuquei lá dentro: vem tudo do título dos artigos!): tire uma foto (ou desenhe, muito mais fácil) um macaco (o mais careca que encontrar) com cabeça em forma de batata (!) e você terá o mascote mais feio da História; Chuck: eu acho que você sabe o que quero dizer (uma menção ao brinquedo assassino?); já ouviu falar desse jogo? Não? Ótimo!; todos vão querer apedrejar o produto (é um trocadilho que só funciona no Inglês com a palavra "chuck"); a única circunstância em que você deve tê-lo é na de ser presenteado (e sem pedir); por que desperdiçar dinheiro (o que mais gostei, curto e grosso!)?; um side-scroller medíocre; Unga Bunga (...)! "Que criatividade!", pensa você. Eu digo: que síntese perfeita! Eles me pouparam o trabalho de elaborar uma conclusão para o review. Apenas leia sobre os aspectos técnicos abaixo:


A Internet também não faz sua parte: paupérrima em fotos que possam retratar com dignidade esse "clássico B"

O QUE É (Feio, feio, feio...)

O protagonista é feioso e sem-esperanças. Sem esperança de mudança nesse seu aspecto visual horrendo! Vale dizer que é um hominídeo, não símio, como o parágrafo acima pode ter deixado transparecer. É que falta de beleza só é aceitável até certo ponto: Chuck é o cúmulo. Mesmo se o game detivesse os níveis mais bem-feitos dos últimos tempos, um primor de música e conceitos originais na mecânica que o regula, a demência de Chuck Rock, o estado terminal em que se encontra o nada-querido personagem principal, arruinaria tudo por completo. E, ademais, não existe beleza em nenhum canto desta fita de SNES.



SISTEMA DE JOGO

De começo, os maus hábitos do grotão nos permitem afirmar que ele é um porco não só na fisionomia (preferia o focinho desse animal, aliás) como também nos modos. Assim não casa nunca (nunca mesmo!). Que tipo de mau hábito? Chuck golpeia os adversários com "estomacadas". Ele vai de barriga para cima dos caras. Como se já não fosse esquisito em demasia, a execução do gesto é torturante. Adicione ao fato de ser semi-impossível sincronizar a "abertura do estômago" de Chuck com a chegada do inimigo a altura deles, inapropriada para ataques por terra (resultado: mais uma variável para calcular, a do pulo).

O homem-das-cavernas/jogador tem uma outra função, o chute, para quando pulo e ataque forem pressionados juntos. A mira de seu ataque é ridícula e o comprimento de suas pernas nanico. Do que adianta? A solução mais cabível – acredite – é sair correndo da horda do mal. Isso sem mencionar o monte de rochedos que despencam do céu e não dão oportunidades de Chuck se defender. Totalmente injusto. É frustrante você andar num ritmo de "Homem na Lua" para poder dar um passo atrás quando aquele pedrão estiver vindo carimbar sua testa. Bons Side-scrollers são os rápidos (e coerentes).



SOM

Extretamente repetitivo.

GRÁFICOS

Na média do console. Não peguemos pesado em todos os aspectos! Só pelo cara ser feio (propositadamente, por incrível) não quer dizer que o quesito tenha sido ignorado, que os produtores padeçam de desleixo (no caso, padecem mesmo, mas não pelo motivo "imagem").

Agradecimentos a bungleinthjungle do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:32
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GAMES

Super Nintendo

The Chessmaster



FICHA TÉCNICA
Developer: Mindscape
Publisher: Mindscape
Estilo: Xadrez
Data de Lançamento: 09/91

NOTA
6.2

"Eis um dos poucos títulos de Super Nintendo que jamais vai envelhecer"

"O Mestre do Xadrez" aparece pela segunda vez num console (dando seguimento a sua versão NES) e exigir qualquer coisa de seus aspectos técnicos é bobeira (embora não faça feio): enxadristas, comprem logo!

GRÁFICOS

A perspectiva mudou para três dimensões. Ao menos a standard: o bom e velho 2D pode ser retomado a partir das opções. Um cursor em formato de mão é utilizado para mover a peça desejada da forma como melhor convir pelas casas alvinegras (uma customização muda os quadrados pretos para verdes, deixando tudo próximo de uma "natureza-viva"). Os diferentes tipos de peças são claramente distinguíveis de qualquer perspectiva e jamais o jogador poderá reclamar do restrito contato visual na hora de contestar um mau resultado. Aqui a tecnologia atua a favor do enxadrista. De qualquer modo, quando dois humanos disputam uma partida a eventual desvantagem de acompanhar o tabuleiro separado por uma tela é compartilhada, e com respeito à CPU ela se apresenta em vários níveis e regulá-lo é o mínimo que se pode fazer para extrair mais diversão da experiência (seja você um iniciante ou, conforme o título, mestre).

Relógios contam o tempo gasto em cada turno. Não que haja um limite, o que é e sempre será uma prática ilegal no "esporte mais demorado de todos os tempos", mas sem dúvida é ótimo para efeito da comparação. A War Room, sala de guerra, é uma terceira perspectiva na qual o tabuleiro em si ocupa uma área reduzida da tela, estando o resto ocupado por informações tais quais os últimos lances dos dois competidores, dicas da CPU de possíveis movimentos para as jogadas futuras e algumas fotos estáticas de ângulo inusitados, o que adiciona mais estratégia e um "charminho".



SOM

Teria de ter? Música, certamente não. Exigência cumprida. Quanto aos efeitos sonoros, agradam pouco. Cada "arrastar" de peças no tabuleiro provoca um rangido incômodo. Se bem que são cinco modalidades diferentes do ruído: um para a jogada comum, outro para o roque (em que torre e rei são movidos simultaneamente, na mesma rodada), um novo para a eliminação de uma peça rival, um penúltimo para o xeque (clímax) e um último para o xeque-mate, ou a consumação da vitória. Retomando, o problema não está no som em si, apetecível de modo isolado, mas na sua constância durante os desafios. Vai saturando as mentes dos concentrados enxadristas paulatinamente...

JOGABILIDADE & SISTEMA DE JOGO

Qualquer uma das teclas frontais (A, B, X e Y) pega a peça que estiver sob o cursor. O direcional (com uma das teclas supracitadas seguradas) decide a direção e/ou amplitude do movimento. Esquema simplíssimo, em contraposição à própria complexidade do Xadrez. Posicionar a peça numa casa indesejada é raríssimo. Select abre o menu (e é o mesmo que pausar o jogo). Este tampa o tabuleiro, no entanto não se trata de uma perda ou detalhe mal-projetado, uma vez que o relógio, como já dito, não impõe nenhum limite aos jogadores, apenas continua rolando à espera de uma sacada inteligente de uma das partes. É recomendável largar o joystick para não executar comandos involuntariamente. Calma, calma como nunca nessa hora!

Entre as opções no tal menu, a própria dificuldade da máquina (que muda assim que o confronto é despausado), a orientação do tabuleiro (inverter os lados, ou mesmo girar 90 graus), retroceder uma ação (não deixe seu desafiante humano usar essa tática suja, ou então combine as circunstâncias em que esse apelo poderá ser utilizado para que a partida não vire marmelada!), mostrar o replay dos últimos gestos, ativar o "teaching mode" (o equivalente a ligar um tutorial para ensiná-lo as jogadas básicas para as situações – não vicie neste recurso) e, pasme, um modificador geral do posicionamento das peças para transmutar completamente a partida, criando um cenário inusitado.

DESAFIO

Falou-se que há vários níveis e você deve escolher o adequado a suas habilidades enxadristas. O que não se mencionou é a quantidade deles: 16! Do Newcomer ao Infinite, é você quem sabe... Que lancem os dados. Ops, que movam os peões...

Agradecimentos a Garibaldi84 do gamefaqs.com e Thomas Edson/Seshoumaru do Portal Sagas

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:30
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GAMES

Super Nintendo

BS Excitebike Bunbun Mario Battle Stadium 3

FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: Corrida
Data de Lançamento: 1997 (JP)

NOTA
8

"Eu, hein – parte 2 (ou 3!)"

Para detalhes completos sobre a obra favor ler o review BS Excitebike Bunbun Mario Battle desta pasta. Neste terceiro capítulo da aventura de Mario sobre motos para o Satellaview o mote são os diferentes trajetos das pistas e nada mais: não foram incluídas alterações mais profundas, como de praxe no sistema de satélites do Super Famicom, que se resume a um serviço que disponibiliza versões de luxos de clássicos ou jogos previamente famigerados.

Trechos suspeitos do review anterior (por haver total confiabilidade no conteúdo postado pelo autor nós habitualmente não mudamos nada) entram em contradição com as afirmações do novo autor (vide nota de rodapé): não apenas Mario mas seus amigos Luigi, Peach, Toad e Wario estariam presentes no menu de escolha de personagens, além de Boo surgir como eventual oponente; as moedas deixam a motocicleta com turbo ilimitado, e não exatamente invencível, embora uma moto realmente rápida possa ser considerada como tal!

Quanto aos gráficos e à sonoridade, estes são atributos imutáveis do capítulo 1 para o 3, lançados no intervalo de semanas, inclusive. O novo revisor comenta que Wario é o corredor mais bem-feito, que todos são identificáveis de longe e à primeira vista e que tais gráficos só poderiam perder mesmo para os de Excitebike 64. Um tanto quanto óbvio, porém sua brincadeira serve para situar o visual de BSEBMBS3 entre os mais fantásticos do console (infelizmente não se encontram fotos na web).

Ah, sim: JBX difere bastante de seu colega ao afirmar que os efeitos sonoros formam uma lista extensa, maior parte sendo de vozes digitalizadas, no que seria a PRÉVIA de MK64, com todos aqueles "Lets go!" e "I'm gonna win!". Seria maravilhoso, não nego, acontece que Mario Kart é de dezembro de 96, para alguns já 1997, enquanto esta série do Satellaview chegou meses depois. Portanto seu comentário não procede. A atuação das vozes ainda é elogiável para o patamar do SNES (talvez tenha sido o contrário: as vozes daquele jogo de N64 podem ter vindo parar aqui).

Elogios daqui e dali e a nota 5 escores mais elevada não anulam o que já fora dito acerca dos loading times absurdos e da obrigatoriedade de enfrentar os treinos antes das partidas para valer. São duas características tão abomináveis que fazem de um título cuja fruição seria certa em outras circunstâncias uma opção questionável.

Agradecimentos a JBX do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:28
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GAMES

Super Nintendo

BS Excitebike Bunbun Mario Battle

FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: Corrida
Data de Lançamento: 1997 (JP)

NOTA
3

"Loadtimes no SNES? Eu tinha visto isso no SF Alpha 2, para falar a verdade..."

É daqueles games fora do convencional, sabe? A esquisitice começa no título: um Excitebike para Super Nintendo, que ninguém pensava que tinha, estrelando a franquia Mario Bros. junto? E para o Satellaview, serviço de banda larga japonês para jogadores endinheirados que quisessem um complemento para seus Famicom? Isso mesmo. Imaginar-se-ia uma cópia do antigo Excite com personagens do Reino do Cogumelos de penetra, e nenhuma alteração de grande porte. Afinal, não foi isso que a Nintendo fez com Mario USA / Super Mario Bros. 2?

SOM

Não há faixas musicais com exceção da famosa tune para a invencibilidade (estrelinha) de Mario (o único do universo Mario na empreitada, em realidade). Eu, hein! Os efeitos sonoros das motos e aquele sinalzinho da largada também marcam (invisível) presença.

GRÁFICOS

BSEBMB (de onde teria vindo "Bunbun"?) não é mero remake do Excitebike 8-bit e isso é facilmente verificável pelas imagens: gráficos muito além da capacidade de um periférico como o Nintendo System. Ótimo uso dos sprites.

JOGABILIDADE

Tão simples que não podia dar errado: direcional + A comandam integralmente sua motocicleta (movimentação e pulos). Será simplicidade o segredo?

SISTEMA DE JOGO

Até aqui, nada que justifique uma "nota vermelha" para o game em questão, ainda mais um da Nintendo, conhecida por seu alto padrão. Mas veja... Há carregamentos (tempos de espera, como se se tratasse de um CD!) extenuantes de menu para menu, de partida para partida. Para demonstrar que não é um exagero da parte do reviewer, cronometrou-se: são 2 minutos da tela de apresentação (Peach segurando uma placa com algo escrito em japonês, talvez "Tenha paciência, mantenha o console ligado") até o menu principal, hora em que o gamer finalmente poderá escolher a modalidade a ingressar. 120 segundos são uma eternidade para os jogos da mídia disco mais pesados já vistos, quem dirá para um título de Super NES! Pensando bem, nada de livre arbítrio, depois desse sufoco inicial: o expectador é obrigado a conferir um tutorial. Um tutorial! Uma seção de treino. Por mais que esteja jogando pela centésima vez esse passo é imprescindível (na opinião dos desenvolvedores) e não pode ser pulado. A jogabilidade é ridícula, portanto tanta preocupação se mostra inexplicável. Será um produto recomendável para a faixa etária de 1 a 4? Se for esse o problema, esqueceram de pôr na embalagem (é mesmo: BS Excite não tem embalagem!).

Tentando ignorar este enorme detalhe e falando do jogo em si, até alguns elementos divertidos da série de motos insanas do NES foram retirados. Era tão simples deixá-los lá... E os produtores não quiseram saber, tiraram sem dó. Será que gastaram muita memória no lindo visual? O editor de cursos foi sumariamente eliminado, a dificuldade sobrenatural da CPU foi amenizada e acrescentou-se a regra das moedas (pegue 10 e seu veículo se tornará invencível até o final da corrida), responsável por tirar o resto da graça que ainda permaneceu. Ademais, um fato aborrecedor do original, as pistas longas e de muitas voltas, continuam na mesma. Tedioso. Conveio aos projetistas de Excitebike Mario Battle modificar o que tinha qualidade e conservar o que exalava um mau cheiro. É por isso que eu disse que se tratava de um negócio para lá de esquisito.

CONCLUSÃO

É uma lástima que alguns gamers nipônicos tivessem de pagar mensalidades abusivas por mercadorias pífias como esta. A única maneira de obter o "cartucho" é baixando pelo software, no entanto nenhum de nós mora no Japão. Com certeza não se deram ao trabalho de converter Bunbun para o formato ROM. Esqueça que leu esta análise – prefira o Excitebike puritano.

Pedimos desculpas pelo fato de não dispormos de screens retratando o jogo

Agradecimentos a numberonecubsfan2 do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:26
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GAMES

Super Nintendo

BS Zelda 1



FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: Action RPG
Data de Lançamento: 1997 (JP)

NOTA
8.9

"O original, de NES, de volta à vida"

Uma década depois ainda adquirindo popularidade na América, a banda larga já funcionava muito bem no Japão em 97. Tanto é que existia o serviço por assinatura BantaView, ou simplesmente SatellaView, que permitia o download de arquivos a rodar no "antiquado" Super NES 24 horas por dia e em alta velocidade, sem restrições, via satélite. Na verdade o sistema já estava em operação dois anos antes deste novo Zelda desembarcar. Peraí... Novo Zelda?

Zelda 1, como diz o título, é um remake do Legend of Zelda precursor, agora num processador 16-bit. É até desnecessário mencionar os upgrades (no visual, no som, nos mapas de jogo – o Underworld foi reformulado para confundir os mais experientes! – e no que mais você pensar).


INTRODUÇÃO – Um pouco de História...

SISTEMA DE JOGO

Pois é: as dungeons ficaram mais desafiadoras porque a localização dos baús foi totalmente desarrumada, afora a inclusão de aposentos em nada familiares. A melhor ilustração dessa reestruturação pode ser encontrada no labirinto de nº6, irreconhecível para o mais Zeldamaníaco! BS Zelda, pensando bem, é um remake, mas para lá de apimentado.

Interessante também é a inclusão de um cronômetro / relógio interno. O jogador será informado de seu tempo total dentro daquele file, além das parciais exatas dos momentos em que obteve os itens mais importantes. Bom como orientação para os mais perdidos, ótimo para adicionar ainda mais, curiosamente, tempo de jogo: Link será recompensado, se concluir suas tarefas rapidamente, com power-ups inéditos e descontos nas lojas, por exemplo. De um super-bumerangue a infinitas bombas, passando pelas mercadorias comuns a somente 50% do preço anterior. Essas e outras vantagens os jogadores do finado Nintendo System nunca vão ver.

Quando a casa dos minutos marca 45 (3/4 de hora) chove. Mais do que um efeito estético, os malditos pingos d'água transformam os já incômodos Octoroks (um dos inimigos mais chatos da série!) em Darknuts. Alguns itens, outrossim, só aparecerão para o explorador caso ele acesse o local respeitando certa regra horária (mais ou menos o que se vê – claro que de modo aperfeiçoado – em Majora's Mask, para o Nintendo 64!).



GRÁFICOS

Novos quadros de animação, detalhes profundos nos bonecos e estruturas de fase, jogo de luz-e-sombra e água mais convincentes não poderiam faltar, afinal acabamos de transgredir uma era! O título está no nível de A Link to The Past, como seria de se exigir. Existe certa revolução gráfica sem que se tenha abandonado o charme do primeiro de todos os Zelda: enquanto que o Underworld é visualmente parecidíssimo e retrô, a flauta de Link ganhou um aspecto deveras semelhante àquela usada pelo herói na aventura épica de N64 (nome na Conclusão). Criatividade a todo vapor!

SOM

O principal: mais temas nas telas de mapa (o mundo genérico por onde o personagem adentra os demais). O SNES é taxado de incompetente, já que sua saída de som é inferior mesmo à do Mega Drive, no entanto o trabalho dificilmente sairia tão bem-feito. Ademais, muita gente prefere as colossais MIDIs às faixas orquestradas e cheias de nheco-nheco da contemporaneidade.

CONCLUSÃO

Não há outros caminhos para os hardcore fans de Zelda que os seguintes: 1) cair em suplício eterno por não ter nascido de olhos puxados; 2) caçar a ROM, salvar no PC, abrir o Zsnesw e meter bronca. A Nintendo fez um ótimo trabalho no que pode ser considerado o grande aperitivo ao sucesso inigualável de 98, Ocarina of Time.

Agradecimentos a Virulent do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:25
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GAMES

Super Nintendo

Fire Emblem – Thracia 776



FICHA TÉCNICA
Developer: Intelligent Systems
Publisher: Nintendo
Estilo: TBS (Turn Based Strategy)
Data de Lançamento: 01/09/99 (JP)

NOTA
9.45

"Já não era hora!"

Se FE4 fora lançado fora do tempo (nada contra jogos de Super NES até quando puderem vir, mas o problema é que ninguém exceto os verdadeiros apreciadores compram!), o que dizer de FE:T776, a continuação definitiva? A três meses do ano 2000, quase pegou a geração 128 bits em plena atividade. É isso mesmo: um jogo de SNES com um pé no terceiro milênio, o que acha? Dá para rivalizar com o PS2 ou não dá? Brincadeiras à parte (nos quesitos gráfico ou sonoro), o Super Nintendo dá um calor em qualquer videogame quando o tópico é diversão, e FE5 é um dos mais divertidos títulos de Estratégia já vistos.

Realmente a época do lançamento de Thracia 776 foi a mais infeliz possível do ponto de vista mercadológico. Mas deixemos esse lado para os economistas...



SISTEMA DE JOGO

Sorte que os projetistas da série Fire Emblem sempre modificam os mecanismos de jogo, apesar de manter certa base, o que segura o frescor da franquia, inspira os antigos gamers a investirem seu dinheiro e é ao mesmo tempo um chamariz aos novatos.

Habilidades novas como capturar inimigos e fazer deles aliados darão o maior orgulho aos veteranos. Transcendendo o "legal", essa medida acrescenta uma nova dimensão ao jogo. É mais uma maneira criativa de equilibrar a partida, lembrando que seu exército começa com instâncias em número inferior às do inimigo. Roubam-se as armas e itens que os oponentes levavam consigo. E o gamer sempre terá o livre arbítrio: matar ou deixar viver? Além do mais, você pode carregar, no sacrifício, seus colegas machucadas, como se fossem bagagem, até a primeira estalagem que possuir um curandeiro, tudo para manter o efetivo (evitar mortes) ou simplesmente bancar o bom samaritano.

Sobre a falta de aventuras paralelas ou extras dos cartuchos anteriores, finalmente tomou-se alguma providência: os gaiden chapters. Sob determinas circunstâncias sua trupe será envolvida numa mini-campanha sem correlações com a atual na qual terá acesso a melhores itens e mais membros para o esquadrão. E com relação ao próprio main chapter os objetivos não são fixos, como dantes (matar o rei ou tomar o(s) castelo(s)), de modo que em alguns estágios você precisa correr das tropas inimigas até escapar do mapa, em outros seu dever será tão-somente defender o próprio forte, etc.

Completando a leva de bem-vindas modificações, as campanhas realizadas à noite! Lembra dos games de Estratégia em que o cenário está todo negro e você vai clareando aos poucos, como em Warcraft? A diferença para Fire Emblem 5 é uma só: ficará claro apenas o setor do mapa que estiver imediatamente ao redor do jogador. O que não o estiver circundando ficará sempre no escuro, independentemente de ter sido explorado ou não. Gostou? Adições como esta fazem da presente saga ainda mais complicada que a anterior.

Inimigos com maior AI (inteligência) podem cursá-lo de diferentes maneiras, seja paralisando (ou mesmo adormecendo a todos ou deixando-os petrificados), evitando o uso de armas por determinado período ou silenciando os integrantes do time alheio. O problema é que o próprio player não dispõe dessas molezas! O negócio é ir na raça e na faca! E cuidado com as armadilhas invisíveis...

Para uma mais palpável compreensão do sistema de batalhas em turno favor consultar tanto o review de Fire Emblem – Monshou no Nazo (FE3) como a resenha de Fire Emblem – Seisen no Keifu, a lendária quarta versão, todos neste mesmo folder onde você achou este .doc.



GRÁFICOS

Melhores ainda. Há algum limite para este periférico ou para a vontade dos designers? Os backgrounds das batalhas são o destaque, cheios de detalhes onde antes – sim! – já havia, porém num nível de excelência superior. A animação dos critical attacks continua absurda (no bom sentido), sem falar que houve o acréscimo de inéditos. Bizarramente, repare que durante conversações às portas do castelo rival as tochas acesas não "se mexem", não crispam, como na versão 4 de Emblem. Retrocesso que não deve ter sido percebido pela equipe desenvolvedora ou que simplesmente teve de ocorrer para que a memória do cartucho suportasse tantas coisas novas sendo inseridas. A respeito do artwork, o artista gráfico foi outro e seu estilo de desenho, óbvio, nem poderia ser igual (é até desumano que ele só servisse para copiar o antigo). Uns vão estranhar os new looks dos personagens, sempre animezados. Outros não acharão nada de mais (de menos, no caso). Sety é um dos mais elogiados.

SOM

Não houve espaço (olha a tal da memória aí) para igualar o número de faixas de FE4, no entanto já está de bom tamanho, até porque a qualidade fala mais alto. O tema dos chefes deve ser enaltecido.

ENREDO

É dito como o primeiro Emblem em que os gamers normais podem entender 100% da trama – isto é, se tiverem o conhecimento da Língua Japonesa (deu na mesma...), afinal é muita coisa para sintetizar nestas linhas, fora a anti-ética do spoiler!

Dezesseis anos depois do grande terremoto (no meio do quarto título, o que também é um ano antes do começo da batalha final no próprio FE4), continua a tormenta das terras deste mundo, implacavelmente atacadas pelo Império Grandbell. O Príncipe Leaf de Lenster é o incumbido de salvar o Distrito de Manster do mesmo. Mais do que metros quadrados, o terrível imperador por trás de do exército grandbelliano deseja muito a abolição da religião de Loptus. Apesar de ser uma narrativa sem muitas revelações estarrecedoras, como a última, continua carregada de emoção. Uma lista básica dos dramas mais marcantes: Leaf perde sua mãe adotiva; descobre-se o caráter genuinamente maligno da religião de Loptus; Thracia, o lugar do título, é um território inimigo onde as pessoas sofrem da mais incessante das fomes e misérias (uau, que clichê), o que faz Leaf pensar duas vezes se está combatendo o mal, ou se o rei adversário só deseja o bem de seu povo (começa a oscilar entre o prosseguir na guerra e o capitular, o que não acontece, para felicidade do gamer, que se alimenta de guerras, sangue, pólvora e almas, muitas almas, mwahaha!). No fim, o Príncipe Leaf não é daqueles vencedores felizes para sempre: ele carregará sempre consigo enormes pesar e melancolia. Claro que o enredo segue com os filhos dele, afinal o "love system" continua de pé...

SUSTENTO

Diferentemente dos outros Fire Emblems, neste o gamer é confrontado por escolhas. Deve seguir por bifurcações, deve ignorar alguns dos potenciais destinos para sua trupe. É excitante na medida em que assim que finalizar a estória a primeira coisa que os mais viciados farão é abrir outro game file e ir atrás destes segredos extras (e se eu fizesse isso, e aquele outro?). Fala-se aqui dos gaiden chapters, mas não somente deles, afinal para habilitar todos os personagens secretos é necessária muita ralação. Fire Emblem é completíssimo (não à toa: foram 3 anos trabalhando com afinco no projeto, num periférico que já era, desculpem o trocadilho, periférico), um primor de clássico para Super Nintendo. Feito com amor!

CONCLUSÃO

Gunpei Yokoi, gênio do mundo dos games e "o mais inteligente dentro da Intelligent Systems", se assim podemos falar, utilizando trocadilhos infames mais uma vez, faleceu no intervalo entre Fire Emblem 4&5. Felizmente, vê-se que se manteve o padrão na companhia. Se encontrar alguma importadora que trabalhe com a peça, encomende já!

Agradecimentos a Juigi Kario e Dark Gaia do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:22
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GAMES

Super Nintendo

Fire Emblem – Seisen no Keifu



FICHA TÉCNICA
Developer: Intelligent Systems
Publisher: Nintendo
Estilo: TBS (Turn Based Strategy)
Data de Lançamento: 14/05/96 (JP)

NOTA
9.529

"Evolução impressionante. Será o novo time desenvolvedor?"

FE:SnK é o quarto episódio da franquia de Estratégia mesclada com RPG da Nintendo (agora sob a batuta da Intelligent Systems) e apresenta mudanças em relação à trinca prévia que provavelmente são a razão da escalada da série ao status de "intocável" (vide a nota!).

SISTEMA DE JOGO

Para mais detalhes, leia (ou releia) o esquema de batalhas em turno, RNG e unidades presente nos Fire Emblem no review de Fire Emblem – Monshou no Nazo, o terceiro e inaugural da dinastia no SNES, nesta mesma pasta.

Pois bem: várias desses aspectos permanecem. Você ainda comanda um exército e tem aquele mesmo leque de ações. Pode escolher as unidades que vai mover na rodada, atacar, falar, visitar uma vila... O triângulo de armas está lá, igualzinho, tanto para o uso das próprias armas quanto para o de magias. A história de ter de ganhar níveis de experiência para aperfeiçoar os personagens tampouco sofreu alterações, tirando o fato de alguns da esquadra já "nascerem premiados". O nível que permite atingir a classe superior é o 20.

Eis onde principiam as modificações: os mapas estão remodelados. É necessária a captura de três ou quatro castelos por fase para passar. São 12 fases, incluindo o Prólogo e o Epílogo. É uma quantidade reduzida porém com a compleição mais elaborada: vai ser mais custoso avançar...

Alguns personagens têm "sangue sagrado", o que lhes garante não só, como já dito, que já comecem em nível mais alto que o normal como tenham estatísticas que melhoram num ritmo bem mais veloz e armas mais portentosas. Um seleto grupo é capaz de manejar as armas sagradas.



Novas habilidades (só para níveis elevados): prolongar o turno com mais um ataque, contra-atacar skills adversárias que antes eram imbatíveis, ganhar mais experiência automaticamente, etc. Muda de modo soberbo a cara dos embates.

Não há uma poupança coletiva: cada personagem tem seus próprios rendimentos. Dinheiro é depositado na conta de quem salva muitos civis ou prisioneiros de guerra e de quem vende suas armas velhas (pode até vender as atuais, mas seria burrice, porque o dinheiro serve para ser aplicado justamente na aquisição dos melhores armamentos). Trocar itens com os membros do próprio exército é impraticável, mas o gamer pode vender os que desejar na penhora das cidades e comprá-lo usando outra identidade (truquinho básico). Parece que a mercadoria "ouro" não é passível dessa operação, exceto para aqueles no status "amando" (?!?!).

Explicando melhor: dois personagens podem apaixonar-se. Basta que estejam em permanente contato e detenham personalidades parecidas (o que é facilmente detectável pelas conversas que deles saem). Parentes, obviamente, não criam paixão um pelo outro. O jogo se desenvolve num tempo longo e esse é mais que um aspecto banal da narrativa: os casais da primeira geração que forem juntados é que determinarão o quão forte serão os guerreiros da geração vindoura... Respondendo à questão do Gold, pessoas que amam devem ter sempre boas razões para trocá-lo, não é mesmo (desde que não estejam agindo por impulso!)?

A geração vindoura continuará suas campanhas quando os precursores estiverem velhos. A genética é de importância central aqui, na medida em que skills, sangue sagrado, stats em geral e armas são herdados. Em meio a batalhas a paixão também altera o panorama: quando a dupla estiver próxima e um deles atacar ou for atacado por um inimigo, dois ícones de coração surgirão sobre suas cabeças e isso garante nada menos que um critical hit da parte de pelo menos um do casal a certa altura do combate. É o efeito do amor... Quanto aos parentes, eles podem ter critical hits, já que o que age é o instinto de conservação da família (não deixa de ser amor!).

ENREDO

Lorde Sigurd de Chalpy é o personagem principal da primeira geração. Chalpy é a designação de seus domínios, um dos feudos do Reino de Grandbell. O país de Isaac (por que todo Isaac é maluco?) ataca Grandbell. O exército do reino vai atrás do malévolo rei estrangeiro. O que o pequeno território de Chalpy teria a ver com todo o rolo? Um dos príncipes de Verdane (o país do rei Isaac – portanto trata-se de seu filho) resolve atacar o feudo vizinho a Chalpy, Junby, seqüestrando Eddain para ser sua esposa. Eddain é a melhor amiga de Sigurd e ele vai chegar dando voadora no palhaço...

De acordo com o script original Sigurd casa com Diadora no Reino de Verdane, inaugurando nova prole, de cujo primogênito Celice deriva a missão de manter a paz mundial. Essa é só metade da trama...


Efeitos esplêndidos em termos supernintendistas...

GRÁFICOS

Condizente com as exigências de um ano como 1996, em que as softhouses deviam no mínimo manipular o hardware do Super NES de modo impecável. Os sprites foram muito bem-utilizados, numa das construções 2D mais belas do videogame. As animações durante as batalhas e o rosto dos personagens também não são de desagradar!

SOM

Cada música preenche com perfeição os momentos da narrativa. Digno de uma trilha sonora de cinema premiada, a despeito de estarmos falando de cartuchos de silício, o que impede tanta magnitude. Sons épicos que jamais enjoarão o jogador.

DESAFIO

As fases foram ampliadas e sobrou dificuldade! Não desmedida, claro: dá para encarar. O lado ruim é que inexiste algum modo secreto e mais desafiador do momento em que a modalidade tradicional já não é mais páreo para o controlador.



SOBREVIDA

O "love system" foi uma excelente idéia. Poucos teriam feito melhor. Casar com pessoas diferentes faz dos descendentes completamente outros, ou seja, a equipe será diversa também, e o gamer poderá experimentar "n" combinações e se divertir finalizando a aventura com todas elas.

CONCLUSÃO

Não há falhas macroscópicas. E aquele que quiser procurar pelas pequenas ainda assim terá enorme dificuldade para encontrá-las. O único pecado de FE4 – Seisen no Keifu é jamais ter zarpado em continente americano (ao menos da maneira apropriada, que seria traduzido). É tão bom que vale o esforço de ser jogado num idioma indecifrável para nós brasileiros.

Agradecimentos a Lord_Kratos90 do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

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Escrito por wormsaiboty às 22:19
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GAMES

Super Nintendo

Fire Emblem - Monshou no Nazo



FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: TBS (Turn Based Strategy)
Data de Lançamento: 21/01/94 (JP)

NOTA
8.7

"Fãs da Nintendo fartos de seus clássicos de temática infantil têm diante de si um prato cheio"

FE:MnN (O Mistério de Emblem) é o terceiro episódio da franquia e o primeiro no Super Nintendo. São, na realidade, dois jogos num só, os Livros 1 & 2. Aquele não passa de um remake do original (de NES), enquanto este é uma continuação legítima de FE2, ou seja, FE3.

SISTEMA DE JOGO

Como é comum em jogos de Estratégia, são dois exércitos se digladiando no mapa. O gamer comanda o exército azul; a CPU o vermelho. Há várias unidades especiais que não podem ser substituídas. Isso significa que, ao morrerem, não poderão voltar à vida. O jogador deve percorrer toda a trama com um exército que vai minguando aos poucos.

O sistema de batalha é o grande diferencial. Em Command & Conquer ou qualquer título tradicional do gênero (trocentos deles para PC) o comum é que não haja restrições às ações em termos temporais, ou seja, a ação come solta do início ao fim e a falta de agilidade no comando das tropas é um pecado mortal. No caso de FE, sentar, concentrar-se e pensar muito bem numa jogada é essencial. Isso porque a Nintendo construiu os mecanismos de jogo sobre uma estrutura RPGística baseada em turnos. Entre os verbos no menu de opções da sua vez, "mover unidade", "atacar o inimigo", "comprar itens/armas" e "salvar civis".



Quando dois times entram em batalha seu rumo será definido pelos atributos das unidades de cada lado, além do RNG (Randam Number Generator, um gerador aleatório de números – prefiro chamar de dado). Força do personagem + capacidade bélica = dano provocado. A velocidade do personagem também influi, determinando a probabilidade de esquiva.

Ao final, pontos de experiência são concedidos. Ou seja: a verossimilhança a um Role Playing Game é muito mais presente do que o imaginado. Depois de 100 pontos perpassa-se um nível, o que significa um avanço também na maioria das estatísticas da equipe. A ferramenta RNG pode – afortunada ou desafortunadamente – conceder gorda ou pobre pontuação. Hora de torcer!

As tais unidades são classes de guerreiros semelhantes: cavaleiros, arqueiros, magos, generais e vários outros, homogêneos entre si, jamais plenamente idênticos, contudo, exatamente pelo "dado", que abre brechas para forças e fraquezas particulares. Um fator complicador é que o adversário sempre terá mais unidades que o gamer no começo da partida. Logo, um plano consistente será necessário para balancear as duas forças e possibilitar uma classificação para a próxima etapa.

ENREDO

Cada Book tem a sua estória, mas o protagonista se mantém, o Príncipe Marth. No primeiro livro o reino de Marth é invadido. Dois anos depois, Marth decide confrontar a etnia invasora e recuperar suas terras. Trata-se do Império Dolunan. O príncipe é descendente do herói Anri, notório pela façanha de ter exterminado o dragão negro Medeus. Com seus poderes ancestrais, portanto, espera destruir o novo Medeus e pacificar de uma vez o continente de Akanea, contando ainda com a espada Falchion.

No Livro 2 passam-se 5 anos e Marth tem um novo inimigo, O Imperador Hardain, ex-coalizão (Livro 1), subitamente dominado pela cobiça. O que parecia apenas a ambição humana tomando controle em um mundo anteriormente pacífico vai se desvelando como novas arquiteturas maléficas de Medeus. Como esse Marth e seus parentes são incompetentes para acabar com bestas do Inferno!



GRÁFICOS

Obviamente os mapas, as animações de guerra e as texturas encontram-se num estágio superior aos gráficos do Nintendo System. A fluidez dos quadros também é palpável. No entanto, para a média do console, o resultado não é tão glorioso assim. O artwork dos personagens, ao menos, é inquestionável. Ademais, haveria muito terreno para melhorar: Fire Emblem teria mais duas sagas neste console num espaço de meia década (94 a 99).

SOM

No Livro 1 o quesito sonoro é bem fraco, com apenas duas faixas musicais: uma para seu turno, outra para a do rival. Não podia haver outra falha que tornasse a narrativa tão repetitiva. No Livro 2 o defeito é consertado, mas os efeitos sonoros fazem uma aparição discreta.

DESAFIO

Ser inteligente, valorizar a tática e o pensamento a longo prazo são características ausentes nos jogos atuais, cheios de explosões de cabeça infundadas e tiros para lá e para cá. Não desperdice essa oportunidade de engrandecer-se bastante. Fire Emblem é um ótimo exercício para a mente. Atenção para uma regra geral com a qual você deve tentar se aborrecer o mínimo possível: seu índice de acerto nas ofensivas oscila entre 15 e 20%, todavia o do inimigo pode alcançar 40%!

SUSTENTABILIDADE

O único incentivo é o largo efetivo: muitos personagens diferentes para compor as esquadras e a chance de variar um pouco as unidades. Tirando isso, não há nenhum modo ou conquista extra que estimule o jogador a continuar zerando o cartucho.

CONCLUSÃO

Quando a Nintendo resolve fazer uma série adulta sai-se surpreendente. Nada contra Yoshi, Kirby e alguns outros, mas gamers em idade avançada naturalmente postergam títulos estrelados por figuras do naipe. FE agrada o público inteligente e é o início de uma alternativa aos standard titles do videogame, já que Emblem 4 (que apareceria em 96) e Emblem 5, de 99 (!), dão seqüência à ousada empreitada. Este é o "menos bom" dos capítulos, porém não hesite em completar a coleção, se puder.

Agradecimentos a Lord_Kratos90 do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:13
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GAMES

Super Nintendo

BS F-Zero 2



FICHA TÉCNICA
Developer: Nintendo
Publisher: Nintendo
Estilo: Corrida
Data de Lançamento: 1997 (JP)

NOTA
8.3*

"Pouca coisa mudou – ainda bem"

BS é o sistema japonês de satélite Satellaview, que permitia o download de jogos de SNES lançados com exclusividade no Oriente. E F-Zero 2 é a seqüência do famoso racing game futurista da Nintendo, aquela mistureba de hovercrafts insanos, pistas sinuosas e uma velocidade perto do limite do olho humano. Acontece que não há nenhuma adição que justifique rotular o segundo F-Zero como um "título novo", completamente diferente, uma quebra de paradigma. Tudo está inalterado, na prática, com cursos, ligas e veículos inéditos (logo abaixo) funcionando na mesma engine. É mais para um patch que para uma continuação. E, ademais, só os nipônicos podem colocar as mãos na peça, quem se importa...



SISTEMA DE JOGO

Para uma total compreensão favor ler a detalhada descrição do Sistema de Jogo de F-Zero na pasta do Super NES no /newgen4 (http://gamesource.groups.yahoo.com/group/newgen4/files/%5B1%262%264%265%5D%20Super%20Nintendo/Reviews/**).

Depois de conferir o bê-á-bá da série, agora sim mais comentários poderão ser feitos:

. Para ilustrar o forte ritmo da ação, em Mute City IV, dentro de um segundo, o jogador, que antes estava se aproximando de uma via estreita, pode estar se vendo fora da pista (morte). Quem já jogou teve a chance não muito agradável de entender o exemplo anterior;
. Com respeito às novas fases e veículos, não saem da linha, como já pronunciado. Não inovam ou descaracterizam o segundo capítulo da série como um genuíno FZ. Implicâncias todos têm, no entanto o design das tracks e os atributos dos carrinhos zero escapam de quaisquer críticas restritas. Muitos saltos mortais, curvas acentuadas e equilíbrio nos motores é a regra geral. Adições justas.
. Como uma das legendas do review primevo demonstra, há um sem-número de retardatários na pista. São naves sem ambições de vitória que precisam ser ultrapassadas pelo corredor experiente de modo que elas não lhe causem retardo ou algum tipo de dano mais sério. Quando se deparar com tráfego pela frente tire o pé da tábua (se não for numa reta ou não tiver o governo do hover no momento) e utilize um dos cantos (jamais o meio), tomando cuidado também com as margens. A desaceleração do carro nos momentos de contato com outros é muito mais acentuada do que quando o próprio gamer é quem desacelera visando a ultrapassagem. Erros nessa manobra definem posições.
. A dificuldade varia de acordo com o próprio nível regulado pelo gamer, claro, e a copa escolhida. A diferença básica, numa mesma pista, em que os obstáculos nunca mudam, é que os oponentes correm mais rápido. O fato de o veículo não ser "invencível", mas suscetível a explosões, endurece mais as coisas. Ademais, para os desavisados que não perceberam, menos life significa menos velocidade máxima. Portanto mesmo levando metade do dano necessário para escangalhar com o hover de vez o jogador pode deixar o primeiro lugar escapar. O fator desafio é um dos que mais dão sobrevida a F-Zero/BSFZ2.
. Nos saltos, por menores que pareçam, o veículo é mais veloz do que pelo chão. Não fuja deles.
. Um turbo é-lhe concedido a cada volta. Administre-os.



GRÁFICOS

Seis anos depois, não melhoraram o visual em quase. Pode parecer preguiça em demasia, um excessivo relaxamento da "Big N", não obstante observe que para 1991 era uma imagem esplêndida e contemplativa, utilizando o chip Mode7 para todos aqueles rodopios nas arenas flutuantes (os fundos serrilhados continuam, embora de forma levemente menos acentuada). Talvez a única estrutura cujo progresso se encontra em evidência sejam os carros, nada de mais. Além disso, já foi explicado que a função dos títulos "BS" é apenas a de "anexos", ou seja, extras para games já consolidados no mercado. Ninguém pediu uma revolução. Ah, esses japoneses...

Para conhecer de perto as novas baterias incluídas no "circuito interplanetário" seque as fotos do artigo. Veja como são curiosos os novos estágios. Em um parece que tem uma pista estirada no meio da pizza – ops, uma pizza estirada no meio da pista!

SOM

Mudanças inexistem, exceto por algo até de considerável relevância em se tratando de softwares para uma máquina 16-bit: o jogo passou a ter um narrador! De resto, confira a avaliação do quesito musical na resenha do /newgen4 (link acima).



CONCLUSÃO

A não ser que, sem que eu soubesse, algum maluco já tenha convertido BS F-Zero 2 em ROM, jogá-lo é tarefa impossível para um brasileiro. Trouxe essa matéria mais como curiosidade. De qualquer modo, assim que o leitor tiver a oportunidade, deve experimentar, porque FZ é o clássico tipo adega: quanto mais tempo passa, melhor fica.

* A média que consta do review original é 7.975 e serviria perfeitamente para este jogo. O 8.3 é a média dos três reviews estrangeiros de BS F-Zero 2 do GameFAQs.com.

** O review em questão também está no http://xtudotudo2.zip.net, o que não exige seu status de membro Yahoo! Groups.

Agradecimentos a Oktoberfest e matt91486 do gamefaqs.com

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen

Escrito por wormsaiboty às 22:08
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Despeço-me agora desse ciclo de futebol no Blog, afinal ele é o X-TudoTudo e tem de ceder espaço a outros assuntos. Quem sabe assim o número de visitas de mulheres e desinteressados em geral (em pleno país da bola) aumente um pouco! Foram 79 dias só comendo a pelota (prévia da Copa, cobertura diária do evento e uma ressaca do caramba!), de 1º de maio a 18 de julho de 2006. Muito obrigado você que acessou os X-TudoTudo2 a 5 (com mais esse inconveniente das mudanças de conta) por todos esses dias lendo o máximo número de matérias que eu quase sempre pedia pessoalmente. É por pessoas como você que eu continuo trabalhando com afinco sem receber um centavo!

Escrito por wormsaiboty às 13:47
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

8

O Esporte a Longo Prazo – Futebol Também, Claro

Modalidades mistas? Homens e mulheres juntos e em pé de igualdade? A manipulação genética me faz entrever tal realidade. Marion Jones Neta poderá competir com Carl Lewis "Jr. Jr." na final dos 100m com status de favorita!

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 15:20
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

7

A Importância Esquecida do Psicológico

Talvez Felipão tenha resgatado (já que não é tão gabaritado tecnicamente) a uma importante arma subjetiva do futebol: o "bem-falar" é ótimo para o jogador profissional. Manipulá-lo, chegando a mentir sobre inexistentes qualidades, pode despertar o placebo mais poderoso de todos os tempos. Um título do mundo. Um caneco dourado. Tudo por conta de umas falácias aqui, outras ali. Os treinadores e as comissões dos clubes e seleções precisam aprender com o senhor Pinóquio. Claro que há que haver ética e bom senso no negócio todo – e o próprio Luiz Felipe Scolari escorrega quando pede para que seus comandados, carentes de talento, cavem faltas e partam para "quebrar os adversários" com uma freqüência inacreditável. Usem o diálogo não-agressivo. Na era do Fair Play é até redundante falar, mas tem uns brutos que nunca aprendem...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 15:16
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

6

Sobre a Arte de Bater Pênaltis

Os melhores são aqueles que se se bate no meio a bola entra. Um chute no ângulo pode até ser plasticamente mais bonito, mas só é certo por uma margem de centímetros (às vezes milímetros). Se a bola vai no meio e não encontra o goleiro na trajetória, são metros. Pênaltis centrais são mais bem-batidos que os de "periferia". Sabe-se que quem tenta um "golaço" de penalidade pode fazê-lo (e mesmo assim suar frio até segundos antes) ou pode isolar a bola na cabeça de São Jorge ou nos pés do seu dragão, lá na Lua, furando a bola em uma de suas unhas. Que micão! Para classes tête-à-tête, contatar Marcelinho Carioca e Romário.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

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Escrito por wormsaiboty às 15:09
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

5

Se Eu Tivesse uma TV...

Tendo pouco dinheiro e sem possibilidades de quebrar contratos de exclusividade das "emissoras campeãs", ia pegar todos os campeonatos de série B das principais ligas européias a baixíssimo custo, os de série A que ninguém transmite, a Copa da UEFA, Série C do Brasileiro, jogos da Copa do Brasil que ninguém transmite e estudaria até passar Campeonato Japonês e similares, além das Copas da Oceania, da Ásia e da África. Daria ou não daria audiência?

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

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Escrito por wormsaiboty às 15:05
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

4

Perder o Gás na Comemoração?

Uma das maiores burrices do jogador de futebol: jogando na altitude às vezes se poupa mesmo em lances onde uma esticadinha de perna resultaria num gol. Mas, quando tem a felicidade de fazê-lo (o gol), veja só, maltrata os pobres pulmões atravessando o campo só para abraçar o técnico, sem falar naqueles abraços cansativos daquela bando de atleta suado! Disso resulta que dificilmente a cena se repetirá: cansadíssimo, como um centro-avante ou um meia por mais habilidoso irá repetir a dose e balançar as redes? O jogo tem 90 minutos. Convenhamos que só é racional comemorar a valer quando o apito final decreta a vitória! Não vou nem falar daquele sambinha no ônibus da Seleção...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 15:00
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

3

Sobre Sites de Probabilidade de Futebol

Não é errado se não der a opção com maior chance númerica, afinal sendo a minoria maior que 0,0% a Matemática sempre permitirá que aquela outra opção também seja a indicadora do vencedor do confronto. Há que se analisar essas "diversões" (nunca encarar a sério) a longo prazo para saber a probabilidade com que ocorrem. Não falo nem de um Brasileirão inteiro só. Vai que é um campeonato atípico em que as probabilidades menores são as mais freqüentes. Acompanhe o Chance de Gol do Terra por 3 anos a fio antes de disparar conclusões. Mas, se quer saber, eu dispenso tal atitude. Se você é torcedor e vai conferir números para a vitória de sua equipe, pode sair – inexplicavelmente, porque aquilo não é nada – desanimado da página.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 14:47
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

2

O Fim do Cartão

Cartão amarelo e vermelho? Isso tem de acabar. Não estou falando de falta de precisão (então criar-se-iam cartão verde e azul para auxiliar, ou quem sabe laranja e violeta, um valendo 0,25 dum vermelho e metade de um amarelo, outro 3/4 do primeiro e 1 e 1/2 do segundo), mas sim da impossibilidade que se encontra na hora de "quantificar" a violência de uma falta. Soluções alternativas, em conjunto com o uso do cartão, não enxergo. Soluções para a substituição dos cartões enxergo várias, mas falo delas em outra ocasião. Só antecipo: o árbitro não tem nenhum papel nesse meu sistema. Sim, seria uma comissão julgadora pós-partida. No entanto, admito que no atual estado do STJD brasileiro seria impossível implantar esta ideologia, a ser furada por Luiz Sveiter e afins...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 14:38
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(MINI-)CRÔNICA DO WORM

1

Merecer ou Não

No futebol não há "merecia ter ganhado" a não ser por erros de arbitragem escandalosos, visto que essa história de ter atacado mais, pressionado o tempo todo, metido três bolas na trave, errado na cara, é besteira. Gol, diz o célebre Parreira (embora sua campanha recente me renda descréditos), é um detalhe. Um detalhe que decide, é verdade. Mas ainda assim um detalhe. E quem não tem a competência de fazê-lo perde. É cruel, sabemos. O futebol é o mais injusto dos esportes. Mas é assim e não precisa mudar: já é o mais amado, justamente por isso.

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 14:34
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Fonte: Revista VEJA – com várias modificações e comentários entre colchetes.

ESPECIAL – COPA DO MUNDO DO BRASIL

E quando chegar a nossa vez?

A questão não é mais se o Brasil vai organizar o Mundial de Futebol, e sim se ele será tão bom quanto o da Alemanha, em 2006 [não: o quanto ele será pior: é inevitável; e se faremos papelão ou ocorrerá tudo sem COLOSSAIS percalços]

Por André Fontenelle

Ninguém duvida que o Brasil abrigará a Copa do Mundo em 2014. Não há outros candidatos desde que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) definiu a América do Sul como continente-sede e os países vizinhos declararam apoio unânime ao Brasil [só um momento: da publicação desta matéria para cá algumas coisas mudaram. A Colômbia do narcotráfico e o Canadá do... nada!... podem roubar esse "privilégio" – que eu julgo que será um caos e não resolverá problemas infraestruturais nas capitais]. A pergunta é, agora, que campeonato o país será capaz de produzir dentro de nove anos. Caótico, como o do México, em 1986?

Organizar uma Copa do Mundo está, em tese, ao alcance de qualquer país que tenha um mínimo de oito estádios com capacidade para 40.000 ou mais espectadores, exigência básica da FIFA. O Brasil possui pelo menos quinze. Realizar 64 partidas de futebol no espaço de trinta dias não é uma tarefa impossível. Transmitir via satélite esses jogos há muito tempo deixou de ser uma façanha. Tampouco é complicado hospedar 31 delegações estrangeiras, com cinqüenta pessoas cada uma, e oferecer-lhes bons campos de treino [você que pensa].
A parte fácil termina aí. A difícil está resumida numa equação que contempla habilidade política e um dossiê de candidatura sólido – e é por isso que o Brasil não sedia uma Copa do Mundo desde 1950. Até hoje, sempre que a Confederação Brasileira de Futebol pretende organizar o torneio, esbarra em competidores mais qualificados. No processo habitual, cada país candidato vende seu peixe à entidade máxima do futebol. Os 23 membros do comitê executivo imediatamente inferiores na hierarquia a Sepp Blatter elegem, então, o melhor de todos. O Brasil teve duas derrotas recentes. Para 1998 a França foi escolhida [não bastasse a derrota na Final]. Para 2006, a CBF desistiu antes da votação, que ficou entre Alemanha (a vencedora), África do Sul (que ganhou a disputa para 2010, restrita a nações africanas) e Inglaterra [em troca do apoio sul-africano para nosso Mundial em 2014]. Desta vez, [quase] sem rivais, basta ao Brasil provar que é capaz de dar cabo da missão, sem precisar mostrar que o fará melhor que os outros.

O caderno de encargos em que a FIFA lista suas exigências é detalhadíssimo. Especifica até o número de sanitários no vestiário de cada time (três [só?]). Também relaciona uma série de privilégios para os dignitários da entidade, como isenção de impostos durante a Copa, 250 carros, dois jatinhos privados à disposição e um hotel "de primeira categoria" para 250 pessoas [que beleza!]. Até aí, nada inviável. A maior despesa é mesmo com os palcos da competição [e com o transporte público]. Adaptar os modestos estádios brasileiros às recomendações técnicas da entidade exigirá reformas colossais, e eventualmente até a construção de novas instalações [sem dúvida]. Nenhum, nem mesmo os mais recentes, cumpre com os requisitos básicos [nem o Morumbi ou a Arena da Baixada (que tem lugar para menos de 30 mil), os mais modernosos], a começar pelo conforto do público. A organização com Blatter à frente recomenda que todos os espectadores tenham assentos individuais, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura. Banheiros limpos e em número suficiente, corredores de entrada e saída largos e tribunas de imprensa bem equipadas são raridades nos campos brasileiros.

A Alemanha gastou 4,5 bilhões de reais – equivalentes ao custo da transposição do Rio São Francisco, projeto-símbolo do governo Lula – para construir cinco estádios e reformar outros sete para o Mundial do próximo ano [e um dos melhores estádios do país, usado nas Olimpíadas de Berlim e em ótimo estado de conservação, foi sumariamente descartado pelos avaliadores]. Dois terços desse total foram financiados pela iniciativa privada. Certamente é possível reformar os estádios brasileiros gastando menos, a começar pela mão-de-obra mais barata. A África do Sul, sede do Mundial de 2010, anunciou despesas de apenas 250 milhões de reais com os estádios – valor que provavelmente aumentará até lá. Mas, em um país como o Brasil, com prioridades mais urgentes, licitações constantemente fraudulentas e obras superfaturadas entregues com atraso, a idéia de erguer novos estádios certamente encontrará resistência. Um ponto polêmico, em parte por razões sentimentais, é o uso do cinqüentão Maracanã, no Rio de Janeiro, palco da final da Copa de 1950. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, defende sua demolição para a construção de um novo estádio [ABSURDO]. Para ele, é possível fazê-lo sem uso de dinheiro público: "Essa Copa só pode ser feita pela iniciativa privada". [não, não, não: tá tudo errado. O terceiro setor não banca esse evento onírico e o Estado não pode com as despesas, também, porque invariavelmente sobraria para o povo em formato de mais impostos]

Por causa do gasto com estádios, Copas do Mundo costumam dar prejuízo no balanço final. O cálculo não leva em conta receitas difíceis de estimar, como aquela arrecadada com a promoção do turismo. Teixeira afirma que a Copa aqui terá enorme impacto financeiro e turístico. Mas, mesmo que as despesas do Brasil sejam menores que as da Alemanha, algumas receitas certamente também serão. Os alemães prevêem faturar 500 milhões de reais com ingressos, vendidos a um preço médio de 150 reais. Aqui, dificilmente se encherão arquibancadas cobrando o equivalente a meio salário mínimo. A CBF acredita poder resolver o problema com um esquema de financiamento: o torcedor pagaria seu pacote de entradas em módicas prestações mensais.

Outra questão importante é a quem caberá o comando dessa tarefa. Em outros países, a organização da Copa costuma ser liderada por notáveis do futebol local. O ex-jogador Michel Platini presidiu o comitê organizador de 1998, na França. Em 2006, a honra coube a Franz Beckenbauer, maior nome do futebol alemão, e que assistiu cerca de 80% das partidas diretamente nos estádios. Ainda que a função seja em grande parte simbólica, implica tomada de decisões importantes. "Não me envolvo em cada projeto específico, mas sou eu quem conversa com a FIFA e o governo alemão sobre ingressos, hospedagem e outros assuntos. É um desafio diferente para mim", diz Beckenbauer, campeão mundial como jogador em 1974 e como técnico em 1990 [único além de Zagallo]. No Brasil, por ora, o comitê organizador se resume ao presidente da CBF, que não dá sinal de querer largar o osso nos próximos nove anos [o adiamento do Hexa pode ter algum peso nas próximas eleições]. Teixeira promete que o comitê da Copa será de "primeiro nível", formado por notáveis do empresariado e de outras áreas e ninguém da CBF. Em 2014, quando a entidade comemora seu centenário de fundação [ihh], Teixeira terá completado um quarto de século à frente do futebol brasileiro. Perpetuou-se sem oposição graças a uma política de troca de favores com os presidentes das federações estaduais, seus principais eleitores. Dado como moribundo em 2001, ano em que duas comissões parlamentares de inquérito sobre o futebol quase o derrubaram, Teixeira deu uma aula de sobrevivência. O processo que o acusava de evasão de divisas, resultado da CPI do Senado, empacou por questões técnicas. O cartola recuperou-se de vez em 2004, quando fez um agrado ao presidente Lula e levou a Seleção Canarinho, com Ronaldo, para um amistoso no Haiti ocupado pelas forças de paz brasileiras [arriscado, muito arriscado; desnecessário, plenamente desnecessário].

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Escrito por wormsaiboty às 14:10
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Resta a questão política. Mesmo que o setor privado banque a Copa, do apoio governamental depende boa parte do sucesso de uma competição, e até 2014 haverá duas eleições presidenciais. Não há como saber, portanto, qual o Brasil que acolherá a Copa [eu sei: um Brasil sem os tentáculos do PT no Palácio da Alvorada]. A história mostra que escolhas feitas com grande antecedência podem dar errado. Em 1964, a FIFA elegeu a Argentina como sede do mundial de 1978. Não se levou em conta a instabilidade política. Catorze anos depois, o país estava mergulhado em uma bárbara ditadura militar e por pouco algumas nações não boicotaram o torneio. A entidade aprendeu a lição e passou a escolher as sedes com seis anos de antecedência. Embora o Brasil esteja quase certo de ter a Copa, nada impede que se mude de idéia até 2008, ano da divulgação oficial.

[Japão e Coréia gastaram 14 bilhões: jamais a FIFA realizará novo Mundial-dual.A África do Sul quer gastar uma miséria no entanto cobrar aproximadamente 380 reais por cada ingresso – apartheid parte II]

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As exigências da FIFA para organizar uma Copa

Países que desejam sediar uma Copa do Mundo têm que se submeter a uma série de exigências, expressas em um extenso caderno de encargos. Estes são os principais requisitos contidos no documento:

• Garantias do governo do país: vistos de trabalho a todo o pessoal estrangeiro envolvido com a Copa do Mundo; isenção de taxas alfandegárias para todo o material relacionado ao evento; segurança; livre transferência de divisas; infra-estrutura adequada de transportes e telecomunicações.

• Infra-estrutura esportiva: oito a doze estádios, com capacidade mínima de 40 000 pessoas (até as quartas-de-final) e 60 000 pessoas (partida de abertura, semifinais e final). Os campos de jogo devem ter 105 por 68 metros, grama natural [isso acabou de mudar: os gramados alemães provocaram tantos escorregões que a FIFA anunciou gramados sintéticos na África] e espaço em volta de pelo menos 6 metros (7,50 metros atrás do gol) para proteger e acomodar reservas, fotógrafos e câmeras de televisão. Os estádios também devem ter iluminação de padrão internacional e salas adequadas para imprensa, funcionários da FIFA e antidoping [não é muito bem sala: as "cabines de transmissão" foram substituídas por espaços "ao ar livre" para os duetos narrador-comentarista das emissoras no último Mundial].

• Comercialização do evento: o país candidato deve reconhecer o direito exclusivo da maior entidade do futebol para a exploração comercial da Copa - publicidade, marketing, licenciamento, direitos de transmissão. Ela própria cede parte desses direitos ao comitê organizador.

• Contrato de candidatura: o país organizador se compromete a vender uma quantidade mínima de ingressos, pré-determinada, e a contratar um seguro que cubra "responsabilidades relacionadas com a organização e a realização da competição".

• Alojamentos: é preciso hospedar 32 delegações de até 50 pessoas, o pessoal da FIFA (250, estas em hotel "de primeira categoria"), os árbitros e bandeirinhas (80) e dar assistência aos jornalistas para que encontrem hospedagem.

• Transporte: o comitê organizador deve providenciar um ônibus, um mini-ônibus e dois carros para cada seleção; dois ônibus e mais de 200 carros para a delegação da FIFA; um ônibus, dois mini-ônibus e um carro para os árbitros; e um ônibus para a imprensa.

• Venda de ingressos: o comitê organizador deve estabelecer preços realistas [certo, África do Sul?] para as entradas. Todos os assentos devem ser numerados e parte dos mesmos deve ser reservada ao pessoal do comitê organizador e aos dirigentes de cada Seleção.

• Finanças: gastos infra-estruturais ficam a cargo da federação de futebol do país e do governo local. O comitê organizador tem direito a uma porcentagem sobre o eventual lucro obtido com a realização da Copa.

[• Vejo problemas também para os hospitais: jogadores podem contar com atendimento de primeira qualidade e gratuito nas cidades-sede. Mas onde existe essa combinação no Brasil?]

Escrito por wormsaiboty às 14:09
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Fonte: Revista VEJA – com várias modificações e comentários entre colchetes.

(8 de março de 2006)

Fotografia

IDOLATRIA, DRAMA E ESPETÁCULO

O livro "Brasil, Um Século de Futebol" faz um inventário fotográfico de como o jogo inventado pelos ingleses se aclimatou ao sul do Equador

Por João Gabriel de Lima

O Futebol não é plástico como o Basquetebol ou a Ginástica Olímpica. Ele proporciona poucas cenas comparáveis ao famoso vôo de Michael "Air" Jordan estampado na revista americana Sports Illustrated ou às piruetas de Daiane dos Santos exibidas na televisão do mundo inteiro [descordo: por acaso o autor da matéria não contempla o esporte bretão?]. É, no entanto, o mais dramático dos esportes, aquele em que nem sempre vence o melhor e uma única falha – uma jogada heróica ou um lance de sorte do atacante – pode decidir um jogo. Existe pouca acrobacia no livro "Brasil, Um Século de Futebol: Arte e Magia" (Aprazível Edições, 204 páginas, R$130), um magistral inventário fotográfico de como o jogo inventado pelos ingleses encontrou sua melhor expressão ao sul do Equador. Nas 179 imagens compiladas de um universo de mais de 40.000, o editor Leonel Kaz privilegiou o drama, a surpresa e a vibração. Um exemplo é o retrato do goleiro uruguaio Máspoli consolando o capitão brasileiro Augusto, emblemático da derrota da final na Copa de 1950 – que soa, em sua eloqüência, como uma pietà do futebol. Outro é a foto que mostra a fachada de um cinema que anuncia, em vez de um filme, o jogo Brasil e Polônia. Como em 1938 ainda não havia TV, multidões faziam fila para ver as imagens inéditas de um dos jogos mais emocionantes da história da Copa do Mundo, vencido pelos brasileiros por um inacreditável 6 a 5 [com direito a gol de pé descalço!].



O tom dos textos, escritos pelo próprio Kaz e pelo jornalista João Máximo, evita acertadamente o ufanismo. Ao contrário do que diz o clichê, os jogadores brasileiros não são mais criativos do que os húngaros (vide Copa de 1954), os holandeses (de 1974) ou os argentinos (de 1986) [você é mestre em se opor a meu ponto de vista]. A rigor, a supremacia nacional na história das Copas do Mundo se deve, com certa elasticidade, a duas gerações excepcionais de craques, a de Pelé e a atual [não. Vide fiasco de junho]. Destas conquistas são emblemáticas as fotos de Garrincha, torto para a esquerda, deixando um goleiro literalmente de quatro, e de Rivaldo, torto para a direita, driblando zagueiros alemães. Elas mostram como o futebol, em contraposição aos vôos do basquete, à precisão do vôlei ou à coreografia da patinação, é um esporte de desengonçados triunfantes. O livro mapeia também os primórdios da transformação do esporte em espetáculo, com um "star system" todo particular. Numa das imagens, um ídolo futebolístico da belle époque, o elegantíssimo goleiro do Fluminense Marcos Carneiro de Mendonça, titular da primeira Seleção Brasileira, é admirado por moças de chapéu e rapazes de terno [rapaz: elegante mesmo é o tal do Zinedine Zidane!]. Páginas adiante aparecem outras cenas de idolatria explícita, como os craques da década de 50 Zizinho e Ademir posando com as campeãs do concurso Miss Elegante Bangu – precursoras das modelos que assediam os craques nos dias de hoje [Raica Oliveira e derivadas]. O ídolo flamenguista e são-paulino Leônidas da Silva foi provavelmente o primeiro jogador a ganhar dinheiro com a própria imagem. Seu apelido Diamante Negro virou nome de chocolate. A condição de estrela não evitou que, já famoso, passasse oito meses na cadeia por falsificar um certificado de reservista.

As fotos mostram também como o futebol se tornou a expressão máxima daquilo que o Brasil escolheu, nos anos 30, para ser sua identidade nacional – a mistura de raças [o que não quer dizer que todo dia me apareça um hipócrita racista pela frente]. A trajetória da segregação à miscigenação está exemplarmente expressa nas páginas do livro. Uma das imagens traz a arquibancada privativa dos sócios do aristocrático Fluminense do início do século XX – o clube não aceitava negros entre sócios e futebolistas. Em 1914, o jogador Carlos Alberto Fonseca Neto, mulato, decidiu passar polvilho no rosto para embranquecer. Foi daí que o tricolor carioca recebeu o apelido de "pó-de-arroz". Não há no livro foto de Fonseca Neto, mas existe uma imagem ainda mais impressionante. É de outro mulato, Arthur Friedenreich, o Pelé do início do século passado, com cabelo alisado artificialmente e uma leve maquiagem. Embora a mestiçagem tenha sido glorificada por Gilberto Freyre nos anos 30, o futebol levou tempo para superar o preconceito. Na famosa derrota para o Uruguai em 1950, parte da crônica esportiva culpou dois negros – o goleiro Barbosa e o lateral Bigode – pelo fiasco no Maracanã [não estou nem aí para a cor de Roberto Carlos e Cafu, os novos culpados: aprendam a dignificar uma camisa de um país – quem sabe em outra encarnação]. Em 1958, o time que estreou na Copa da Suécia contava apenas com um negro, Didi (isso porque, dizia-se, seu reserva, Moacir, tinha a pele mais escura do que a dele [haha, meu Deus]). O próprio Didi interveio, ao lado de outros jogadores, para que Garrincha e Pelé fossem escalados, e graças a ambos o país foi finalmente Campeão do Mundo. Era o triunfo do Brasil mestiço, o fim do que Nelson Rodrigues chamava de Complexo de Vira-Latas (e o princípio da constituição de outro, que deu as caras recentemente: o Complexo de Pit-bull). A melhor expressão desse país vitorioso é a foto de Pelé subindo de olhos abertos para cabecear uma bola na partida contra a Itália, na final da Copa de 1970, num impressionante vôo que lembra Jordan no Chicago Bulls. Pensando bem, o futebol pode ser, sim, extremamente fotogênico.

Escrito por wormsaiboty às 13:29
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MEU MANUAL

Diário de bordo.

Ah, queria transplantar um pouco da minha sabedoria teórica no futebol para dentro de campo. Seria tudo tão mais fácil... Taticamente eu não tenho problemas (estou falando de mim na prática, porque está evidenciado pela minha cobertura do Mundial da Alemanha que de futebol, pela telinha, eu entendo!). Acontece que nem tudo sai do jeito ideal. Deve ser minha retração. A timidez típica dos pernas-de-pau. Quando não a simples falta de coordenação motora. Eu sei o que devo fazer. Como e onde estar. Mas muitas vezes não o faço. Sinto-me inseguro a cada passo adiante que dou num campo ou numa quadra. Estar além da intermediária é uma situação que me borra de medo. Sou bom (e esse bom ainda é "ruim, muito ruim"!) é ali, no miolo de zaga. Ou debaixo das traves. Quanto mais para trás, mais seguro fico. Reconheço que isso parte outrossim da cultura nacional: na Itália, perebas jogam na frente.

Careço de noção de tempo na movimentação e também com a bola no pé. Minhas tentativas de passes mais complexos saem frustradas. Faltaria, ainda que tivesse a noção perfeita, a técnica para colocar a bola onde eu quereria. Eis meu manual. Devo aprender com meus erros. Devo ler esse textículo de tempos em tempos e aprimorar-me com base naquilo que mais me dá vexame. Mentira! Devo mesmo é jogar bola...

Faça o que eu digo; não faça o que eu faço. Juro que é só a Copa ou... bom, ela já passou. Apenas a ressaca da Copa, então. Assim que der, combino um futebolzinho com a galera. Isso se as férias não passarem voando, é claro. Se não der vontade de postar mais no Blog. Se... são tantas as variáveis! Quer saber? Deixa pra lá.

Rafael "Ceni" de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 03:47
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VAMOS FAZER A TRANSIÇÃO

Por que é que não podemos comparar aquele futebol com este? Pode-se sim. Não é que só tenhamos colunistas e comentaristas caquéticos na imprensa brasileira, só que está na hora de passar o cetro. Tostão, Juca Kfouri, mais uma miríade de outros só da ESPN Brasil, Falcão, Armando Nogueira, Kajuru e demais acima dos 40 ou 50 anos deviam ceder lugar aos próximos da fila. Ou mudar de atitude, o que eu acho pouco provável a esta altura.

Essas personalidades supracitadas crêem no futebol como "coisa que era melhor no passado", independentemente do que seja dito. Botafogo é Garrincha mais meia dúzia de craques imortais e não se fala mais nisso. O Flamengo foi Zico. Vasco isso. Corinthians aquilo. Palmeiras aquele outro. A Seleção, então, se resume a um esquadrão menor do que 23 jogadores, posso garantir (juntando os "realmente bons" de todos os tempos, no critérios destes rígidos sábios da televisão ou dos jornais tupiniquins – eu diria "e" ao invés de "ou", porque quem está em um está no outro, ou ACABA no outro quando começa só em um veículo: um verdadeiro cartel).

A transição é a seguinte: se o futebol agora é mais feio ou mais bonito, deixemos para lá. Eu só quero saber de assistir meus jogos e minhas mesas redondas em paz, sem essa dose extremada de saudosismo. Tendo não mais do que meus 18 anos eu penso que é um saco encher lingüiça de gente hoje no máximo gagá e que o telespectador (principalmente o da TV paga) merece um tratamento melhor. Atenham-se ao presente, caros colegas de profissão. Esqueçam as comparações cronológicas. Podem usar Romário, este eu deixo. Afinal, nada indica que o Baixinho já pendurou as chuteiras...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF e arca com despesas de TV a cabo em sua casa (na verdade seu pai)

© 2006 NewGen – Futebol


Escrito por wormsaiboty às 03:12
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NADA DE ESCÂNDALO – ESTÁ TUDO (absolutamente) NORMAL – Tirando que a Seleção não é mais a mesma...

[São 3 posts, portanto leia até o final!]

Certo dia (ou melhor: no dia subseqüente à eliminação brasileira na Copa) um amigo meu me intercedeu no MSN Messenger com a fala "curta isso" ("curte isso", mas eu estou "cultizando" a conversação). Era um scrap. Era para ser um scrap. Não tenho Orkut (não quero convites, tampouco – na verdade você ainda usava fraldas quando eu fiz meu primeiro perfil). Acabou sendo um e-mail. Não vou transcrevê-lo aqui, apenas sintetizar sua idéia central:

"A verdade é que é tudo muito suspeito. Todos os resultados dos últimos anos, sobretudo os dois Brasil e França das três últimas Copas do Mundo nos fazem crer que houve compras de resultados aqui e acolá. O futebol é uma grande farsa. Queira ou não, não existe (mais) amor neste esporte. Números tais e tais comprovam o dito"

Não quero ser nenhum contestador absoluto, mas meu ponto de vista é o seguinte: a verdade é que não jogamos bola o tempo todo, apenas isso. Vinícius insiste na argumentação, agora "tête-à-tête": "nada a ver, Aguiar [depois eu explico essa história]".

O fato de ter time não implica na vitória automática. Os componentes da delegação brasileira cometeram o erro de embarcar pensando que eram os virtuais campeões. Virtuais não: matematicamente os campeões. Que era só entrar em campo e a mágica seria feita, cada um jogando em seu máximo ou não, afinal estavam entre os companheiros mais confiáveis da história de uma modalidade esportiva e se não fosse o dia de um era o dia dos outros 10. Plantou-se uma superioridade grotesca, só porque o Brasil ganhou tudo nesses quatro anos, só porque ficou milímetros à frente da Argentina nas Eliminatórias, só porque tínhamos o Gaúcho, só porque... "Só porque", sim! Ainda acho isso muito pouco. Bom: a Argentina foi a primeira nas Eliminatórias para o Mundial 2002; favoritos acabam se complicando (e o país já sabe disso); Grécias, Turquias e Croácias vivem surgindo e fazem nome passando por cima dos grandes; subestimação pouca dos adversários é bobagem. Por estes motivos nenhuma equipe entra campeã. Têm de suar. Não embarcam só para a entrega de medalhas. O vôlei masculino que o diga.

Vou empregar as falas de Vinícius entre aspas para poder respondê-las em seguida (desculpe se estiver cometendo um ato de covardia, às vistas de vocês: se ele quiser – e logo logo mostrarei este post a ele – terá neste mesmo Blog um espaço dedicado à livre tréplica!):

[As aspas foram adaptadas somente para que caíssem no "linguajar do Blog" – não houve alteração no conteúdo expresso pelo meu amigo. Se ele não gostar do modo com que aqui está postada sua retórica requisitará as devidas alterações ou a eliminação deste artigo. Não editei nada para que eu parecesse o "vencedor". Fui refutando o ideário dele, de modo que a decisão do ganhador está em aberto e cada leitor pode tomar seu partido (ressaltarei isso no final). Minhas respostas estão maiores que as de Vinícius unicamente pelo fato de eu sempre falar mais do que o normal, com qualquer pessoa – quem me conhece já sabe! Eis o filé do debate:]

1. "Foi o único jogo em que não jogamos"

Não foi. A própria mídia concorda no contrário: só funcionamos contra o Japão, e por dois motivos: 1) a lateral estava rejuvenescida; 2) o time japonês era débil.

2. "Na Copa das Confederações..."

Ah, na C.C.! É por isso que eu digo: quando veio a Copa das Confederações de 2005 o favoritismo do Brasil se devia exclusivamente à conquista da Copa do Japão/Coréia, afinal as Eliminatórias estavam sendo um novo sufoco (e continue esperando a repetição do padrão daqui para frente). Argentina e Alemanha (uma bem, outra mal mas jogando em casa) tinham um número equivalente de apostas que o Brasil, posso assegurar. Não havia um favorito disparado. Além disso, foi a "competição dos reservas". Quem jogou? Cicinho, Robinho... O brasileiro é que não sabe perder e vai buscar lá atrás a "resposta".

3. "Não é questão de o brasileiro não se agüentar ver em quinto ou coisa parecida, é que ele não enxerga a verdade"

Brasileiro apela. Não sabe perder. Isso desde o tempo do ronca. A Seleção (se fizesse escala por aqui, coisa que não fez) sairia do Brasil "Rumo ao Hexa" e debaixo de kilos de arroz, como uma linda noiva. Ainda bem que também nem voltou, porque seriam recepcionados aos socos e pontapés. Principalmente um jogador sem raça como Roberto Carlos, qualidade que é a principal exigência (com razão) da torcida. A Copa não foi feita para ganharmos sempre. E por que logo nossa nação, tão pobre em investimentos, tão corrupta? Nacionalidade brasileira não significa vitória no esporte mais praticado do planeta. Se é o mais praticado, muitos outros Estados têm condições de criarem problemas. Oscar, do basquete, diz que treino é tudo. É só olhar para as cobranças de falta de Ajeitando a Meia Carlos que a fala se confirma.

4. "A França venceu sem méritos. E o Parreira não seria mongol de deixar uma equipe dessas ser dominada por outra mais fraca"

Concordo que o Parreira não seja nada bobo. Mas ele não pode entrar em campo e fazer o que seus jogadores não entenderam. Ele deve ter dado comandos incisivos no intervalo: "não usem tanto o meio". O meio-de-campo francês é congestionado. E os astros brasileiros, tão inteligentes, centralizavam todo tipo de jogada. Como cereja do bolo, tratavam de errar passes ridículos. E quase todos eram muito apáticos. Como furar um "bloqueio de time mais fraco" atuando desta forma?

5. "Em 2014 eu volto a falar com você" (foi de cortar o coração, quase pensei que sofreria 8 anos de saudade do meu amigo. Posteriormente Vinícius esclareceu que era em termos futebolísticos)

Postergar a "descoberta do esquema de compras" não é comprovar sua existência. Por que em 2014 vou saber que as Copas de 2002, 2006, 2010 e 2014 foram definidas nos bastidores se em 2006 eu ainda não vi nenhum dado que não deixe dúvidas de que em 1998 ou 1994 também houve a mesma coisa? Raciocínio lógico.

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Escrito por wormsaiboty às 18:26
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6. "Até lá, Ricardo Teixeira será o Presidente da FIFA"

Impossível: a CBF tudo bem, mas a maior entidade do futebol não é a extensão do quintal desse flamenguista.

7. "Você que pensa..." (Vinícius é flamenguista!)

Acabo municiando ao meu rival dizendo "Parreira é da banda podre (da banda do Ricardo), Felipão não era". "Pois então", comenta Vinícius, como que balbuciando para que eu mesmo chegasse a uma conclusão nefasta. Eu acredito que o Penta veio pela fraqueza das outras seleções e pelo esquema 3-5-2, que não sobrecarregava os laterais (velhos) do Brasil. Vinícius não...

8. "Chamaram o Parreira porque ele era o único que aceitaria algum tipo de acordo e deu no que deu!"

Se ele é o único, em primeiro lugar, não haverá acordo em 2014, estou certo? Em 2º, a Copa não será aqui porque este país não tem infra-estrutura. E, derradeiramente, sua chance de acerto é enorme ao falar isso: Parreira aceitou levar uma bolada para perder. Poderia ser o contrário, não? Mas falando isso você tinha um índice de acerto de 31 em 32 (tirando Costas Ricas e afins...).

9. Insistência do herói Vinícius (debater comigo é difícil!): "Não teve relação com esquema tático / e volto a dizer que na Copa das Confederações o Brasil jogou: aí é que está; ninguém quer compreender a verdade".

Se está ou não no esquema tático o segredo da vitória em 2002 e o da derrota em 2006, nunca terei a presunção de cravar. É meu pensamento sobre o ocorrido. Não quero saber de conspiração fora de campo. Trato do que vi nas quatro linhas. Mas como é impraticável voltar no tempo, convencer os técnicos a pôr o Brasil em outro esquema só para ver no que vai dar e conferir o resultado, então ficaremos na dúvida quanto a este ponto. Para o futebol apresentado eu já afirmei e vou afirmar de novo: você esperava um baile daqueles que o Brasil deu na Argentina sempre, num piscar de olhos ou estalar de dedos? No futebol há dois times. De vez em quando um resolve colaborar. Quase nunca há colaboração numa Final. Houve daquela vez. A Argentina não jogou tudo que sabe, todavia evidentemente que o Brasil deu espetáculo. Veja que na Copa houve duas situações parecidas, uma envolvendo a própria Argentina, que passou do inferno ao céu: 6 a 0 na Sérvia; além de Espanha 4 x 0 Ucrânia. Placares ilusórios, enganosos. Não é a "deidade" de uma equipe, apenas a fragilidade da outra. Para um time "vingar" contam milhares, senão milhões, de fatores. É loucura achar que se o Brasil não vingou em 2006 foi por culpa de um esquema de mala preta.

10. "È. Mas jogar com raça e perder é uma coisa. (Não) Jogar como (não) jogaram é outra. Parece que eles nem entraram em campo..."

É, eu concordo. É até doloroso afirmar, cara. Mas veja que sujeitos como esses não têm mais pretensões salariais. Eles não venderam a bandeira por dinheiro. Venderam porque valorizam seus corpos e não queriam ficar cansadinhos, ou estavam enjoados de toda essa badalação. Enganaram-se pensando que o Hexa viria aos trancos e barrancos. Nada mais. Falta de raça não deve ser confundida com postura mercenária sempre. Falta de raça é falta de raça! É uma debilidade grave. Falta de patriotismo, para a qual não há absolvição. São uns desgraçados e reis da soberba e da empáfia. Prefiro crer nisso. Além do mais, percebam que o futebol é o único deporto em que o pior pode vencer. Ademais, o Cafu já estava me enojando, e me enojou ainda mais com suas declarações póstumas. O Brasil era o melhor. Quem sabe até o começo do mata-mata. Ali é lei da selva. Ali quem fala e não prova é substituído por outro, perde a coroa. Agora, a França é melhor. O que não impede o Brasil de vencê-la num próximo amistoso, porque o pior pode vencer no futebol! Aliás, isso de melhor está ficando ilusório: a diferença entre perdedor e ganhador é cada vez mais próxima do "nula".

11. "Quem duvidaria do título da Juventus? Quem? Ninguém! A mesma coisa se aplica à Copa do Mundo"

Tá, tá. Campeonatos Italianos à parte, estamos tratando de Copa do Mundo. A Juventus acaba de ser punida, inclusive. Perdeu dois scudettos, foi para a série B com 30 pontos negativos (isso mesmo!) e perderá todos os astros (muitos tetracampeões pela Itália). Uma autêntica humilhação. Quando algo parecido acontecer com uma seleção, avise-me. Esquemas do tipo um dia são descobertos. A lição número 1 de todo ladrão é que não há crime perfeito. Nem no cinema, quem dirá na vida real. Para entender esse postulado: o próprio Brasil foi capaz de desvelar a Máfia do Apito e reconstruir aqueles 12 resultados. Se o Brasil pode, todos podem... Enervei-me neste ponto. Chamei Vinícius de anti-desportivo.

12. "Não fique bravo comigo, fique com os dirigentes. O sistema é assim e ninguém quer ver"

Eu disse que odiava teóricos do Apocalipse. Conspirações é o que mais se vê por aí hoje em dia. Sociedade arregimentada num sistema desses é no que dá. É inescapável. A não ser na abstração de algumas mentes, que tentem desenhar uma realidade paralela mais reconfortante (ou então pior, de vez, querendo chocar quem ainda pensa que o mundo é uma maravilha). E quer saber: eu me recuso a ver, como disse Vinícius. Quem é que não se recusa a ver idéias tão esquisitas de tão mirabolantes? A Lógica rema contra tudo isso de "dinheiro no futebol". Logo você, Vinícius, que faz Filosofia! Perdi o controle, confesso, naquela conversa, e cheguei a dizer que ele não caísse nessas correntes babacas de e-mail.

13. "Não foi uma corrente repassada que chegou até mim. Foram informações que eu colhi. E montei o e-mail para você"

Não fiquei sem-graça pelo adjetivo usado. Gosto de ser honesto. Disse que ele estava irado. Irado com a coisa errada. Não pode ser com o futebol. Tem de ser contra o sistema, mesmo. Não ESSE sistema, idealizado por ele, mas o Capitalismo. "Ó, mais um revolucionário de araque! Eu sabia! Vou parar de entrar neste Blog!". Não. Não ainda. Calma. Não viveremos fora do Capitalismo. É até cretino chamar desse nome e continuar evocando "Socialismo" ou "Terceira Via". Pense no Capitalismo como sinônimo de vida ou realidade. Não há como fugir. Todo ser humano estará preso a ele até última ordem, fim dos tempos ou coisa parecida. No entanto, se é para odiar, odeie a própria realidade em detrimento do futebol, um pedaço glorioso dessa realidade tão mesquinha. A culpa é da realidade na medida em que a ganância do ser humano já ficou tão patente que as pessoas começam a enxergar tudo como mercadoria. Tudo como "vendível". E tudo é, de fato, mas não se pode ocultá-lo. E quando se trata de uma mercadoria chamada "futebol mundial" o outro lado do homem (o altruísta) entra em ação: fiscaliza as tentativas de fazer operações grandiloqüentes do gênero. É do outro mundo achar que alguns sujeitos controlam esta paixão do planeta Terra. São muito fracos perante a soma de pessoas que aprecia o futebol. E o público é tudo no futebol. No final das contas é a massa que o regula.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 18:26
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14. "Aguiar, engano seu pensar que o futebol não é um produto do Capitalismo! No mundo de hoje tudo é produto do Capitalismo... No caso do futebol isso começou em 98. Quando eu digo que o futebol é uma farsa me refiro a 'de lá para cá'"

Posso até ter sido meio ingênuo. Mas daí a, além de afirmar contundentemente haver um esquema corruptor, você dar até a data de fundação dele? Que ambição! É coisa das novas gerações pensar assim. Influenciadas pelas velhas, aliás: "no meu tempo o Brasil jogava o futebol-arte", diz o comentarista. Insatisfeitos, os jovens vão a piquete, tentam justificar a ausência do conjunto beleza/vitória nas atuações contemporâneas da seleção de seu país. Particularmente no Brasil, esta escola sagrada. Mas não duvido se o mesmo não ocorra na Argentina, na Hungria ou na Holanda.

15. "Em 82 o Brasil tinha o melhor time de todos os tempos. E perdeu. Mas perdeu de verdade. Sem acordos. Perdeu porque perdeu. Em 1950, igual. Só que com a entrada de Blatter a História mudou. As pessoas se recusam a acreditar. O futebol perdeu a inocência. Surgiram empresas de material esportivo (Nike, Adidas). Até a Copa de 94 as coisas eram naturais, era o verdadeiro futebol"

Afirmando isto cai-se na armadilha de dizer que "quando o futebol era honesto o Brasil foi o maior campeão de todos os tempos e, agora, nada mais importa, pois é roubado". Outras culturas devem odiar saber disso. Os franceses então... Porque é muita coincidência o esquema blatterino se iniciar quando o Brasil perde uma final por 3 a 0. Com a disseminação midiática (que não havia em 1950), claro que a dor da perda (sempre maior quando brasileira e no futebol) teria que ser direcionada para algum canto, descontada em alguma vítima. No caso, repito, o futebol. Outro ponto: é a inocência no outro extremo crer que antes tudo era pureza, também. Houve maracutaias sempre aqui e ali. Nunca tão grandes, capazes de decidir uma Copa. Porém nada impede que os clubes italianos estejam completando seus centenários de existência junto com outros 100 de roubalheira.

A idealização do "verdadeiro futebol" não é, tampouco, sadia: o futebol da Copa de 1990 foi o mais feio de todos. Não há sujeito que discorde que aquele Mundial da Itália foi difícil de engolir. Para isso tiveram de criar novas regras, como a infração indireta do recuo com os pés para o goleiro. Outrossim, veja a administração que a CBF aplicou aos arrogantes Pentas: amistosos com "potências do petróleo". Agora sim eu vejo a interferência do dinheiro na obtenção de resultados: nossa confederação leiloa nossa Seleção para se apresentar em amistosos que só atrapalham na preparação.

Voltando com o time de 82, é justamente o caso que Vinícius precisa mirar com mais atenção: super-favoritismo é o atalho para a perdição. Meu tio, na casa de quem vi os dois jogos contra a França, disse que naquele tempo Júnior, Falcão e os outros só queriam saber, de igual modo, de sambar, da mulherada, da farra antes dos jogos. Assim como Ronaldinho jogou dias de treino fora em prol de comerciais mil, Júnior por exemplo teria passado mais de semana em estúdio para gravar "os sucessos do Tetra", que só viria 12 anos depois. Quanta antecedência, hein homem!

Insistindo: aquela Seleção foi a primeira hegemonicamente européia. Não é sinônimo de fracasso, mas a falta de identidade nacional de um grupo facilita muito o insucesso. Tanto é que os campeões de 94 são produto de uma lenta reformulação que procurou priorizar atletas em solo canarinho. Estão pensando em fazer a mesma coisa para 2010... Pode dar certo, pode não dar certo, no entanto a tal "apatia" tem essa explicação, que não a monetária, Vinícius e doutros: como não tem de dar satisfação para um povo de quem nem vêem a cara os estrelados tinham pouco ou nenhum compromisso com aquilo chamado raça, fortemente associado ao orgulho nacional numa competição como essa.

16. Vinícius manteve-se firme. Questionou a Família Scolari, de 2002, genuinamente européia e vitoriosa, além de rir de mim quando disse que acredito que Ronaldo Fenômeno apenas passou mal em 98, que jamais quis perder aquela Final.

Ora, ora. Só quem foi jogador profissional e passou por todos os percalços pelos quais passa um atleta de elite pode ter uma vaga noção do quanto significa vencer uma final como estas. Ronaldo quer a gloória; Ronaldo já tem (tinha) dinheiro.

As palavras de baixo calão foram aumentando (emitidas mais pelo meu lado), prefiro descartar uma parte do debate.

17. Ponto capital: "Eu não estou lamentando a derrota. Já sabia que ia perder. A Copa já havia sido vendida para a Alemanha".

Mas viu-se que a Alemanha não ganhou. Eu acertei o palpite no Bolão do Blog de que a Itália seria a finalista. Vinícius se esquivou rememorando como os italianos estão sempre metidos em roubos escandalosos!

18. Voltando de novo no tempo, ainda naquela ressaca da eliminação brasileira, Vinícius disse que já vislumbrava a derrota brasileira. Só não sabia ao certo para quem. Acompanha meu Blog, lia meus posts. E imaginava o que eu escreveria quando viesse o fatídico dia. E que só não queria dizer nada antes da hora.

Acredito, sim. Mas acho que também foi um pouco de prevenção: vai que o Brasil ganhava! E se esperava que eu fosse detonar a Seleção como "um bando de mercenários", não foi isso que eu fiz!

19. Vinícius é incansável, tal qual minha pessoa. Disse que em 2014 o Brasil já está lá. Tomara!

O leitor pode adotar qualquer preferência. Ou ficar em cima do muro. Não me incomodo. Argumentos há para os dois lados. A discussão está aberta. Poste você também!

Agradecimentos a Vinícius Saldanha, amigo dos tempos de Colégio Militar, quando eu era conhecido como Aguiar!

Rafael de Araújo AGUIAR é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol

Escrito por wormsaiboty às 18:25
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JOGAR BEM & JOGAR BONITO – Alfinetada no Ronaldinho

Deixe-me explicar: o primeiro é auto-suficiente. O segundo não: o jogo bonito e burro, sem eficiência, faz o time perder. Não venho aqui apontar quando e onde isso aconteceu. Até porque neste ano de 2006 a Seleção jogou mal e feiamente, fazer o quê! Ao menos a derrota acachapante para a França fez reascender esse velho debate. Cria-se (e já nem tanto assim, para falar a verdade) que a atitude de deixar a beleza de lado era fundamental para quem queria levantar o troféu de campeão a todo custo. Talvez Parreira quisesse, coitado. O problema foi seu "staff" (não é Carlos Alberto que adora enfeitar suas coletivas com termos de "abroad"?), desmotivado capitalmente (uma Ferrari aqui, um Lamborghini ali, uma boate lá – dentro de casa! –, tantas propagandas no Brasil e o futebol – cadê? – sumiu...).

Não nos concentremos nesta seleção perdedora e bastarda. O foco do debate é o "ganhar jogando bonito". É possível, evidente. Contudo, para os mais céticos que dizem que é uma probabilidade muito exígua, há outra coisa um pouco abaixo de "jogar bonito". É o "atuar bem". Feio é a última coisa na qual eu classificaria um futebol prático, eficiente, que sufoca as ofensivas adversárias e proporciona situações de gol. Vou provar que, mesmo não sendo o "jogar bonito" que os comentaristas adoram mencionar das décadas de 50, 60 e 70 [e me aguardem, pois vou puxar a orelha desses chatos de plantão, logo mais no Blog], o meu "jogar bem" tem sua beleza. Aliás, senhora beleza, se considerarmos o pilar da teoria: tudo depende da posse de bola; quem joga bem tem muita posse de bola; em circunstâncias normais, tem muita posse de bola quem faz poucas faltas e erra só um passe ou outro. "Uau, você é um gênio!". Pare com a média, sabichão! O leitor sabe que são preceitos conhecidíssimos do mundo futebolístico. Inclusive foi assim que Carlos Alberto Parreira sempre pensou. Algumas vezes conseguiu implantar sua filosofia (Corinthians, recentemente; Brasil 93-94), outras vezes, nem pensar.

Ah, aquele Brasil. Acabei de vangloriar o Tetracampeonato nacional no artigo abaixo. Logo, nada mais justo que continuar a homenagem e disparar a escalação desse time vencedor. Aqui vai: ...



Opa. Grave injustiça. Eu não tenho boa memória. Na verdade cravaria uns 20 nomes. Mas quero todos – seria sacanagem com os dois ou três esquecidos. Você consegue achar um mísero site com a escalação daquele Brasil mágico? Então me passe e depois conversamos!

Era fácil ver aquela equipe perdendo a bola? Não, não era. Eles atacavam pouco, levavam pressão dos oponentes? Que isso, de forma alguma! Então, meu caro, por que é que você acredita toda hora que a televisão e os jornais insistem no "ah, aquela vez não teve graça, porque o time jogou feio – nossa necessidade era tão-somente ganhar". Francamente. É a ranzinzice de alguns que não (se) permitem ver certos acontecimentos fora da cor cinza (e seus tons derivados, invariavelmente melancólicos). Parece que reclamar é um motor para a subsistência. Há que achar algo errado. Se o Brasil conquistasse o título de 2006 jogando aquela maravilha, o título de 2002 já ficava no canto da prateleira, sendo olhado com desconfiança, era subestimado, subvalorizado, tornava-se o mais novo "patinho feio" do eterno conto de fadas das gerações da Seleção.

Para quem ainda não captou a mensagem, por si só, a rigor, trocar passes sem erro é bonito. Abafar as jogadas alheias é lindo. Não sair atarantado para o ataque todas as vezes e administrar a própria posse de bola é belíssimo. Driblar e driblar apenas em círculos... é feio! Tem gente que precisa mudar... A torcida, que idolatra pseudo-ídolos, e os falsos craques, inadequados ao futebol como ele se apresenta hoje. Faixinhas com R na fronte, caiam e revelem seus donos, ledos farsantes...

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol

Escrito por wormsaiboty às 13:39
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A CATARSE MAIOR – OS TETRAS

O previsto era terminar a Copa de 2006 e chegar neste espaço falando: "é, o campeonato mais sofrido mesmo foi 94, com aquela disputa de pênaltis". Mas tivemos outro Tetra. E não porque foi outra seleção (curiosamente, a própria perdedora de 12 anos atrás Itália) a chegar à quadra de títulos do mundo, mas pelo fato de o caneco ter sido disputado até o limite das penalidades máximas, uma vez mais. Será uma escrita? Todo tetracampeonato será sofrido? A julgar pelo panorama atual do futebol, a Alemanha nos responderá melhor daqui a alguns Mundiais da FIFA...

"O que é uma catarse?"

s.f., do grego kátharsis

purificação, evacuação, purgação.

Eis a resposta. É o popular "grito que estava entalado na garganta". Neste caso, de gol, ou campeão, os gritos mais fenomenais que a Humanidade já pôde conceber. O futebol é maravilhoso. Pense: nem ao vencer uma guerra o general de uma potência militar subiu na mesa e deu exclamação tamanha, até porque uma vitória bélica é consumada em marcha lenta. Não é de uma hora para a outra. Começa-se a divisar uma maré de boas notícias que possam conduzir ao êxito final. Quem sabe antes do "Dia D" ainda haja apreensão. Só que é difícil, de qualquer maneira, a "alegria" esvair toda de uma vez, num grito pura e simplesmente. Até porque não é alegria. É alívio mesmo ("ufa, a Terra não acabou. Continuarei sentando nesta poltrona com meu traseiro gordo e ganhando uma nota, paga pelo Estado, que é mantido pela população").

Deixando de bancar o general (riquíssimo) ou o comandante-em-chefe de qualquer operação, adentremos novamente no campo futebolístico. No próprio futebol (em termos de torneios mundiais de seleções) nunca na História, antes da Copa dos Estados Unidos, a Taça FIFA (Jules Rimet, etc.) tinha "enrolado tanto" para ser entregue, ou seja, a peleja da Final fora, àquele ano, equilibrada como nunca. Empate no tempo normal, outro na prorrogação. E a definição veio só no último pênalti cobrado pela Itália, justo pelo então melhor do mundo, Baggio. Quem diria que ele maltrataria a gorducha daquele jeito...

Se fosse uma vitória por 2 a 0, por exemplo, a nação brasileira não explodiria tão ferozmente. Não seria a maior catarse de todos os tempos. Acontece que parcelaríamos a satisfação pela vitória. Nos acostumaríamos ao longo da partida com a idéia do Tetra. No entanto, a Itália fez tal jogo duro que essa certeza nunca foi possível. O medo de repetir um Maracanaço era onipresente. Vinte e quatro anos sem que aquele povo sofrido (esse, o nosso!) pudesse sair pelado na rua, só com uma bandeira do Brasil na mão e gritando até ficar rouco. Será que depois de Pelé seria impensável para o país retomar o rumo das conquistas? O rótulo de "nação do futebol" estava seriamente ameaçado. Estava. O Tetra veio para o lado verde-amarelo-azul-e-branco (a Itália também era Tri) e seu efeito sobre a massa foi concentrado, espantosamente, em poucos segundos. Galvão Bueno é a síntese do que sentiu cada brasileiro na ocasião: "Acabou, acabou! É Tetracampeão Mundial de Futebol..." (apenas suprimi o "Brasil" de sua fala). Pelé, junto dele, àquele tempo comentarista da Globo, juntos também a Falcão e Arnaldo César Coelho (ou só um deles... Ah, vá lá, minha memória não é de ferro e eu sou novo – se fosse velho também me perdoariam, pela falta de memória dos idosos, mas o que quero dizer é que tinha somente 6 anos quando tudo teve lugar e, claro, integrei a tal "catarse"), saltitavam feito crianças perdidas no Túnel do Tempo do Vídeo Show. Deu para entender o que é uma catarse? É o terceiro gol do seu time aos 47 do segundo tempo depois de estar perdendo por 2 a 0. É o incontível. Aquilo que se você não soltar naquele momento, virando um animal, pode ser que morra. O ser humano é altamente emotivo. Não tentem disfarçar.

Doze anos depois outra cultura, a européia, teve a chance de sentir essa emoção, que foi suprimida por 12 anos graças ao nosso próprio contento. Pensando bem (lembra do primeiro parágrafo?), ousaria dizer que 94 ninguém iguala. É, foi o mais sofrido e não há quem tire esse "outro título" da gente. Nossa paixão máxima pelo esporte, nossa pobreza (sim, isso também influi), o tempo em que deixamos de figurar entre os finalistas, a tragédia de 82 e até mesmo o número de cidadãos da República Federativa do Brasil, tudo isso, colaboraram para fomentar o Tetra Brasileiro como a grande catarse, a número 1. Um pouco atrás vem esta da Itália. Povinho menor. 24 anos sem título também, a bem da verdade, mas eles não tiveram um elenco tão maravilhoso quanto aquele do Zico na entressafra. Não que eu queira subestimar essa alegria, essa catarse, alheia. Invejo um pouco, é claro. Porém, foi a segunda maior e ponto. Fomos obrigados a deixar os italianos no vice-campeonato outra vez!

Brasil e Itália (a França ajudou, a seu modo, na última): as duas maiores catarses da História do esporte bretão, os Tetracampeonatos...

Agradecimentos ao #metalunion@irc.rizon.net pela inspiração e a Priberam.pt pela definição do verbete "catarse".

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol

Escrito por wormsaiboty às 01:29
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CURIOSIDADE – POR QUE ZIZU (OU ZIZOU)?

O óbvio é que fosse Zizi, pela dobradinha no seu nome "artístico", Zinedine Zidane. Mas não é o que acontece. Tem alguma explicação plausível? Pense um pouco antes de mudar de parágrafo (embora desconhecendo a língua francesa seja difícil chegar a um veredicto):

Zizi é o personagem Piu-Piu de Piu-Piu & Frajola. O (ex-)craque careca não parece muito com ele, de fato...


Escrito por wormsaiboty às 00:29
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Fonte: Revista VEJA – editado, e inclui comentários entre colchetes do blogmaster que vos fala.

O jogador Ronaldo Fenômeno em entrevista à VEJA um mês antes do Mundial da Alemanha... Ele é muito inteligente, ao menos pelo modo com que ficaram editadas as respostas, e podemos entrever uma pesada crítica à mídia/Globo (cá entre nós apenas atletas ingênuos não inferem coisa parecida) em uma das respostas (o prenúncio do Apocalipse? Se sim, apenas o da Seleção, dos amigos laterais... pois Ronaldo não vive um Holocausto, detém a Chuteira de Bronze do torneio e vida assegurada no Brasil renovado):

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"Eu sou um sortudo"

O atacante da seleção diz que não inveja quem ganha mais do que ele, como Ronaldinho Gaúcho, e que pode se casar de novo.

Por André Fontenelle, de Madri-ESP

Ronaldo Luiz Nazário de Lima tem uma coleção de bons serviços prestados à Seleção Brasileira de Futebol, entre eles os oito gols na última Copa – dois deles na partida final [na de 98, quatro gols; na última e recém-terminada, 3]. Aos 29 anos, como já aconteceu em outros momentos de sua carreira, está no centro da teia de dúvidas que enreda os preparativos da equipe. Machucado, deverá ter condições de jogo para ser titular, como quer o técnico Carlos Alberto Parreira, mas não poderá enfrentar um período de preparação muito pesado [vimos como foi altamente verdadeiro este período]. Neste ano, não conquistou nenhum título jogando pela valiosa e conturbada equipe do Real Madrid, e na seleção atuou seis vezes seguidas sem fazer um único gol, coisa que não lhe acontecia desde os 18 anos. Parte da imprensa já sugere que sua melhor posição na equipe do Brasil é o banco de reservas. Diante dessas circunstâncias, Ronaldo só espera administrar a pressão representada pela condição de equipe favorita ao título [não deu...]. Na vida pessoal, que já rendeu fofocas de todo tipo, tenta agora manter fechada a cortina da intimidade. Ronaldo, que se considera um sujeito de sorte por ter sucesso fazendo exatamente aquilo de que gosta, falou a VEJA na sala de sua casa em um condomínio exclusivo de Madri.

Veja – Esta será sua última Copa?
Ronaldo – Esta é só a próxima. Continuo jogando enquanto eu me sentir bem e útil. Não posso dizer se em 2010 estarei lá. Não tenho nada programado. Ainda tenho muita vontade de jogar na seleção.

[Creio que ele será descartado. Não abruptamente: fará parte da transição da Era Cafu para a Era Kaká. Deve abandonar a Amarelinha em 2007 ou 2008.]

Veja – Há muita gente preocupada com a sua condição física. Você também tem essa preocupação?
Ronaldo – Só fazem críticas quando deixo de fazer gols. Mas sem dúvida eu me preocupo com a parte física. Havia começado o campeonato muito bem, mas tive quatro lesões. Uma delas muito grave, no tornozelo, e as outras leves, mas que me tiraram de jogo por duas ou três semanas cada uma. Esta última (na coxa direita) parou uma seqüência boa de quatro jogos marcando gols. Para a Copa, vamos ter três semanas para nos preparar. O Moraci Sant'Anna (preparador físico da CBF) sabe que a gente está em final de temporada na Europa e que não adianta fazer um treinamento muito forte porque os jogadores estão cansados.

[Será essa a explicação? Fato é que Ronaldo teve problemas de febre, de bolhas, de peso e após a eliminação tupiniquim constatou-se que deveria fazer nova cirurgia no joelho. Jogou "baleado".]

Veja – Seu apelido na seleção é "Presidente", mas você não é um líder do tipo que foi Dunga, por exemplo, em 1994. Não seria esse o papel que se deveria esperar de você? [e o Costinha de Portugal, é seu Ministro?]
Ronaldo – A liderança é dividida na Seleção. Não é uma liderança imposta. Temos vários líderes: o Cafu, pelo tempo; eu, pela convivência; o Ronaldinho Gaúcho, pela simpatia; o Robinho, com suas brincadeiras... Essas são formas de ser líder. As pessoas me respeitam pela minha história. Comecei na seleção com 17 anos. Há várias maneiras de liderar uma equipe. Minha liderança vem pela amizade. Nós conseguimos uma coisa maravilhosa. Não tem nenhum jogador polêmico dentro do grupo. É um grupo muito fácil, inteligente, que toma as decisões em conjunto. Esse e o de 2002 são os melhores em que eu já estive.

["A liderança é dividida na Seleção" – eis um dos problemas capitais. Toda liderança por tempo se desgasta; simpatia não ganha nada; brincadeira muito menos; ajeitar a meia, diga para seu amigo Roberto, é execrável e não tem graça para quem está do lado de fora. Sua liderança-amiga é válida, no entanto deveriam centralizar todos esses tipos de comando idiotas sobre você. Eu sei que não seria carga excessiva. Ronaldo podia lidar com isso. Outro parêntese para a afirmação final: Beckenbauer declarou que é o pior Brasil dos últimos 50 anos.]

Escrito por wormsaiboty às 00:22
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Veja – Ronaldinho Gaúcho se tornou o jogador mais bem-pago do mundo. Ganha cerca de 15 milhões de reais por ano a mais do que você. Isso não causa inveja?
Ronaldo – Não, porque não sou eu quem está pagando. Cada um tem seu espaço. Nem ele tira nada de mim nem eu roubei nada de ninguém. Isso é maravilhoso. Tenho orgulho de ser amigo dele. E espero que ele tenha aprendido alguma coisa comigo, com minha estratégia de marketing, com minha maneira de ser, como eu jogo. Para a Seleção, todos os jogadores têm a mesma importância. Eu sei da minha importância, assim como o Ronaldinho sabe da dele.

[Não soube durante o Mundial e pior: não aprendeu nada com você. A estratégia de marketing dele foi decuplicar seu patrimônio com trezentas propagandas cretinas nas quais transparecia o futebol-arte pelo qual ele foi cobrado a Copa inteira e não soube desvelar.]

Veja – Você está a três gols de se tornar o maior artilheiro da história das Copas. Dá para garantir que vai quebrar esse recorde?
Ronaldo – No Real Madrid, costumo prometer um número de gols para toda a temporada. Mas na Copa são só sete jogos. Acho que posso marcar os três gols. Mas já tem pressão demais em cima da gente. Toda essa história de favoritismo. A gente não precisava disso. É uma coisa que pode atrapalhar, e é muito fácil que isso aconteça. Muito desse favoritismo é criado de propósito para botar pressão em cima da gente. É uma grande armadilha, uma grande cilada para cima da seleção.

[Ele fez exatamente isso – em cima da marca!]

[Parabéns Ronaldo. Você é um sujeito diferenciado pelo que acabei de ler aqui.]

Veja – O técnico Carlos Alberto Parreira diz que os adversários vão fazer de tudo para que o Brasil não ganhe o Hexa. Você concorda?
Ronaldo – Vão. Mas esportivamente. Não acredito em máfia, complô da FIFA, essas coisas.

[E faz bem. Acontece que a França jogou no seu potencial máximo, claro. Gana também o fez, mas era horrível. Se não fosse... Ah, se não fosse...]

Veja – Você tem acompanhado os adversários do Brasil na primeira fase do Mundial?
Ronaldo – Sinceramente, só tenho visto clássicos. Não fui atrás nem de Croácia, nem de Japão, nem de Austrália.

[Pode parecer presunçoso, mas se preocupar com eles seria vão. Ronaldo sabia do poder de uma França, de uma Itália...]

Veja – Você fica no Real Madrid depois da Copa?
Ronaldo – Possivelmente. Por enquanto não decidi nada. Ainda tenho dois anos de contrato. Isso não quer dizer que eu não possa chegar amanhã ao Real e dizer que quero ir para o Flamengo. Eu gosto daqui, sou muito feliz aqui. Mas algumas vezes fui muito maltratado no Estádio Santiago Bernabeu, por um setor da torcida que tinha pouca tolerância comigo. É assim desde o primeiro ano. Quando ganhei a Bola de Ouro de melhor jogador da Europa em 2002, e ela foi entregue no estádio, a torcida gritava o nome de outro jogador, o Raúl. Eu me senti muito ofendido naquele momento e tenho mágoa até hoje daquele setor da torcida.

[Não ligue: grandes idiotas. Raúl é o ídolo perfeito para uma massa tão mais burra que o convencional. No entanto essa história de voltar para o Flamengo só funciona para o Sávio. Nem Juan nem Adriano, tampouco, cogitam o mesmo. É mais fácil Ronaldo aceitar aquela proposta dos Estados Unidos que aportar à Gávea.]

Veja – É verdade que os espanhóis e os brasileiros do time não se dão bem?
Ronaldo – Tenho uma amizade muito boa com os brasileiros do Real e com alguns espanhóis, e uma relação profissional com todos eles. A gente não tem necessariamente de ser os melhores amigos. Mas existe respeito. Fora isso, a amizade é pouca. Eu me dou bem com a maioria, mas principalmente com o Zidane, o David (Beckham), o Sergio Ramos, que chegou agora.

[Não esperava tamanha franqueza na resposta.]


Escrito por wormsaiboty às 00:22
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Veja – Por que Vanderlei Luxemburgo não deu certo no Real?
Ronaldo – Porque não teve autonomia. O Real Madrid é um clube muito grande, tem muita disputa de poder. Ele tinha o perfil de técnico ideal. O Brasil não é cinco vezes campeão do mundo à toa. A escola de treinadores brasileira é, estatisticamente, a melhor do mundo.

[Concordo.]

Veja – Até quando você pretende jogar futebol?
Ronaldo – Não quero passar dos 35 anos jogando. Tenho filho, família, quero viver o dia-a-dia. Pretendo ficar na Europa depois que parar, porque estou muito acostumado com a cultura daqui. Amo o Brasil, amo o Rio, mas não consigo ficar mais de dois meses por lá. Gosto muito da Espanha. O clima, esse sol...

[Por isso ele não vem para o Flamengo ou semelhantes. E pelo visto ele não bancará o novo Romário (embora o baixinho possa, porque não tem tendência exorbitante a engordar. Me parece que ele se aposentará da Seleção aos 31 e da carreira aos 33 – ataquei de guru, pode me cobrar depois!).]

Veja – E o que você vai fazer quando se aposentar do futebol?
Ronaldo – Vou continuar no futebol. Não quero ser treinador porque, depois de quinze anos jogando acho uma loucura voltar a enfrentar concentrações. Não agüentaria. Mas mexer com marketing esportivo é uma coisa que me agrada muito. Pretendo também abraçar muitas causas sociais, não parar nunca com as ações humanitárias. Como embaixador da ONU, minha próxima viagem será à Polônia, que é um exemplo de país: alguns anos atrás era muito pobre, todo quebrado, e hoje está na União Européia. No ano passado estive na Palestina. No mesmo dia, visitei o quartel-general palestino e alguns projetos sociais, e de tarde já estava com Shimon Peres (vice-primeiro-ministro israelense). É legal ouvir opiniões diferentes sobre aquele velho conflito. Por alguns momentos a gente conseguiu fazer uma união entre esses dois mundos.

Veja – Você recebe muitas propostas de negócios?
Ronaldo – Muitas, todo dia. Boa, quase nenhuma. Tem todo tipo de coisa. Sempre propõem negócios da China, com rentabilidade de 30% ao ano. A única coisa que precisa é que eu ponha o dinheiro. Na hora de fechar algum negócio o Fabiano (Farah, assessor do jogador) põe tudo na mesa e quem decide sou eu.

[A julgar por sua fortuna você é um bom administrador.]

Veja – Você mudou muitas pessoas na sua equipe de assessores. Por quê?
Ronaldo – Não mudei tantas pessoas assim. As mudanças foram naturais. Em uma empresa existem mudanças diárias. A estrutura que tenho é praticamente a de uma empresa, e tem de funcionar assim. Se os resultados não são atingidos, é preciso trocar as pessoas, e foi o que eu fiz.

Veja – As atividades extra-campo não atrapalham o futebol?
Ronaldo – A gente procura fazer, de acordo com as exigências dos patrocinadores, no máximo duas atividades por semana. Hoje sou muito mais organizado. Antes podia marcar com três pessoas ao mesmo tempo e me ferrava. Aprendi que tenho de organizar uma estrutura profissional, sempre visando a uma boa imagem, para que a prioridade seja do futebol.

Veja – Parreira disse que sexo não está proibido durante a Copa. Isso é bom para a Seleção?
Ronaldo – Sexo nunca me fez mal em momento algum. Ninguém faz sexo pouco antes do jogo nem é tão ativo a ponto de se comprometer fisicamente. Isso é um tabu que tentam associar ao futebol. Quando o Real joga em casa, não existe concentração. Se a minha namorada está aqui, a possibilidade de ter sexo é grande. Mas isso não cansa ninguém.

Veja – Você fez sexo entre os jogos da última Copa?
Ronaldo – Em 2002 a gente ficou o período todo sem sexo. Não era uma imposição do Felipão. Era falta de oportunidade mesmo. Mas para ganhar a Copa do Mundo qualquer sacrifício era válido.

[Todo mundo? Caramba.]

Veja – O que representam as mulheres na sua vida?
Ronaldo – Depende do momento. Agora eu estou namorando firme. Estou há onze meses junto com a Raica. Evito falar da minha relação. Já falam tanto sem eu dizer nada, imagine se eu falasse. Eu sou homem, tenho minhas necessidades e meus sentimentos, como qualquer outro. Em uma mulher eu procuro respeito, procuro sentimento...

Veja – Você se considera sedutor?
Ronaldo – Não me considero nada sedutor. E não sou de testar meu potencial nesse campo. Estive casado por quatro anos. Todas as minhas relações sempre tiveram uma duração razoável. Nunca levei muitos foras porque também não costumo tomar a iniciativa, não. Não sou aquele cara desesperado, de ir atrás. Curto mais uma relação séria do que ficar por aí pegando mulher.

Veja – A fama compromete sua intimidade?
Ronaldo – A relação que eu tenho com a Raica é independente do meu passado. Ela está me conhecendo, e o que passou, passou. Eu faço tudo para que nada do meu passado atrapalhe.

Veja – Você se arrepende de algo no seu último casamento? Aquela festa no castelo de Chantilly, por exemplo, foi idéia sua?
Ronaldo – Na época foi tudo muito espontâneo. Talvez eu devesse ter pensado mais em certas coisas. Aquela festa foi idéia minha e da Daniella. Quando você se casa, tem de tomar decisões conjuntas. As confusões que aconteceram, acho que poderiam ter sido evitadas. Mas não foi possível. Sofri muito com a repercussão e, em seguida, com o término da relação. Mas hoje está tudo superado. Eu sei separar exatamente a minha vida pessoal da profissional, apesar de o futebol estar sempre presente na minha vida.

[Maturidade...]

Veja – Você vai tirar a tatuagem do pulso esquerdo?
Ronaldo – Não. Eu a modifiquei faz uns dois meses. Botei um R (mostra a tatuagem, com o D de Daniella transformado em R), de Ronald e de Raica.

Veja – Pretende se casar de novo?
Ronaldo – Por que não? Quando chegar o momento possivelmente me casarei outra vez. E com certeza eu pretendo ter mais filhos.

Veja – Seu filho já entende que tem um pai famoso?
Ronaldo – O Ronald está com 6 anos. No começo, quando via os jogos do Brasil, dizia que todos os jogadores eram o pai. Há um ano começou a perceber a dimensão que tem o pai dele. O Ronald pratica futebol muito pouco, mas gosta, está sempre no estádio. A gente educa de modo que a minha fama não interfira na vida do meu filho. Graças a Deus a mãe (Milene Domingues) dá uma educação perfeita para ele. Para a idade dele, o Ronald tem os pés no chão.

Veja – Você pratica alguma religião?
Ronaldo – Sou católico, mas a Raica é kardecista e estou aprendendo muito com ela. A família da Raica toda é espírita. Ela tem o dom da palavra, fala muito bem dessa religião. Estou me interessando muito, tenho praticado algumas coisas. Ela me deu um livro (Nosso Renascer – Cosmogênese Planetária) de um cara chamado Dirceu Abdala.

[Sai de mim...]

Veja – Você já decidiu em quem vai votar para presidente?
Ronaldo – Já. Mas não vou declarar.

[Pode ser que ainda depois daquela polêmica toda vote em Lula! O pai de Ronaldo é fã de Inácio...]

Veja – Se você tivesse perdido a Copa de 2002, seria visto como um derrotado. Você se considera predestinado?
Ronaldo – Predestinado, não, mas sou um cara com muita sorte. Faço o que mais gosto, jogo pela melhor seleção do mundo, tenho os melhores companheiros do mundo e tenho êxito também. Eu me considero sortudo. A final de 2002 serviu para tirar uma possível dúvida que as pessoas pudessem ter sobre minha condição de vitorioso. Eu levo o futebol na esportiva. No futebol, ninguém vai ganhar sempre nem perder sempre.

[Né...]

Veja – Qual é a pergunta que você mais tem ouvido?
Ronaldo – Se a gente vai ganhar a Copa.

Veja – E o que você responde?
Ronaldo – Eu respondo que sim.

[É...]

Escrito por wormsaiboty às 00:22
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ARTIGO 13 – Vaia Enche o Saco

Antes (artigo 12), um louvor das torcidas, agora uma crítica, uma sugestão de mudança de um aspecto em especial: sou contra as vaias. Som mais chato! É preferível uma torcida como a do Boca Juniors (ARG), que canta o tempo inteiro sem hostilizar o adversário do que milhares de histéricos xingadores de mãe de jogador. Os alemães tanto não são bobos que depois da partida semifinal desta última Copa do Mundo reconheceram que o oponente em questão, a Itália, era dona de uma inquestionável superioridade. Ora, então para que finalidade, volta-e-meia, vaiavam a Azurra? Um atleta profissional não é desconcentrado por algo tão simples. Bastaria que ele imaginasse estar em casa e que a vaia é direcionada ao outro time. E a própria Alemanha poderia sentir, numa mea culpa caso a atuação estivesse aquém do esperado por cada jogador em relação a si mesmo, o mesmo prejuízo. Prefeririam, as vítimas inesperadas, que seus compatriotas se calassem. Ninguém garante que o autor da vaia não atrapalha a prática esportiva. Que não atrapalha ambos os lados. Pelo contrário: atrapalhar só um deles é o mais fortuito, se acontecer.

Voltando: então para quê as vaias? Se se viu que não adiantava, que a performance itálica permanecia intocável, deixassem o espetáculo rolar de modo menos conturbado. Barulho enche o saco. É um porre. Ainda mais o agudo. Se aquela vaia gutural "uhhhhhhh" já é de dar nos nervos, imagine aquele assovio arrepiante, efetuado com dois, três dedos na boca. A impressão é a de que arranha a alma dos ouvintes. Criança, velho, mulheres... nem a própria platéia está imune. São tantos os que se não choram podem cair duros e estatelados no chão ou passar mal ou pagar ingresso e sentir-se inconfortável os 90 minutos inteiros (mais o intervalo) que é melhor parar. E olha que nem todo homem, adulto, semblante de machão, suporta a manifestação animal de um grupo de torcedores. Claro: vaiar é bem coisa de animal mesmo. O macaco solta uns urros ocasionais ("Me dá aqui, essa banana é minha, seu palerma!"). Diria que são os pais da vaia. Ousados precursores. Pois é: toda massa é e continuará sendo burra, mas o que é que custa ser burro em silêncio? Numa foto até que nem parecem macacos todos aqueles torcedores embebidos e balburdientos. Mas em vídeo fica claro: o som não nos deixa fazer o julgamento errado. Símios, símios... Alemanha (e não só esta), a grande selva.

Felizmente vem aí (já veio, aliás) o Campeonato Brasileiro, menos pior em muitos lados, inclusive este: as torcidas estão mais preocupadas em cantorias que exaltem o próprio clube do que com vaias aos adversários. Exceto quando tem um atleta tão ruim defendendo o time que as "organizadas" já tratam de marcá-lo. O jeito é agüentar, porque aí vem uma saraivada de vaia!

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol

Escrito por wormsaiboty às 19:19
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ARTIGO 12 – A Torre de Babel é Berlim!



Pelo menos em mês de Copa do Mundo, é o que parece. Para saber mais sobre o conceito de Torre de Babel acesse o link abaixo:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Torre_de_Babel

"Provavelmente a intenção deles era agradecer à divindade por terem escapado ao terrível dilúvio que tudo arrasara em tempos remotos. Mas não foi assim que Jeová entendeu. Não viu aquele colosso se erguer no meio do nada como um possível agrado a ele, mas sim como prova da soberba dos homens. Queriam rivalizar-se com Ele. Resolveu intervir. Desceu em meio aos construtores e num gesto Dele todos começaram a dizer palavras em línguas diferentes. Ninguém mais se entendeu."

Triste...

"Desde então, tudo levava a crer que inúmeras tentativas de reunir a humanidade, seja em que projeto for, redundavam em fracasso. Neste tempo todo, não faltaram profetas, nem poetas, conquistadores ou estadistas, filósofos gregos ou humanistas renascentistas, racionalistas ou revolucionários, messias de toda a ordem, que não tentassem reparar o estrago feito por Jeová nas antigas terras da Babilônia, e fazer com que a humanidade reencontrasse uma maneira de falar a mesma língua, ou pelo menos se sentasse ao redor da mesa e, mesmo por sinais, tentasse recuperar o entendimento perdido pelos tataranetos de Noé. E eles foram inúmeros."

Ânsia...

"Certamente que não se vivia num paraíso nos finais do século XIX. O colonialismo do homem branco empalmara o mundo, mas todos se sentiam otimistas quanto ao futuro. Haviam inventado de tudo; as máquinas a vapor espalhavam-se para todos os cantos; a locomotiva e o telégrafo corriam o mundo; o telefone dava os seus primeiros chiados, e a expectativa de vida aumentara em um quarto ao longo daquele século. Jules Verne, apóstolo do progresso, previa maravilhas: homens no centro da Terra, homens viajando para lua, o capitão Nemo no fundo do mar. Os Daimler-Benz e Mister Ford, por sua vez, anunciavam uma era motorizada para breve. O Progresso era a nova divindade a ser celebrada. A situação parecia ser tão tranqüila que até os principais monarcas europeus, o rei da Grã-Bretanha, o kaiser da Alemanha e o czar da Rússia, Dicky, Willy, Nicky, como popularmente os chamavam, eram todos primos irmãos. Quem poderia suspeitar de um desastre ou imaginar uma briga de família naquelas proporções?"

Alegre...

"Os tijolos do novo mundo de paz estavam todos sendo empilhados pela tecnologia e pela prosperidade geral para erguer o edifício comum da civilização no estupendo século XX que se avizinhava, esperançoso. E, num instante, tudo se foi num verão (europeu) de 1914. Desta vez, não se tratou somente de uma torre desmanchada, pois, em seguida, um dilúvio de sangue humano inundou a Terra. Por duas vezes, a primeira entre 1914 e 1918 e a segunda de 1939 a 1945, a venenosa discórdia fez o seu estrago, obrigando a que as palavras usadas então fossem vertidas em balas, petardos e bombas atômicas." [alterado]

Mal-me-quer, outra vez?

"Os homens, adorando um combate, faceiros em poder matar-se por motivos nobres, autorizados pela pátria, pela causa, pela nação, império ou raça, não se fizeram de rogados. Ao som das cornetas e dos tambores tribais, quase exterminaram com a civilização. Agora, novamente pacificados, ultrapassado mais de meio século sem guerras mundiais, refluído o dilúvio de 1945, o vozerio dos sobreviventes vindo de todos os lados ergue-se a favor do retorno à era pré-Babel. Mas que desta feita a humanidade se cuide, que fale baixinho, sem grandes alardes, que use plásticos no lugar de pedras e silenciosas ferramentas de pau na construção da nova torre - símbolo de uma humanidade unida - para que barulho algum ou estridência outra possa de novo despertar a ira de um deus. Se agir assim, isso a permitirá fazer com que, finalmente, nenhum dos seus generosos desígnios seja irrealizável."

Ah, o novo congraçamento de todos os povos – é a Globalização! Maravilha. Mas por quê? O que move tantas pessoas com interesses (e idiomas, contrariando a idéia divina de que isso desuniria a todos) tão divergentes para um ponto em comum?

O bem-estar. Quer bem-estar mais agradável de usufruir que o futebol?!?

O mais engraçado (não para quem morreu) é que todo o ódio, o não-sacro, na Idade Contemporânea, fora semeado a partir destas terras. Da Germânia. Do Reich. A intenção de Hitler era unir a Terra novamente. Mas qual seria a graça, se fossem todos iguais? Sessenta anos depois a Humanidade presencia algo parecido, porém vê como é mais excitante ainda a idéia da babelização a partir não da homogeneidade mas das diferenças (às vezes grotescas) dos povos.

Pelo simples fato de ser possível a coexistência pacífica entre duas torcidas num estádio; entre pluritorcidas nas ruas... é que ergueu-se a nova Torre de Babel. Se há a opção de cumprimentar com um aceno ou um sorriso, por que fazer o mesmo atirando pedras? Se há a opção de manter-se íntegro e de aprender com outras culturas, a que se deve o ódio de alguns (hooligans, por exemplo) e sua vontade irascível de destruir os alheios, os de fora, os peculiares? Sentir-se-ão ameaçados? Atarracados pela inveja?

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 04:10
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Fato é que gente violenta foi o único tipo de público para o qual as portas alemãs não se encontravam abertas. Sem penetras indesejáveis a festa pôde rolar. Se dentro de campo não foi a melhor das Copas... Fora, ah!, fora... Sem preconceitos, claro, até porque havia muitos orientais, mas é muito mais embelezador quando tudo se dá num país que ama futebol. Que sempre foi a cara do futebol. Na Ásia os habitantes encararam 2002 mais como a introdução de uma estranheza, de costumes estrangeiros. Foi um mês com ares convidativos. Ares de novidade, de uma euforia que nunca se sabe se vai durar. Foi o despertar de uma emoção desconhecida. A emoção indescritível do gol. Será que eles aprenderam mesmo?

Nem desejo saber. Os alemães, estes sim sabem. Afinal, a Seleção Alemã é a segunda da História em número de gols. Emprestaram seu território para algo que já sabiam no que ia dar. Não havia ares de novidade (inclusive taticamente foi um Mundial nulo: nenhum técnico aprendeu nada). Apenas a sensação de que respeitar as tradições é sempre prazeroso. Praticar e assistir o bom e velho futebol não tem como perder a graça.

Muitas vezes víamos um "corpo estranho" em meio a uma multidão: que é isso, um italiano no meio dos franceses? Um holandês entre os portugueses? Brasileiros nos ganeses? "Vai ser linchado". Pensamento brasileiro. Não que seja ingênuo, pelo contrário: nos acostumamos com o pior por aqui e obedecemos ao instinto da vida. Que corintiano sobreviveria numa arquibancada tricolor por excelência? Torres de Babel horizontais. Assim passei a considerar os "Estádios da Paz" da Germânia. É tempo de fazer amigos!

Depois do jogo, ao invés do clássico "cada um vai para seu canto", a reunião de duas, três, cinco, sete, dez torcidas num só lugar. Quanto mais próximos melhor. Ninguém tem nojo de ninguém. Nem medo. Se tinha, um pouco, no começo, ele vai paulatinamente se tornando curiosidade. A curiosidade fala mais alto que a timidez ou o orgulho nacional. Transcendem-se barreiras. Que Deus não se invoque com nossa ousadia e queira derrubar tudo de novo. Brincadeira, né?! Essas divindades... Não nos esqueçamos, porém, que os "deuses da bola", juntos, talvez equilibrem a balança. Protegem-nos.



Só queria pedir o mesmo tipo de união com mais freqüência. De 47 em 47 meses muita coisa acontece. Muita gente morre. Muita ninfomaníaca engravida. Muito time cai de divisão – e sobe de volta. O que eu não vejo é a "união copal" aparecendo fora da Copa do Mundo. Em cidades como a minha, Brasília, ela dura o menos possível. Ou nem começa: no bar, bêbados, alguns arranjam brigas. Isso porque não vi croatas, australianos, japoneses, africanos ou franceses conosco. Todos vizinhos, vestidos de amarelo e discutindo. Sabe-se lá o quê!

Isso de país é besteira. Vai acabar. Talvez continue só na hora de a bola rolar: uns tem que enfrentar outros. Mas a torcida será uma só, para os dois times, pela beleza. Pelo fair play nato. Não precisa uma entidade chata ficar cobrando isso o tempo todo, com aquele bafo no cangote. O ser humano sabe das necessidades do ser humano. Nossa vantagem em relação aos animais é que podemos fingir que não somos nós mesmos e ir para o corpo e a mente dos outros, nem que por momentos mínimos. Segundos de reflexão em meio a essa vivência turbulenta...

Então não precisa de nenhum organismo enchendo o saco. FIFA, pare! A Torre de Babel continua sendo construída, é só esperar... Com naturalidade chegamos cada dia (ou de cada 4 em 4 anos, como preferir!) mais próximos das nuvens. Viva a bola!

Agradecimentos a EducaTerra, Wikipédia e Blog da Soninha

Rafael de Araújo Aguiar é jornalista pelo UniCEUB-DF

© 2006 NewGen – Futebol

Escrito por wormsaiboty às 04:09
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CONTAGEM DOS PONTOS DO "MEU BOLÃO" (história completa - fisgue no /xtudotudo2)

142

Lembram que minha meta era uma média de 2 por partida, ou seja, 128 nas 64?

Pois bem, missão cumprida. O blogmaster-oráculo conseguiu muitos placares em cheio especialmente na terceira ronda da 1ª Fase e nas oitavas-de-final e invariavelmente acertava as colunas de vencedor ou o número de gols de um dos times, o que lhe garantia uma fartura de pontos. Fácil demais, não?! Parabéns para mim: uma cobertura da Copa da Alemanha que deu trabalho, mas que inovou e informou todo mundo - contei do "antes" e tentei antever com o máximo de precisão possível o "depois". Continue acessando o Blog para artigos especiais de Futebol que fecharão esse (já saudoso) ciclo e também para os Especiais das Eleições 2006 (outubro está perto!) e também para games e outros assuntos do "portal" (por que você acha que o Blog tem esse nome?). Obrigado.

Escrito por wormsaiboty às 19:29
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NOTA DA COPA
(uma média dos 54 jogos avaliados pelo blogmaster, com semi-finais e Final valendo por 2)

[ 6.28 ]

. Melhor Jogo
Alemanha x Itália

. Pior Jogo
Croácia x Japão

Escrito por wormsaiboty às 19:04
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MEUS 23 - A seleção do blogmaster
(Não há diferenciação titular-reserva, a não ser para os goleiros)

Goleiro 1 - Buffon (ITA)
Goleiro 2 - Rogério Ceni (BRA)
Goleiro 3 - Van der Sar (HOL)

Zaga (inclui laterais)
1. Cannavaro (ITA)
2. Coloccini (ARG)
3. Ashley Cole (ING)
4. John Terry (ING)
5. Sorín (ARG)
6. Rafa Marquez (MEX)
7. Grosso (ITA)
8. Ayala (ARG)

Meio
1. Kaká (BRA)
2. Zé Roberto (BRA)
3. Juninho Pernambucano (BRA)
4. Pirlo (ITA)
5. Zidane (FRA)
6. Maxi Rodriguez (ARG)
7. Vieira (FRA)
8. Ribery (FRA)

Ataque
1. Ronaldo (BRA)
2. Klose (ALE)
3. Robinho (BRA)
4. Tevez (ARG)

Técnico - Guus Hiddink (AUS)

Juiz - Jorge Larrionda

. 6 brasileiros: só faltou um bom comandante e fibra.
. 5 argentinos
. 4 italianos
. 3 franceses
. 2 ingleses (tinha que ser no setor defensivo...)
. 1 alemão: o que os fez foi a torcida, o técnico e a união do elenco.
. + 1 mexicano e 1 holandês

Escrito por wormsaiboty às 02:51
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O RESUMO DA COPA
Em poucas palavras e um pouco mais de imagens - LEIA DE FORMA REGRESSIVA (vá para o fimm do post)

O que faltou?

Gols! Na quali/quantidade...



E super-craques...

Dizem que ao menos Ghigghia, Paolo Rossi e Maradona estavam em campo, encarnados no Zizu.

dia 31


Nos pênaltis...

As cabeças deram o que falar...

Cabeça quente; gol de cabeça; cabeçada, peito dolorido, dor de cabeça, bater cabeça, cortar cabelo da cabeça...

dia 26


Eu TAMBÉM já sabia. Quem leu o X-TudoTudo durante a Copa não pode negar!

dia 23


Bem que eu avisei – no Blog, com artigo especial e tudo. [agradecimentos a Vinny Salsa]

dia 22


Depois que ganhou da Argentina, o plano maléfico de Kahn estava semi-pronto: agora era só perder para a Itália para ele poder jogar...

dia 19


Em cima da hora, porque contra a França não ia dar para quebrar nenhum recorde...

dia 18



dia 17


Eu gostei...

dia 16

Agora seria para valer...


Tão para valer que alguns pernas-de-pau de verde levaram a sério.


OBS: Tem gente que não tava nem aí...


dia 15


Se marra perdesse jogo...

dia 14


Pode ser ladrone, mas entende da coisa...


Adivinha por quê?

Os lados respondem...


dia 12



Além disso, isso:



dia 10


O pior é que ri melhor quem Ribery por último...

dia 9


Se Bussunda terminasse o dia vivo ele mandaria todos saírem do mausoléu com aquilo que o mundo tem de melhor:

Mulheres!

Até o Deco entrou na roda e quis lamber a torcedora adversária...


dia 8



Chocolate, O - queria esse em DVD.



dia 7

Sono, sono... Passa, passa...

Na verdade, tem uma coisinha sim:

Emplaco o primeiro hit da minha carreira.



Vergonha [forte entonação no "o"]
Vergonha
Time sem vergonha

Ele erra
Ele erra
Seu nome é Inglaterra

dia 6

Engana que eu gosto!


Antes de Argentina e Itália, até a Polônia deixou o time da casa num sufoco danado...


dia 5

Estréia sofrida já virou pleonasmo. Só que desta vez veríamos um Brasil eternamente preso nesse dia. O pior é que a razão da derrota para a França, diz Cafu, não foi o nervosismo, mas a "calma excessiva" da equipe que "a qualquer momento faria um gol". Brasil 1 x 0 Croácia com um dos poucos brilhos do...



Já Les Blues tinham desaprendido o verbo "marcar" (não os adversários, mas o gol).

dia 4

O mago começa (me) encantando.


dia 3

Cai o mito do Grupo da Morte: a Sérvia não joga nada!


+

Primeira virada empolgante: Austrália 3 x 1 Japão. Esfuziante, aliás, para todos menos os flamenguistas. Eles sofreram pelos japoneses, que ainda não têm senso de sofrimento no esporte:


dia 2


O grupo mais chato de todos...

...mas um dos membros é exuberante em certo aspecto.


dia 1


Ela tentou atrair as atenções...

Mas preferimos jogar os holofotes nos homens gordos da nação...




Alemanha e Costa Rica estrearam na Copa. Só é preciso dizer que não houve surpresas e Ballack viu tudo de camarote. Parecia um Mundial de muitos gols e partidaças...

Escrito por wormsaiboty às 23:06
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DROPS n. 21 [perdão! Este sim é o último - pelo menos da Copa...]

. Zidane, a despeito de tudo, virou bom moço e melhor do Mundial. Materazzi demonstra o porquê do jornalista ser o profissional mais violento (mais que aqueles wrestlers todos e o Chuck Norris juntos): palavra machuca muito mais.

. Zico afirma: "só existe jogo bonito em comercial". Que o diga a propaganda do "Jogo Bonito" (?) com aquela musiquinha legal...

. Prêmios (sim!) do Brasil: Fair Play e Chuteira de Bronze (Ronaldo). Ele é o segundo cara (depois do Romário, e na verdade eu o igualo, historicamente, ao cabeceador!).

Agradecimentos a UOL Copa

Escrito por wormsaiboty às 20:52
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NÚMEROS DA COPA (II)

a) Os artilheiros absolutos

Nunca é demais lembrar: Miroslav Klose (ALE) isolado com 5 gols; Lukas Podolski (de novo Alemanha), Hernán Crespo e Maxi Rodriguez (ARG), Ronaldo (BRA), Zinedine Zidane e Thierry Henry (FRA), David Villa e Fernando Torres (Espanha) com 3 gols foram os maiores goleadores do torneio.

Dos tantos com 2 gols, os seguintes os fizeram numa única partida: Bastian Schweinsteiger (ALE), Bartosz Bosacki (POL), Thomas Rosicky (RTC), Omar Bravo (MEX) e Paulo Wanchope (COS).

b) A Média de Gols dos artilheiros

Klose não foi aquele que marcou "mais vezes por partida", como costumamos dizer quando dividimos o número de gols pelo número de partidas. Sua média foi de 0,71. Hernán Crespo jogou menos e conseguiu 0,75 gol por jogo. É um artilheiro-nato e muitos cobraram explicações de José Peckerman por sua escalação... A grande diferença está no fato de a Alemanha ter entrado em campo 7 vezes, contra apenas 5 dos nossos vizinhos (mas Crespo foi poupado de enfrentar a Holanda). A média de Ronaldo, só para ilustrar, ficou em 0.6 já que ele sempre esteve com a Amerelinha, na posição de titular (embora nos dois confrontos iniciais tenha sido tirado de campo com um desempenho abaixo do esperado). Zidane tem meio gol por duelo, excelente média para sua posição. Os dois espanhóis que encabeçam a artilharia também têm excelente "average". Dos que fizeram 3 gols Henry é o mais decepcionante de todos, até pelo seu ofício. Se atuasse como na Final nos embates anteriores certamente a história seria outra...

c) Os mais violentos...

Somando as Copas de 98 e 2002 com certeza Zidane leva o troféu de eqüino, no entanto concentrando-nos somente na Alemanha no ano de 2006 temos o seguinte panorama:
. Costinha, o tal "Ministro", teve 4 cartões amarelos e 1 vermelho. Não sei como conseguiu acumular tantos sem ficar um bom número de rodadas de molho...
. Gyan Asamoah de Gana "pegava para capar": tem apenas um amarelo a menos.
. Eis a listaça de jogadores com um vermelho e três amarelos, o suficiente para serem mencionados aqui como "jogadores de ímpeto além do necessário", por assim dizer: André (ANG), Boulahrouz e Van Bronckhorst (HOL), Deco (POR), Emerton (AUS), Jaziri (TUN), Lucic (SUE), Nadj (SMN) e, como não poderia deixar de ser, o próprio Zidane.

d) Aprendam com eles

Normalmente o maior autor de faltas não é aquele mais violento: trata-se do bom zagueiro, que sabe quando anular uma jogada de gol. Obviamente o Lúcio de 2006 e o Gamarra de 1998 foram bem-vindas exceções.

A Alemanha é a campeã no topo, com três jogadores com pelo menos 25 infrações cometidas. Nem por isso era um time que descartasse o fair play. Os dois finalistas faziam marcação cerrada. A quinta posição individual é de Fabio Cannavaro. Nos três primeiros postos, Abidal e Vieira (franceses) e Gennaro Gattuso, outro da Azurra (na ordem retrospectiva). O raçudo defensor italiano chegou a 47 faltas e só teve 2 cartões (e do tipo mais brando), um em cada fase do torneio.

e) Buffon e o resto

O camisa 1 italiano evitou quase 40 gols. Ricardo de Portugal, Kigson de Gana, João Ricardo de Angola, Kawaguchi do Japão, Dida do Brasil, Shovkovskiy da Ucrânia, Van der Sar da Holanda, Zuberbuehler da Suíça e Agassa de Togo completam a listagem dos 10+.

f) Espanha, Argentina, Brasil e Alemanha

Quatro times que contrariam a tendência retranqueira do futebol contemporâneo. Este quarteto é o campeão em gols por partida. Um dos times não passou das oitavas, duas equipes não passaram das quartas e o último representante ficou em terceiro do campeonato que sediou. Isso pode levar técnicos metidos a espertos a crer que o melhor jeito de levantar a taça é mesmo se defendendo. Devem lembrar que a Itália não se privava de descidas letais...

g) Chega de apito!

Quero a bola rolando. Portugal, Gana, Holanda e França são os grandes vilões do espetáculo, verdadeiras carniças. Compreendo que, para Portugal, isso se deva não só ao "clássico sangrento" contra os Países Baixos, mas também ao estilo Felipão. Gana não tem talento e é aquele típico jeito africano de ir passando nas coxas (com bela contribuição da fraca República Tcheca). A França inegavelmente enxertou seu meio-campo e não fossem tantas paradas de jogadas na raiz talvez não tivesse disputado a Final.

E basta de estatísticas também! O Mundial já passou. Mastigar tanto o que ele foi não leva a quase lugar algum.

Escrito por wormsaiboty às 19:06
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NÚMEROS DA COPA (I)

a) A prova de que o Brasil – sobretudo nas laterais – estava velho demais...

Dois dos 10 jogadores que mais haviam atuado por suas respectivas seleções dentro da Copa do Mundo da Alemanha pertencem à Seleção Canarinho. Curiosamente são os dois que precisavam ser os mais jovens por atuarem nas posições mais pesadas (cheias de encargos defensivo-ofensivos): Cafu e Roberto Carlos, em 5º e em 9º pela ordem. Ambos atuaram mais de 120 partidas pelo país, no entanto podemos dizer que jamais estiveram em campo (mesmo que fisicamente sim) nos cinco confrontos que realmente valeram em 2006.

b) Ronaldo não é o maior goleador de todas as Copas...

...quando o critério é ligeiramente deformado: no ranking dos 10 maiores goleadores da História de cada seleção que figurou no Mundial da Alemanha o Fenômeno não passa do terceiro lugar! São 62 gols pela equipe de ataque mais prolífico jamais vista. Stern John de Trinidad & Tobago e Ali Daei do Irã, dois acima da média em equipes inexpressivas (T&T que nem gol soube fazer durante a competição) estão à frente, mas este último já de modo absurdo: 109 tentos!

Para os que sempre se perguntaram por que Pauleta continuava sendo titular na Era Felipão se o nível técnico deve ser o critério de um treinador "tão eficiente": não era. O que contava era sua história, recheada por 47 (antigos) gols. Wanchope entrou na Copa com 43. Na rodada inaugural subiu a 45 e estacionou por aí. Depois, Al Jaber (Arábia, três Copas e gols em todas elas) e Raúl, o questionado na Espanha e no Real Madrid, estes empatados; mais Jan Koller, importante na única partida aplaudível da República Tcheca no torneio, Borgetti do México, que atuou unicamente contra a Argentina (se não me engano foi o autor do gol contra), e o desconhecido Akwa de Angola (36, respeitável para uma seleção saída das cinzas da guerra civil de décadas).

c) Os mais altinhos...

Não era o Crouch: Kalac da Austrália tinha 2,02m, acompanhado de Koller e Zigic (de Sérvia & Montenegro). Depois, Lawrence, zagueiraço de Trinidad; Isaksson (SUE, já abaixo dos 2 metros); o desajeitado-mor inglês; o guarda-redes eliminado na 1ª Fase Peter Cech; e mais um trio de atletas, sendo dois holandeses, um deles, por sua vez, o veterano e também goleiro Van der Sar. Às vezes pode até significar talento, mas nada vem de graça...

d) Todos os baixinhos estão abaixo do Romário...

Dois do Equador (um encabeçando a lista, com 1,62m, o outro fechando-a, com 1,68), mais uma dupla de Costa do Marfim e outra da Arábia parecem mostrar uma deficiência alimentícia nestes países tão heterogeneamente espalhados pelo globo. Irã e Togo até marcam presença, mas os ilustres que entram na dança são os (habilidosos) Aaron Lennon da Inglaterra (será por isso sua reserva, Sven?) e Zinha (brasileiro naturalizado) do México.

e) Quando o critério muda para idade...

...Cafu e Roberto Carlos somem da lista. Tunísia, Trinidad, México, Irã, Alemanha, Estados Unidos, Espanha e Angola estrelam o top 10. Boumnijel é aquele que mais urgentemente deve aposentar as chuteiras (desconhece-se acerca da qualidade de seu futebol, mas queremos ver um "aflorar de terceira idade" com saúde!), afinal recém-adentrou a casa dos 40! Os dois da Alemanha são, veja só, ambos os goleiros que atuaram, Kahn e Lehmann, com diferença mínima entre eles (3 meses). Confirmando a máxima de que pelo menos no gol raposa velha é o que conta, Canizares, Keller e João Ricardo.

f) Os fraldões...

A Inglaterra, que já levou Michael Owen e o próprio Wayne Rooney, é mesmo especialista em convocar jogadores muito novos e já preparados (será?) para tamanha responsabilidade. Theo Wallcott tem 17 anos e 3 meses e muito por isso nem entrou em campo. Messi, Fabregas e Lennon foram três que deram muitas lições em veteranos...

g) Entre os clubes...

O Arsenal foi o campeão de convocações. 15 de seus atletas estão em plenas férias agora, recuperando-se desses momentos de inestimável desgaste físico e psicológico, sem esquecer da vindoura temporada européia. Do Chelsea, um a menos. Os times ingleses continuam a ser os mais ricos e fortes do planeta, sem dúvida (e o Liverpool, quem diria, não conseguiu sobrepujar o brasileiro São Paulo em 2005!). O Milan integra o bronze, numa escada que vai sempre de um em um. Com 12 atletas cada, Juventus e Manchester deram sua cota. O Barcelona e o Bayern de Monique levaram um a mais que uma dezena. Exatamente 10 para o supercampeão francês Lyon e o asilo de craques Real Madrid. O Ajax da Holanda surpreende com seus nove...


Escrito por wormsaiboty às 06:18
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AS GATAS DA COPA N. 5 - A culpada de tanta demora para realizarmos nova galeria foi a Seleção Brasileira, jogando como sempre e perdendo como nunca.

Claudia Schiffer, o retorno (quando ninguém sabia que a Copa seria essa droga de nível técnico!)



Alemãs para dar e vender...











Las hermanasm (la hermana, pois é uma só)...





"O melhor da brasileira é a bunda" nova campanha do governo



Já vimos esta, mas agora em close...



Tetacampeã...



Esposas de Buffon e outro jogador italiano que não consegui identificar



Mais da nação comedora de bola do ano por excelência





Ô, delícia!





Opá!







A Miss Mundo...



Escrito por wormsaiboty às 04:49
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FOTOS DA FINAL


Show da Shakira que todo mundo assistiu com a televisão no mudo...














Olha quem tava lá...


Ressaca...


...Vitória!




Francamente...

Escrito por wormsaiboty às 03:03
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FRANÇA X ITÁLIA

Eu já sabia...

COMO FOI

1' Trombada entre T. Henry e o super-zagueiro Cannavaro. Pior para o primeiro, que ficou estirado em campo e desacordado severas dezenas de segundos. Voltaria minutos depois, atendido fora do gramado.

6' Malouda recebe do próprio Henry e na disputa acaba tropeçando no pé que Materazzi tentou tirar mas que inegavelmente interrompeu a trajetória do jogador francês de modo decisivo: pênalti marcado por Horacio. Zidane bate com estilo deslocando Buffon, porém quase leva um susto: a pelota bate traiçoeiramente no travessão. No final, acaba entrando quase meio metro e o "ponto" é validado. GOL da França! 1 a 0 e o bi mais próximo?

9' Materazzi interrompe mais uma jogada da França que, ao contrário das expectativas, ainda não tinha recuado. Sagnol havia cruzado para a área com perigo.

19' A Itália tem 10 minutos em que se assenta de vez no jogo e, como premiação, gol de cabeça de Materazzi, que subiu sem a correta marcação e muito mais elevado que os outros (colaborando, aliás, seu um metro e noventa e quatro de altura) após cobrança de escanteio perfeita de Pirlo. GOL da Itália! 1 a 1 e a indefinição volta a reinar na partida.

Uma sucessão de bolas paradas empolgou os itálicos, sempre assustando a meta rival. Uma das tentativas carimbou a trave.

A conversa de Domenech após o banho dos astros sub seu comando surtiu o efeito esperado: a França avançava com vigor buscando o placar favorável (para, marcando, retornar ao enfadonho esquema da "arapuca" do meio-campo, que o leitor se assegure). A principal arma do time de branco eram as laterais.

45' Henry lembra suas performances de Arsenal ao fintar pelo menos três beques adversários, mas finaliza fraco.

50' Repeteco do atacante franco, justificando sua aura midiática. Ao invés de definir, tenta rolar para Ribery pelo meio, sem sucesso.

53' Malouda – em excelente apresentação – é assistido na cara do gol e parece se complicar com Zambrotta (ou vice-versa). A segunda penalidade nos 90 minutos? Fica a dúvida [vide comentário abaixo nas minhas anotações].

62' Luca Toni, centroavante italiano de poucos gols na Copa (2, contra 3, por exemplo, de Zidane, cuja função principal nem é balançar as redes), finalmente deixa o seu, de cabeça. No entanto o gol é corretamente invalidado.

63' Num raro lance em que não ganha do alvo marcado, Cannavaro vê Henry arrancar e Buffon mostrar por que está entre os 10 melhores do Mundial.

Substituições à vista: na Itália, Totti por Iaquinta; Perrotta por De Rossi (aquele que ficou 4 jogos suspenso graças a uma cotovelada que provocou uma "homorragia" em um norte-americano). Na França, Vieira por Diarra (nada de ordem tática: o meio-campista se machucou e ficou impossibilitado de continuar). Mas quando entraria Del Piero pelo lado da Bota, o único "trunfo" que pudesse mudar, de fato, a cara do embate? Simples: dali a pouco. E quem saiu para sua estreada à grama do Estádio Olímpico foi Camoranesi.

Na prorrogação, a fadiga era indisfarçável.

99' Ribery e Malouda infiltram em bonita tabela. Este último, não muito pródigo em chutes, atira de fora da área e vê a bola em meio à torcida.

Ribery, sempre correndo bastante, tem de sair para Trezeguet injetar fôlego novo no time. Além disso, o reserva que fora titular em 1998 é tradicionalmente decisivo.

103' Zidane, no seu último e fugaz brilho, tabela com Sagnol. Seu passe fora por terra e ele recebeu pelo alto, cabeceando do modo ideal. Buffon estava atento.

No segundo tempo da prorrogação, uma cena que poderia ter sido evitada no enredo dos esportes: Zidane cabeceia Materazzi no peito. Após muita hesitação o árbitro argentino resolve expulsar o jogador. A torcida dá um exemplo de unfair play ao vaiá-lo dali em diante. É o adeus de Zinedine Zidane.

Sem muitas oportunidades já que o time francês se desdobrava em campo para compensar a (enorme!) perda, nada de gol italiano. O desfecho seria mesmo nos pênaltis...

O campeão foi a Itália em seguida aos seguintes acontecimentos:

Pirlo abre deixando o seu; Wiltord faz cara feia (de quem vai errar) mas tira Buffon completamente e converte com tranqüilidade; Materazzi – a despeito da autoria de um tento no tempo normal, que na verdade fora contra-balanceado por sua burrada na defesa – precisava de um gol da risca da grande área para não ser lembrado apenas como o mentor da expulsão de Zidane, e conseguiu; Abidal, demonstrando uma classe que jamais tivera no tempo normal (na Copa do Mundo inteira), cumpre com suas obrigações; De Rossi é o homem que põe a tricampeã em vantagem uma vez mais; Trezeguet corre confiante para a redonda contudo a envia direto para o travessão: a bola dourada até quica para baixo, aos moldes do sucedido com o craque retirado da partida, só que não ultrapassa a linha; Del Piero não decepciona a legião de fãs e põe os franceses numa situação emaranhada; Sagnol tem sossego suficiente para manter "Les Bleus de Blanc" com chances; Grosso, é com você! Mais uma vez (como fez contra a Alemanha), o rapaz encerra com as insistentes piadas dos comentaristas e narradores brasileiros a respeito de seu nome. A Itália é tetracampeã mundial de futebol.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 02:31
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MINHAS ANOTAÇÕES DURANTE A PARTIDA

. Havia, de minha parte, certa ânsia para saber como se comportariam duas equipes de essência defensiva. os gols iniciais me iludiram a respeito da postura que tomariam no curso da batalha...

1º tempo
. Até os 6min o jogo foi maluco, cheio de pirotecnias.
. Zidane encerra como um dos artilheiros de sua equipe, no Mundial de artilharia mais fraca de todos os tempos tirando 1990 (há quem defenda pesadas reformas no futebol – não é ele que tem de mudar, mas a mentalidade de alguns timecos).
. 27' Pensei que a França ia levar uma goleada só de gols de cabeça do Materazzi... Ele subiu livre, livre de novo.
. E, aos 35', Luca Toni, no mesmo lugar onde estava o referido zagueiro. Gol anulado por impedimento

2º tempo
. A defesa da França não é – em definitivo – eficiente pelo alto.
. Já ofensivamente era esta a França favorita de antes da Copa do Mundo da Alemanha, a desejada por todos.
. Não-pênalti dúbio aos 7' desta etapa, novamente em Malouda. Opino pelo "não foi".
. 70' Abidal é um desastre: quando resolve subir para apoiar apenas prejudica os colegas, com chutes tão bizonhos que provocam a hostilidade da torcida (aposto que nem o setor francês o poupou).
. O craque se aposenta aos 80' com um deslocamento de ombro. Iguala Pelé numa estatística, a de 2 gols em duas decisões de Mundial diferentes. Iguala também Beckenbauer, aliás no estádio olhando tudo, que já atuou partida decisiva de braço fraturado. Opa, espera aí! Não, claro que não. Os deuses do futebol fazem o grande favor de esclarecer que tudo não passava de um engodo. O braço estava bonzinho. Zizu regressa aplaudido. [escrito por mim antes do término do segundo tempo e do trágico desenrolar dessa história...]
. Del Piero, o Portal Terra esqueceu de mencionar, mostra sua estrela aos 85'. O confronto estava menos morto do que a mídia deixou aparente. Ele é perigoso.

Prorrogação
. Parecia claro que a França já chegaria às redes por intermédio dos pênaltis. Fosse no tempo normal, fosse no complementar, fosse nas cobranças estipuladas para desempate após esse tempo complementar.
. Para quê? Para quê Zidane permaneceu em campo? Aos 107' ele cabeceou... não a bola mas o peito de Materazzi. Dario García, bandeirinha mais próximo, agiu como se tudo transcorresse na mais plena das normalidades. PARABÉNS POR TER MANCHADO SUA CARREIRA DE MODO TÃO VERGONHOSO. Errar por omissão é pior do que o equívoco de interpretação. Congratulações sarcásticas também ao gênio violento pelo seu grand finale (ou assim parece, porque já houve outros). Acabou... E ele não será o melhor da Copa. Paris chora. Não choro eu porque não sou francês.
. Posteriormente, 11 contra menos de 10, pois este recém-expulso não valia só um homem (tecnicamente falando).

Parênteses
. Sobre a torcida francesa – no Estádio Olímpico de Berlim, onde Hitler proferiu "toda massa é burra", decidiram dar razão ao ditador ao comportarem-se estupidamente, com vaias para as personalidades erradas.

P.K.
. Os goleiros não foram de modo algum decisivos nas cobranças. O nervosismo, sim.
. Nos pênaltis (no pênalti, em verdade) passaram das semi. Nos pênaltis foram parados na Final. Estes são os Vice. Esta é a França.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 02:31
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REPERCUSSÃO EXTRA DO "CASO ZIDANE"

. Olha a brincadeira que fizeram com respeito a sua "finalização de arte-marcial":

http://imagesocket.com/images/zidane29b.gif

Créditos a Antônio Martino, o Delinom (dele sim!).

. Infelizmente, aposentado, o ex-maestro terá, por fim, de prestar esclarecimentos à imprensa. Ou melhor: bem poderia. Mas quem sabe o que se passa pela sua cabeça? Logo ele que vinha boicotando os jornalistas desde o início do torneio esperando que seu triunfo final fosse levar toda a mídia a uma redenção, a uma trégua na linha das "notícias ruins, só para vender". Parece que a guerra Zidane x Nossa Classe vai continuar...

. Zinedine Zidane, francês de natureza e descendente de argelinos, é o único, salvo engano, com dois vermelhos e cinco amarelos em Copas do Mundo. Um recorde que ninguém queria ter. Uma soma que abisma qualquer camaronês. Uau, que retrospecto. Inexistem, no futebol atual, zagueiros capazes de batê-lo.

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 02:30
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JOGADOR-A-JOGADOR

a) Itália

Buffon – a segurança de sempre. Merece o título de "melhor goleiro entre os 32 presentes".

Zambrotta – apareceu pouco tecnicamente. Cometeu um excesso de faltas.

Cannavaro – se justiça for feita, será considerado aquele de melhor desempenho no certame. Suas intervenções são indescritíveis de tão oportunas. Tamanho não é documento no que depender de um belo beque italiano...

Materazzi – dois gols na partida, cometedor de um pênalti e personagem central na melancólica despedida de Zidane. Se o que falou ao francês foi inescrupuloso ou não, não é nosso dever julgar. Zinedine foi tolo. Materazzi é bom jogador e ator, um kit completo para apreciadores do futebol que gostam de risadas e dramas em meio ao espetáculo.

Grosso – aparece nos momentos certos.

Gattuso – vontade inquestionável, além de habilidade na marcação e para ligar os contra-ataques. Um atleta injustamente desacreditado antes e durante a competição.

Pirlo – arquitetar as investidas e – principalmente – levantar as bolas paradas na área com adequação são com ele mesmo. Como foi eleito, com esta, três vezes o jogador da partida nas 7 disputas italianas no Mundial da FIFA, suscita-se que o campeão de assistências dentre todos os inscritos possa ser o elegido de amanhã pela manhã para Melhor da Copa pela entidade organizadora do torneio – ou, como preferirem, pelos "jornalistas especializados" (para mim, pura balela).

Perrotta – não sei opinar.

Iaquinta – entrou errando muitos passes.

Totti – apagadíssimo. Decepção.

De Rossi – consertou sua imagem.

Camoranesi – um dos mais empenhados. Não conseguiu encaixar boas jogadas como nas rodadas anteriores, sem ser comprometedor, no entanto.

Del Piero – não houve tempo para mostrar o que sabe (como aquele categórico gol contra os alemães). Efetuou seu pênalti no desfecho merecido.

Luca Toni – onde está o centroavante que todos esperavam?

Marcello Lippi – melhor treinador do torneio.


b) França

Barthez – o inusitado guarda-redes franco, atormentado pela sombra de Coupet em tempo integral na campanha, apesar de não deixar de ser essa figura que sempre foi, nunca deu um gol de bandeja. Frangos e batidas de roupas são para os outros, certo?

Sagnol – é o típico "carinha irritante" para as arbitragens: incita os jogadores em quem faz falta a levantarem logo do gramado e "deixaram de cera", não ataca eficientemente e marca só o necessário.

Thuram – bom zagueiro, mas não estava na cobertura de Materazzi num lance capital.

Gallas – partilha do defeito de seu companheiro mais imediato. Anular Toni não pode ser chamado de um feito.

Abidal – monstruoso. E nunca numa conotação, sempre numa denotação, ou seja, é literalmente um monstro. Mal sabe jogar bola. Atrapalhado, reverteu-se um lateral seu batido erroneamente e tanto no ataque quanto na defesa só melava as coisas para os campeões de 98.

Makelele – empresta sua qualidade ao setor de que cuida.

Vieira – sinceramente não o vi muito, e ainda saiu antes do tempo regulamentar...

Diarra – poucos minutos, também. Marcou pesado e levou cartão. Isso é tudo.

Ribery – invariavelmente é destaque francês. Numa equipe sem tantos talentos sua raça e correria até sobressaem.

Trezeguet – não era o seu dia...

Malouda – inspirado (já não era hora...). Se a França fizesse um segundo gol, certamente partiria de seus pés.

Zidane – alto como o céu, baixo como o Inferno. Como definir a atuação de um jogador que, conhecido como "o cérebro da equipe", sempre ajuda a achar brechas na defesa do oponente, cobra pênaltis muito bem mas, por outro lado, age de como um silvícola quando menos se espera?

Henry – boa atuação. Pensei que não veria o "jogador de clube" do mesmo jeito na seleção de seu país. Pena que tenha amargado, com toda esta qualidade, o segundo vice do ano, nas competições mais importantes da temporada. Perdera para o Barcelona de Ronaldinho, Belleti, Messi, Eto'o e Deco o título de soberano europeu. Castigo pela marrentice?

Wiltord – tentativa desesperada de Domenech para furar o melhor bloqueio do mundo. Ao menos converteu sua penalidade.

Raymond Domenech – o homem levou uma equipe aparentemente combalida ao seu limite. Mas tem de parar com os shows à beira do gramado a cada vez que o juiz não apita a seu favor e de igual modo deve cessar rápido com frescuras astrológicas fora de campo.

CONTEXTO

A França volta para casa depois de um futebol proclamado como "menos feio" que o italiano. Não é nenhuma vitória. Terminaram invictos, só que com três empates, assim como a campanha das Eliminatórias e também a dos amistosos foram repletas de resultados na coluna do meio. Times assim não podem levantar "o" caneco. A geração campeã de 98, toda mantida, chegou mais longe do que o plausível. Faz-se justiça ao impedir-se que um país ainda figurante no cenário futebolista (tirando que adora eliminar os "bons Brasis") conquistasse um bi que o equipararia aos melhores tempos do Uruguai e até mesmo à Argentina.

A Itália ultrapassa a Alemanha no "ranking das Copas" (e não estou falando de qualquer sistema de pontuação esdrúxulo de Sepp Blatter e empregados, apenas da minha própria concepção e da contagem de títulos absoluta) e já é a segunda nação mais tradicional da História. Colada no Brasil. Sustenta uma incrível coincidência, que talvez deva ser submetida a estudos mais sérios: o ciclo dos 12 ou 24 anos. Vice em 70, campeã em 82, 2º lugar em 94 e primeira em 2006.

NOTA DO JOGO
8



Local: Estádio Olímpico de Berlim
Público: 72.000
Árbitro: Horacio Elizondo (ARG)
Assistentes: Dario García e Rodolfo Otero (ARG)
Cartões amarelos: Zambrotta (Itália); Diarra, Malouda e Sagnol (França)
Cartão vermelho: Zidane (França)
Gols: Zidane (F), aos 7 minutos; e Materazzi (I), aos 19 minutos do primeiro tempo.

A ITÁLIA TETRACAMPEÃ foi
Buffon, Zambrotta, Materazzi, Cannavaro e Grosso; Gattuso, Pirlo, Perrota (De Rossi) e Camoranesi (Del Piero); Totti (Iaquinta) e Luca Toni
Técnico: Marcello Lippi

FRANÇA foi
Barthez, Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Vieira (Diarra), Makelele, Malouda, Zidane e Ribery (Trezeguet); Thierry Henry (Wiltord).
Técnico: Raymond Domenech

Agradecimentos a globo.com e terra.com.br

Escrito por wormsaiboty às 02:29
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(TETRA)CAMPEÃO DO MUNDO

Itália

Escrito por wormsaiboty às 23:30
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RESULTADO DO DOMINGO

Itália 1 (1) (5) x (3) (1) 1 França

ACERTEI MEU CHUTE?

0 a 0 e 1 a 1 é a mesma coisa, de acordo? 3 pontos no BOLÃO, sem contar o chute-saideira - a Itália como Tetra - conferindo também. Nos próximos dias, junto com as matérias especiais que resumirão esta Copa e anteciparão os rumos do futebol nos próximos anos, a contagem dos meus pontos. Terei conseguido os 128 almejados?

Escrito por wormsaiboty às 23:28
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ALEMANHA X PORTUGAL

Duas coisas ficaram claras, ambas a respeito da equipe perdedora:

. Portugal tem enorme dificuldade em produzir gols: 1 aqui, 0 nas semi-finais, 0 nas quartas-de-final, 1 contra a Holanda, 2 contra o México, 1 contra Angola...

. Cristiano Ronaldo é um firuleiro e me decepcionou sete vezes em sete jogos (isso se considerarmos apenas a decepção geral, pelo jogo, porque se fosse por cada lance pretensioso...). Aliás, sorte de Podolski, que se levasse um baile seria o "novato-revelação" mais contestado de todos os tempos.


Diga oi para o cartão amarelo, seu magrelo...

CONTEXTO

A Alemanha levou o pódio, em domicílio, com méritos. E com Kahn e tudo! Excelente apresentação do veterano-mor da seleção tricampeã. Ele é muito exigente consigo mesmo, tenho certeza, e o gol de Portugal perto dos descontos deve tê-lo irritado bastante, mas ele mereceu essa despedida de gala perante a torcida alemã (não se aposentará do futebol, feito Zidane, porém o mais provável é que atue somente em clubes, pois a idade chega e o nível vai ficando distante daquele exigido por uma seleção de país...). Tudo tranqüilo, no final: todos têm um início, um apogeu e um declínio. Tão natural quanto o Brasil não faturar todas as Copas!




Felipão não igualou a marca de Eusébio e toda aquela geração fantástica de 1966. No entanto, quase tudo indica que continuará no cargo. O "quase" entrou de última hora no texto ao saber-se de uma declaração inusitada do "recluso à imprensa" Scolari, que teria afirmado que se recebesse (e não foi o caso, até então) convite para treinar o selecionado tupiniquim ainda era caso de se pensar. Hm, aí tem coisa (vontades, desejos ou conversas ocultas, o que for!)...

NOTA DO JOGO
7.2


Sou fã desse cara...

(as fotos das gatas ficam para uma galeria póstuma ao torneio!)

Local: Gottlieb-Daimler Stadion, Stuttgart
Árbitro: Toru Kamikawa (Japão)
Auxiliares: Yoshikazu Hiroshimia e Dae Young Kim (Japão)
Cartões amarelos: Frings (A), Schweinsteiger (A); Ricardo Costa (P), Costinha (P), Paulo Ferreira (P).
Gols: Schweinsteiger, aos 10 e aos 32, e Petit, contra, aos 15, e Nuno Gomes, aos 43 minutos, todos no segundo tempo
Público: 52.000

ALEMANHA foi
Kahn, Lahm, Nowotny, Metzelder e Jansen; Frings, Schneider, Kehl e Schweinsteiger (Hitzlsperger); Klose (Neuville) e Podolski (Hanke)
Técnico: Jürgen Klinsmann [repare na escalação propícia a homenagens – Hitz não entraria numa eventual Final]

PORTUGAL foi
Ricardo, Paulo Ferreira, Fernando Meira, Ricardo Costa e Nuno Valente (Nuno Gomes); Costinha (Petit), Maniche, Deco e Simão Sabrosa; Cristiano Ronaldo e Pauleta (Figo) [estranho, também: Pauleta saindo para a entrada do titular Figo]
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Agradecimentos a globo.com e fifaworldcup.com

Escrito por wormsaiboty às 02:22
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CLASSIFICAÇÃO DA COPA PARA OS SEMI-FINALISTAS ELIMINADOS

3. Alemanha
4. Portugal

Escrito por wormsaiboty às 00:36
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RESULTADO DO SÁBADO

Alemanha 3 x 1 Portugal

ACERTEI MEU CHUTE?

Schweinsteiger, quem mandou você marcar um impiedoso segundo gol? Os portugueses estavam "satisfeitos" com uma derrota por 2 a 0, com, àquela altura, já um gol de Schweins. Eu também estava. Foi meu chute, que ia magicamente se materializando em 5 PONTOS (fazia tanto tempo que não cravava um placar, ah!). Mas lá foi o alemão de nome estranho, encaixou um balaço e, além de transformar o resultado em algo desagradável as minhas pretensões (permanentemente), tenho certeza que outra coisa não teria instigado Portugal a buscar o gol de consolação. A jogada do cruzamento e o tento de cabeça não sairiam. Que pena. Schweinsteiger me fez marcar os mesmos 3 pontos de sempre nesse Bolão particular, ainda que tenha adivinhado o saldo. Resta torcer pelo zero a zero no tempo normal amanhã... e pela Itália na prorrogação!

Escrito por wormsaiboty às 00:25
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DROPS n. 20

. Zico & Alex: o Galinho de Quintino vai treinar o Fenerbahçe da Turquia!

. O super-zagueiro Cannavaro completa 100 jogos pela Itália na Final da Copa!

. Kahn será o goleiro da disputa de Terceiro Lugar contra Portugal. Pergunta: quantos gols sairiam num duelo ALE X FRA em dia de muitas batidas de roupa de Oliver K. e Barthez?

. Podolski é eleito, antecipadamente, o "craque jovem" da Copa. Cristiano Ronaldo foi descartado por ter simulado pênalti. Beleza, só que tinha jogador melhor...

. Na seleção de 23 jogadores da FIFA, sete italianos. Pintou o sete? Não, o Tetra! Mas o que importa mesmo é que além de esse tópico não fazer sentido eu também farei a Minha Seleção (só depois da Copa)!

. Felipão pode protagonizar o segundo Dia do Figo da História. Ops, do Fico. Os dias do Figo já se foram...

. Azurra x Les Blancs: a própria França abdicou do uniforme azul por pura superstição.

. "Caro amigo do Ruim de Bola, você sabe o que é ego? É o pequeno argentino que a gente tem dentro da gente"

Agradecimentos a RuimDeBola.com.br, GazetaEsportiva.net, ZicoNaRede, SPORTV e ESPN Brasil

Escrito por wormsaiboty às 00:51
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O BALANÇO DAS SEMI-FINAIS

a) Os Resultados

Itália 0 (2) x (0) 0 Alemanha
França 1 x 0 Portugal

b) Disputa de Terceira Posição

Alemanha x Portugal

c) Final

França x Itália

d) Campanha dos Finalistas

Itália – 14 pontos, saldo 8, 9 gols-pró, 1 gol-contra
2x0 Gana
1x1 Estados Unidos
2x0 República Tcheca
1x0 Austrália
3x0 Ucrânia
0x0 Alemanha

França – 14 pontos, saldo 6, 8 gols-pró, 2 gols-contra
0x0 Suíça
1x1 Coréia do Sul
2x0 Togo
3x1 Espanha
1x0 Brasil
1x0 Portugal

e) Coincidência

Na Eurocopa 2000 a decisão foi entra França e Itália. Houve gol de ouro (empate francês nos segundos finais) e a subseqüente virada (2 a 1). Nas semifinais a badalada França eliminara o mesmo Portugal que acaba de despachar nesta Copa. À época Portugal era dono do melhor futebol ofensivo do torneio, no resplendor da Geração Figo.


Escrito por wormsaiboty às 22:14
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FRANÇA X PORTUGAL

É impressionante como o ódio insufla análises precipitadas de uma partida. Durante o intervalo de França x Portugal Matheus me intercedeu no MSN dizendo que Portugal àquela altura jogava muito melhor e exigia um massacre sobre esses "filhos da puta" franceses. Interessou-me bastante elaborar a retórica, até porque serviria para meu post de logo mais, e é exatamente o que aqui acontece:

Desgalvãobuenizando as coisas, com base em quê meu amigo Matheus proclama esta verdade? A posse de bola portuguesa foi superior à francesa uns 10%. E daí? Só no "bobinho" não ter a bola é o prejuízo dos prejuízos, o pecado dos pecados. Pior ainda é o "bobão": o time que tem a bola e não sabe o que fazer com ela direito. A julgar pelo critério da passe de bola qualquer time de cabeças-de-bagre faz melhor. Perceberam o meio-campo francês abarrotado? Matheus e muitos de vocês deviam estar acompanhando a partida pela Globo, deixando o lado emotivo se sobrepor à cabeça. Ou então a ignorância com respeito ao esporte bretão ou a esquizofrenia de vossas mentes não permitiram entrever verdades explícitas: a França não deixava Portugal jogar. Quantas vezes foi ouvido o nome do único centroavante português, Pauleta? Dizem que ele aparece só na escalação. Que é um laranja. Nem existe, na realidade. Dada esta falha ofensiva, a única arma do time de Felipão era chutar de longe, e quem o faz muito bem é Maniche. Ele conseguiu assustar uma vez. De outro lado, veja Zidane e Ribery. Foi dito que Costinha marcaria o gênio quase aposentado inveteradamente. Marcou nada. Deixou o bicho solto, arquitetando seus "lances insidiosos" (e que prazer em vê-los!). Ribery também, se não usufruía de tanto espaço porque já é posicionado mais à frente, dinâmico que só, acabava criando sozinho este espaço. Fazia das suas nas duas laterais. Atordoava os defensores na boca da área. Até o Henry atuou melhorzinho do que no restante da Copa. Excelente para aparecer quando é dado como morto (diferente de Pauleta) ou para cavar pênaltis, desta vez o rapaz sofreu uma falta autêntica nos limites da grande área. Ricardo agarra muito bem, sempre acerta o canto (defendeu três contra a Inglaterra, um recorde histórico). Porém, quem disse que Zidane bate "pouco bem"? Para completar, Cristiano Ronaldo acha que resolve tudo "indo para cima". Que Felipesco! Deve ser a raiva pelas vaias que recebia sempre que se apresentava para o jogo ao longo do primeiro tempo inteiro.

Ficou mais fácil entrever a tal "constatação desgalvãobuenizada"? O Brasil já foi, paciência. Quem tem raiva da França por este ou quaisquer outros motivos deve ter a humildade de reconhecer sua superioridade tática. Enquanto o Barthez não dá um frango daqueles de bandeja a tática é o que conta... Portugal tocava muito bem a bola, mas sempre da intermediária para trás.

Agradeço Matheus (encarnando maioria dos brasileiros no momento) pela sua colocação infeliz. Não é nenhum sarcasmo. É que parece que quando não é em um diálogo simulado não consigo. Fica difícil de extrair as conclusões táticas da partida como acabei de fazer. Depois dizem que pergunta não ofende. Pelo contrário: se não me ofendessem com uma pergunta como "Portugal está merecendo ganhar, você não acha?" dificilmente me sentiria motivado a escrever um ou mais parágrafos acerca das falhas dos portugueses e de como o sistema francês se beneficia disso.

Portanto, independentemente de se o gol foi de pênalti, feio, etc. (e olha que nada do maestrão Zi-Zu é feio!), hora de reconhecer que valores individuais também prevalecem (com exceção dos sem-vontade da Seleção Amarelo-e-Amarela). Vou me ater a Zinedine, para que eu seja inquestionável (tem gente que acha o Ribery um monstro, no pior sentido): o carequinha consegue ser músico jogando bola; como jogador de futebol é ótimo atleta e exuberante músico também!

Tudo isso eu poderia ter escrito com o "material visual" a que tive acesso na primeira etapa. Sabia que não ia mudar. Se mudasse, eu postaria este texto do mesmo jeito e me retrataria no final. Que pena que o intervalo é pequeno demais. Vocês encontrariam o texto aqui já pela tarde do dia 5 se o "break" fosse de pelo menos mais quarenta e cinco minutos. Como não é possível, continuarão vendo petulância quando lembrarem de mim ("depois que tudo aconteceu é fácil falar, hum!"). Fato é que a diferença mais trivial para a segunda metade é que Domenech manipulou o jogo taticamente, agora chamando os portugueses para a "arapuca", retraindo muito mais seu elenco. Contra os brasileiros ele não era doido de fazê-lo. Portugal não sabe sufocar um adversário mais classudo. Foi arriscado, até porque mesmo se a França encaixasse um contra-ataque mortal dificilmente finalizaria em gol, pois tem-no feito pouquíssimo (e vamos voltar a este ponto mais tarde).

No mais, terminou assim. Portugal do estressado Scolari achando que podia vencer e os franceses (principalmente Barthez) fingindo (mentira: ele é mais que um ator, é aquele que é encontrado com as penas na mão!) que podiam abdicar da vaga na final a qualquer momento.

Mais alguns parênteses, digo, pontos:
. Ricardo Carvalho era o melhor zagueiro do Mundial ao lado de Cannavaro. Até cometer a infração do pênalti e único gol do jogo. Vilão em tempo recorde. Que coisa... Sem falar no lance bizarro em que conquistou seu cartão amarelo, a senha para não disputar sequer o terceiro lugar contra a Alemanha no sábado: recuperou a pelota em linda intervenção, deu passe errado e chegou solando, de cabeça quente pela besteira que fez. Besteira ao quadrado!
. No "jogo teatral" em que um time finge que consegue e o outro finge que pode vir a sofrer o empate, até o banco entra na roda: Coupet, o reserva do guarda-redes autor de frenéticas lambanças, fez média, explicando – com gestos – que na sua batida de roupa pós-falta (de Figo ou Cristiano? Faltou-me o nome agora) Barthez só "pareceu que falhou" porque a bola vinha com efeito, e que quando é assim complica mesmo a vida do goleiro. "Ah, entendi" (também finjo que paguei ingresso e estou prestigiando a peça).
. Zidane merece. Merece até um terceiro gol na Final, se não comprometer o resultado: um tetracampeonato...
. Ficou patente, já de início, aquilo que fez falta no Brasil x França, muito embora Portugal também encontrasse dificuldades (e quem disse que Ronaldinho, Kaká e Ronaldo jogam MENOS que Deco, Figo e C. Ronaldo?).
. Luiz Felipe Scolari nunca foi Deus. Essa geração de Portugal não é de se jogar fora. Nem de construir monumentos em sua homenagem... E, de qualquer maneira, acabou.
. Saha estava tirando um sarro com a gente. É inconcebível alguém jogar tão mal. Esse queria entregar! Infelizmente está suspenso e não nos brindará com suas peripécias na Final...

CONTINUA ABAIXO

Escrito por wormsaiboty às 03:00
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CONTEXTO

A Azurra terá sua oportunidade de ouro. O que lembra "euro". Na Eurocopa 2000 da Holanda e Bélgica, na final França x Itália, o elenco àquela ocasião campeão do mundo venceu no Gol de Ouro. Euro, Ouro... Em 1998, aliás, os italianos só levaram a pior nas quartas-de-final porque Baggio devia se licenciar do suplício de bater pênaltis para não desclassificar seu país o segundo Mundial seguido (nada contra seu excelente futebol entre as quatro linhas em circunstâncias normais, afinal ele foi o melhor jogador do mundo em 1993). 2006 será marcado pela aparição da senhora Justiça?

Para quem gosta de coincidências, em 70 a Itália perdeu a decisão para o Brasil. 12 anos depois eliminou uma de nossas melhores seleções de todos os tempos e conquistou seu Tri. 12 anos mais tarde perdeu para Parreira, Romário & cia. nos pênaltis. Passaram-se mais 12 anos e tudo indica que é hora de levantar o caneco...

Abomino números. Abomino levarem em conta a História, pois cada capítulo pode significar uma reviravolta na trama. Acontece que pelo que vem jogando deve vencer...

E quem é a França do corrente ano?

A terra de Napoleão e dos protestos estudantis, nesta Copa, é Domenech (quem diria, o astrólogo tão criticado no começo da competição), Zidane e Ribery. Resume-se a eles. Minto. É, também, Barthez, Sagnol, Abidal, Malouda. Maravilhas de peças para compor elencos [ironia]! Percebeu? Por mais que os três primeiramente citados (o técnico e os dois melhores da equipe titular) ponham-se à disposição no auge para a disputa dessa promissora Final e recebam, nessa empreitada, o auxílio dos satisfatórios Henry, Vieira, Thuram e Gallas (os dois últimos o miolo de zaga), nada como uns "perebas" para fazer a diferença – a favor do tetra italiano, claro.

Goleiro e laterais abaixo da crítica? Isso nunca deu certo. Só não estão piores que os daqui porque não são apáticos (não me refiro a Dida, somente aos velhacos Ajeitando a Meia e Cafu). Ademais, a França nem sabe definir. Veja os últimos gols que ela fez. Pênalti, colaboração do Ajeitando a Meia Carlos, Zidane num estalo de talento... E aquele sufoco para sair um gol, na segunda rodada, contra a Coréia, depois de quatro partidas em branco num espaço de QUATRO anos (em Copas)? Não vai querer, esse time, furar justo o bloqueio da Bota, vai?!

Honestamente, a Seleção Francesa merecia ser eliminada já nessas partidas para aprender a lição... Pena que Portugal, Brasil e Espanha não se esforçaram muito para compreender o meio-campo traiçoeiro de Les Bleus. Aliás, a Espanha não conta, é amarelona. O Brasil eu também não levo em consideração: ô país ruim de bola [Garrincha se revira no túmulo]! Chegou a hora de eles tropeçarem no segundo time com mais História em Copas (segundo, sim, porque vai passar a Alemanha em títulos, justo em seu território): Itália, Itália, Itália, Itália...

Quatro. Nós temos 5 e ainda achamos ruim!

NOTA DO JOGO
7.4



Local: Allianz-Arena, Monique
Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai) [desse eu gosto!]
Auxiliares: Walter Rial e Pablo Fandino (Uruguai)
Público: 66.000
Cartões amarelos: Ricardo Carvalho (Portugal) e Saha (França)
Gol: Zidane aos 32 minutos do primeiro tempo

PORTUGAL foi
Ricardo, Miguel (Paulo Ferreira), Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha (Postiga), Maniche, Deco e Figo; Cristiano Ronaldo e Pauleta (Simão Sabrosa)
Técnico: Luiz Felipe Scolari

FRANÇA foi
Barthez, Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Makelele, Vieira, Malouda (Wiltord), Zidane e Ribery (Govou); Henry (Saha)
Técnico: Raymond Domenech [cadê o Trezeguet? Aposto que ele entra em campo domingo...]

Agradecimentos a globo.com e fifaworldcup.com

Escrito por wormsaiboty às 03:00
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CENAS E PERSONAGENS-DESTAQUE





























Escrito por wormsaiboty às 02:32
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CHUTES DA MADRUGADA - Os últimos!

Resolvi antecipar, de uma vez, os palpitões para a rodada final, as Decisão de Terceiro Lugar e Decisão de Campeão:

Alemanha 2 x 0 Portugal

França 0 x 0 Itália
[Itália campeã na prorrogação ou pênaltis]

Lancei os dados, mas eles só irão cair 17h de domingo. Até lá para um balanço do meu "desempenho preditório" na Copa do Mundo '06!

Escrito por wormsaiboty às 02:15
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SEGUNDO FINALISTA DEFINIDO

França

Escrito por wormsaiboty às 02:13
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RESULTADO DA QUARTA

França 1 x 0 Portugal

ACERTEI MEU CHUTE?

Dessa vez foram dois palpites, tá lembrado? É que o "fator Zidane" me dava essa canja. Acertei a coluna da vitória pela possibilidade "se o grande craque arrebentar". Ele não foi magistral como contra a Seleção Brasileira, mas o jogo nem pediu. Efetuou lindos passes e fintas, do mesmo jeito, o que me permite me agraciar com meus 3 pontos do Bolão! Faltou um gol e tenho sérias dúvidas se a finalista desta partida tem qualidade para efetuá-lo contra um adversário de defesa praticamente perfeita.

Escrito por wormsaiboty às 02:12
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ALEMANHA X ITÁLIA

COMO FOI

15' Lançamento perfeito de Totti que só pára num frente-a-frente de Perrotta e Lehmann.

30' Grosso infiltra pela esquerda, dribla o marcador e cruza pelo chão. Luca Toni não consegue finalizar como gostaria...

34' Klose serviu Schneider de bandeja mas este desperdiçou errando o alvo de Buffon.

50' Klose protagonizou um dos raros lances em que um centroavante, nesta partida, finta os zagueiros adversários, em fila, mas Buffon é uma muralha.

54' Podolski, em sua oportunidade mais contundente: de costas para o goleiro, perto da pequena área, gira rápido e o obriga a boa intervenção.

A Itália, antes com um atacante, entra com três na prorrogação.

90' Gilardino carimba a trave.

91' Zambrotta arrisca, livre, e a bola resvala no travessão.

92' Podolski cabeceia muito mal. Fato é que estava bem-posicionado e gerou expectativas quanto à correta conclusão do lance.

118' Pirlo enxerga Grosso, que bate colocado no canto do vendido Lehmann. GOL da Itália! É o gol do primeiro finalista!

119' Sem tempo para o estádio vir abaixo e principalmente o capitão Ballack se lamentar, com espaço de sobra, Gilardino vem pelo meio, descentraliza com Del Piero, finalmente protagonista de algum momento de perigo, que também bate com categoria numa posição privilegiada na qual uma defesa do guarda-redes seria impossível. A pelota tem o capricho de morrer no ângulo para não mais voltar à vida: apito final. GOL da Itália! O Tetra nunca esteve tão perto desde 1994 nos Estados Unidos, mas agora o time é mais confiável.

Dois a zero nos alemães.

MINHAS ANOTAÇÕES NO TRANSCORRER DA PARTIDA

1º tempo
. O jogo da Alemanha não encaixa com o da Itália, definitivamente!
. Buffon é um dos melhores do mundo. Ponho-o um degrau abaixo de Ceni por não ser tão completo. O que não quer dizer que seja um asno com os pés.

2º tempo
. Alemanha: corre-corre perpétuo em segundos tempos de placares adversos (considerando um empate em semi-final de Mundial sendo disputado em casa como um resultado aquém do esperado). Faltou a qualidade: Friedrich apoiava constantemente pela direita e de certo não faria um gol com seus dotes de beque.
. Por que Borowski entrou na vaga até então de Schweinsteiger? Pode ter significado a ruína que se viu [comentário a posteriori: todavia Schweins, ao ingressar, também não mostrou a que veio – a substituição deu-se aos 27 do 2º ou 72' totais].
. Duas primeiras alterações obedecendo ao clássico "seis por meia-dúzia" [Gilardino até que dinamizou as coisas lá na frente para a squadra].
. 81' Acertei no balanço das quartas: Ballack está capenga! Cobrou falta a la "Ajeitando a meia Carlos".
. Falando no "carinha que vai para o Chelsea", foi estabanadíssimo o confronto inteiro – ou seria MAU o termo correto? Deixou o cotovelo e promoveu trombadas pelo menos três vezes no primeiro tempo e aos 83', com veemência.
. Lahm [foto mais abaixo n. 16], o Kaká dos germanos! Semelhanças: jogou bem os dois primeiros duelos e depois sumiu; fez golaço de falta na primeira aparição. Nunca mais serviu para muita coisa...
. O árbitro, tosco demais para esta semi-final, distribuiu DOIS cartões o tempo normal todo. Isso lá é postura que coíba eqüinos como Ballack?
. Klose já demonstrava estafa perto dos acréscimos. O estranho é Gattuso ter sentido cãibras no meio-campo bem antes, uma vez que a Itália não enfrentara prorrogações até aquele momento na competição e, aliás, acrescido o fato de que ele havia sido poupado do desfecho da disputa (já definida há muito) contra a Ucrânia. Veja a curiosa foto 13 – abaixo – em que os dois atletas supracitados não desmentem o que eu disse.
. Foto 10: a violência todos conhecem mas sua mortalha em campo quando o fim do tempo regulamentar vai se aproximando é risível. Será que ele não tem condicionamento de um jogador de futebol profissional?

Prorrogação – 1º tempo
. Iaquinta entra: como já dissera antes (em outras resenhas), amuleto de Lippi.
. Gilardino: trave, com menos de 1 minuto transcorrido na "terceira etapa". Realmente o treinador tem estrela...
. Zambrotta repete a dose (de veneno, para os alemães!) com mais alguns segundos de bola rolando. O cara nem parece um simples zagueiro: já fez gol nesta Copa, inclusive.
. Marcello Lippi é um gênio: não deixou com que a tradição cautelosa de sua seleção abortasse suas chances de se safar dos pênaltis, com a vaga.
. A Copa dos empates. A FIFA diz que estuda modificar a fórmula de disputa para 2010.
. Apelão (é a quarta "bolinha" que gasto falando desse traste): 12' do 3º tempo (ou 102') e mais uma articulação pontuda do braço com antebraço na cara de um atleta de azul, desta vez Iaquinta. Esqueci de onde me chegou a informação de que esse cara de futebolzinho mais ou menos é um cavalo arredio (quem? O Ballack!), ainda antes do Mundial da Alemanha. Eis a comprovação-mor da acusação.
. Foto 17: a postura showman de Klinsmann um dia conseguiria encher o saco...

Prorrogação – 2º tempo
. Iaquinta + Totti = contra-ataques empolgantes
. Friedrich adora levar canetas. Desta vez foi do Del Piero. Lembra da (ou das) do Tevez?
. 146' Bololô incrível. Lehmann deve adorar uma decisão por pênaltis porque do contrário seu "talento" fica oculto. Em estado latente. O camisa 1 alemão sai mal quando é exigido. Tem sorte.
. A Alemanha não estava morta, justamente porque a Itália estava bem viva (quem sabe o que é contra-contra-ataque entende o que digo).
. Imprevisibilidade à tona durante cada instante, a cada ofensiva de um dos rivais: o futebol é quem ganha.
. Sendo mais "bairrista", o Blog e os leitores é que se saciam, já que eu inventei de analisar jogo-por-jogo desta Copa do Mundo e estamos numa matéria que deve valer a pena. Ufa, dá trabalho!
. Fotografia 9: mau jogador.
. O grande e inenarrável momento me pegou de surpresa. Ô! Mal terminava de escrever (sempre de cabeça erguida, claro, por mais que as linhas saíssem tortas) minhas impressões acerca do gol que calou a boca de 64 (acho eu, dos 65!) mil na platéia e o golpe de misericórdia mais merecido, bonito e eliminador de todos os tempos (não exagero, em que pese a atenuante da minha pouca idade e poucas coberturas de Copas) é desferido. Carambolas, quase me exaspero e xingo no X-TudoTudo a primeira vez. Carampelotas! O segundo tento italiano foi com a parte interna do pé, de quem sabe! E a redondinha morreu no L (não de Lehmann, mas de um dos ângulos)...

CONTINUA ABAIXO...

Escrito por wormsaiboty às 02:55
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CONTEXTO

Um pouco de História: A Alemanha não vence a Itália em tempo normal em qualquer tipo de jogo desde 84. Em Copas, jamais. Freguesa. E a Azurra tinha 23 jogos de invencibilidade em Mundiais da FIFA no que se refere exclusivamente a gramados europeus (França – derrota nos pênaltis –, a Copa que sediou em 90, 1982...). E a estatística que causava mais preocupação nos torcedores da Bota: jamais saíam de arcada dentária exposta (a não ser para o choro escancarado) de uma decisão nos pênaltis. E pensar que em 2 minutos um novo capítulo desse enredo seria contado... Deixa para daqui a 4 anos, não é mesmo?

NOTA FINAL DE RODAPÉ

Soltar o verbo. É o que estou coçando os dedos para fazer (ou estava) desde o término do jogo. O detalhe é que passa de meia-noite. O dia do melhor jogo da Copa e de um dos melhores que já vi não existe mais. Ficou no passado, devidamente protegido de distorções ou contestações ("ah, você estava excessivamente empolgado só porque chutou que ia dar Itália no Bolão", "viste de modo torto os acontecimentos". Não, para nenhum dos dois). Com uma Nota de Jogo DEZ (vide abaixo), creio que ninguém assista futebol esperando MAIS. Está bom. É capaz de ter sido a melhor partida. Em que acredita? No não, mais-que-provavelmente. Grandes clássicos têm 90 minutos, se pensar. Esse ainda sai na frente covardemente, afinal teve 120. Cento e vinte minutos de bola bem redonda (não é repetição, é que tem jogo onde a bola parece que é quadrada). E o segundo tempo não foi chato de forma alguma, conforme creu a crônica esportiva. Ademais, se comemorei mais o Tetra (brasileiro!) ou algum outro "match", com certeza era porque envolvia a Seleção Canarinho. Logo, neutro não fui. Só hoje. Agora. Neutro e acompanhando um embate memorável. Tanto quanto aquele que foi chamado de o "Encontro do Século", entre os mesmos Itália e Alemanha, em 1982, com direito a tempo extra. As coincidências são amplas: semi-final, Itália pronta para erguer a taça, tempos de desempate requintadíssimos em gols...

--A PARTE MAIS IMPORTANTE DESTA ANÁLISE ALEMANHA X ITÁLIA - O CALAR DOS QUE PENSAM DIFERENTEMENTE DE MIM--

2006 foi roubado para a Alemanha? O que aconteceu, será que o dinheiro não caiu na conta e os italianos desistiram de "se dar por vencidos"? Poupem-me dessas delações infundadas, amadoras, anti-desportivas e, sobretudo, burras. Nada mais a declarar a respeito (pior que não: preocupo-me tanto com esta patologia mental de vocês que devo incorrer no assunto novamente, pós-Copa, como lerão mais abaixo).

Outra questão elucidada pela vitória do belo time italiano: não é o fim da Era Cafu, mas o fim da Era Parreira. E não se trata de um nome. Porque ao que sei Carlos Alberto é um ser humano. Seres humanos são mortais. Mortais nos deixam, mais cedo ou mais tarde. Acontece que todos os mortos deixam um legado. Aí então pode aparecer qualquer técnico com um perfil parecido com o dele. Podia. Já que o estilo Parreira acaba de morrer, um sujeito assim seria prontamente descartado. Não ia servir para nada. O que dentro do estilo Parreira não serve? O papo do jogar feio, da necessidade do pragmatismo e do corte da beleza em prol das conquistas, com raríssimas exceções.

Mas vai que estou errado. Disso deriva que a Itália foi apenas uma exceção. Na partida a trazer os donos da casa como antagonistas. Também nos compromissos prévios, tirando o dos Estados Unidos. No torneio, em suma. E a Itália continuará sendo essa bem-vinda exceção na Final, estou seguro. É, pois, uma senhora exceção. Que tal fazer dela a regra? O estilo Parreira pode seguir vivo, desde que na Seleção Brasileira ninguém se arrisque a utilizá-lo.

Meu irmão chegou em casa em meio à prorrogação e concordamos neste ponto: belo é ser belo. A despeito do rostinho lindo ou não dos italianos (isso você acha dependendo do seu sexo ou tendências), temos de admitir que este futebol está extremamente além do imaginável para o próprio Brasil. È TETRA! O Tetra de um país que não é o meu e de uma nação com a qual não guardo relações, nem próximas nem distantes, nem sangüíneas tampouco de conveniência. É Tetra com gosto. Cobre-me essa conquista, domingo, se necessário. Sei que a Itália vai ganhar. Um, dois, três, quatro. Com muito gosto. De pizza.

Já dizia em outras passagens que o vencedor deste jogo seria o campeão. E, mais uma vez, para que fique bem evidente, ADEUS ESTÓRIA DAS MALAS PRETAS. Nas próximas semanas irei refutar com concisos argumentos essa conspiração de tolos, essa teoria retardada de "campeões definidos pela FIFA ou quem quer que seja". No entanto jaz aqui, sem mais espera por parte do visitante, a maior prova do meu ponto de vista: a realidade. O dois a zero desta tarde/noite. Eba! O futebol agradece. O futebol é composto de emoções humanas. Por mais mesquinho, o homem tem um lado altruísta e sustento que ele se subdivide, de modo simplista, em dois: a música e o esporte. O futebol é a materialização de um sonho, de uma utopia de longa data, que é a alegria de todos. A anarquia existe enquanto a bola rola...

Viva o futebol. Viva a honestidade dos resultados. Viva o que acontece na maioria esmagadora das vezes nas ligas nacionais, em 100% das Copas e o que aconteceu hoje. Viva quem sabe apreciar o futebol sem desconfiar descabidamente do "background".

---

E digo mais (êta dia difícil pra parar de falar, viu?): a meus colegas de faculdade (mormente) que me azucrinavam pelos "gostos atípicos" (quando falava que gostei do jogo da Itália, da postura do time), veja que minhas ousadias cegas não são: simpatizei com a Itália desde o princípio. Pode ver (ler) nos jogos de primeira rodada, se acha que emito comentários tais só após vitórias e êxitos, o que seria fácil demais. Consulte http://xtudotudo2.zip.net & http://xtudotudo3.zip.net . Obrigado!

---

NOTA DO JOGO
10 (como diz alguém, a Copa deu um upgrade!)



Local: Westfalenstadion de Dortmund
Árbitro: Benito Archundia (México)
Auxiliares: José Ramírez (México) e Héctor Vergara (Canadá)
Público: 65.000
Cartões amarelos: Borowski (A), Metzelder (A); Camoranesi (I)
Gols: Grosso, aos 14, e Del Pierro, aos 16 minutos do segundo tempo da prorrogação

ALEMANHA foi
Lehmann, Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Lahm; Schneider (Odonkor), Kehl, Borowski (Schweinsteiger) e Ballack; Podolski e Klose (Neuville)
Técnico: Jürgen Klisnmann

ITÁLIA foi
Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Perrotta (Del Piero), Camoranesi (Iaquinta), Pirlo e Gattuso; Totti e Luca Toni (Gilardino)
Técnico: Marcello Lippi

Agradecimentos a globo.com, terra.com.br e fifaworldcup.com

Escrito por wormsaiboty às 02:55
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CENAS E PERSONAGENS-DESTAQUE











































As gatas ficam para mais tarde!

Escrito por wormsaiboty às 02:12
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CHUTE DA NOITE

Deixe-me subdividi-lo em dois, senão não dá pé:

1. Se Zidane arrebentar...

França 2 x 0 Portugal

2. Se o grande craque cair de produção...

França 1 x 1 Portugal

Aí o time de Felipão leva vantagem por estar enfrentando uma equipe envelhecida. Paro minhas predições por aqui!

Escrito por wormsaiboty às 23:04
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PRIMEIRO FINALISTA DEFINIDO

Itália, a Azurra atrás do Tetracampeonato.

Escrito por wormsaiboty às 23:02
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RESULTADO DA TERÇA

Itália 0 (2) x (0) 0 Alemanha

ACERTEI MEU CHUTE?

Melhor, quase impossível. No palpitão, lasquei um 1 a 1 e ainda disse que a Itália é quem passaria! Como acertei a coluna do empate faturo 3 pontos. Infelizmente cravar um finalista não rende nenhum bônus. Bem que poderia!

Escrito por wormsaiboty às 23:01
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CHUTE DA MANHÃ

Alemanha 1 x 1 Itália

Excepcionalmente desta vez eu cravo um time para avançar à decisão: ITÁLIA!

Escrito por wormsaiboty às 07:25
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